Marx explica a crise dos EUA

Estamos assistindo o início da queda do império norte-americano neste século XXI, pois a infra-estrutura econômica influencia a política e a ideologia dos EUA, como mostra a teoria marxista. A resistência ao domínio do modelo capitalista norte-americano está cada vez maior em todo o mundo e para se apoderar das reservas de petróleo, o império dos EUA tem que gastar cada vez mais recursos na manutenção do seu aparato militar nos quatro cantos do planeta

Marx explica a crise dos EUA


    Estamos assistindo o início da queda do império norte-americano neste século XXI, pois a infra-estrutura econômica influencia a política e a ideologia dos EUA, como mostra a teoria marxista. A resistência ao domínio do modelo capitalista norte-americano está cada vez maior em todo o mundo e para se apoderar das reservas de petróleo, o império dos EUA tem que gastar cada vez mais recursos na manutenção do seu aparato militar nos quatro cantos do planeta. A atual crise política de impasse entre o presidente George W. Bush e o Congresso dos EUA dominado pelos democratas é sintomática, pois não existe oposição ao sistema capitalista na disputa entre os dois partidos de maior força no cenário político do país, mas sim formas distintas para que os EUA continuem a ser a maior potência mundial. O apoio das indústrias de armamentos e de petróleo à política belicista do atual presidente Bush quer que o expansionismo genocida das guerras no Iraque e no Afeganistão continue para aumentar os seus lucros, mas este projeto está custando muito caro à sociedade norte-americana, que está sentindo os efeitos da cotação internacional do barril de petróleo acima de US$ 60, pois a resistência iraquiana está dificultando os objetivos do governo dos EUA de ter esta fonte de energia a um custo mais baixo. Este problema está criando um processo inflacionário no mercado interno norte-americano e diminuindo a lucratividade das empresas do país, por isso a confiança do consumidor está caindo a cada período pesquisado e este setor é responsável por 2/3 da renda da população dos EUA.

    Não existe bondade entre os partidos políticos norte-americanos, mas sim pragmatismo, sendo a visão dos democratas de maior sutileza na dominação dos mercados que interessam aos EUA e pregam um diálogo com a comunidade árabe, que na realidade não tem uma ideologia antagônica ao sistema capitalista, mas o aparecimento de grupos extremistas islâmicos é uma resposta à crueldade e arrogância do império norte-americano entre os muçulmanos de origem árabe. O uso da força pelos EUA em todo o mundo para se apoderar das riquezas dos povos cria uma grande antipatia a esse tipo de imperialismo que só se alimenta de guerra e de pilhagem. No cenário interno a mão-de-obra estrangeira usada a baixo custo para erguer o império norte-americano está se organizando e atualmente soma cerca de 12 milhões de pessoas que não têm cidadania do país mais rico do mundo, mas ficam na base da pirâmide social dos EUA e é uma nova “invasão bárbara” como aconteceu com o império romano que está solapando o sistema capitalista, e até um muro na fronteira com o México foi erguido para impedir a entrada de imigrantes em território norte-americano.

    A repulsa ao domínio dos EUA é tão grande em todo o planeta que até países de diferentes ideologias como Rússia, China e Índia se uniram para impedir o avanço norte-americano nas antigas repúblicas asiáticas da ex-URSS que são as maiores reservas petrolíferas do mundo e com isso os EUA estão ficando sozinhos no cenário internacional, só contando com o apoio de seus aliados históricos como Inglaterra e Israel. O fracasso da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) é mais um revés do imperialismo dos EUA que encontrou resistência a altura na região com a eleição de vários governos de esquerda na América Latina e principalmente com a ascensão de Hugo Chávez na Venezuela, de quem os EUA compram mais de 20% do seu petróleo, sendo várias as medidas de Chávez para isolar o imperialismo norte-americano, dificultando o seu acesso às fontes de energia, isto mostra a decadência do governo de George W. Bush. A mudança que o presidente venezuelano fez de tirar o controle das reservas petrolíferas das empresas dos EUA para fazer aliança com empresas chinesas é mais uma jogada de mestre de Hugo Chávez para quebrar a hegemonia do Tio Sam no que ele convencionou chamar no passado de seu quintal.

 

Julio Cesar de Freixo Lobo