A briga entre a Bolívia e a Petrobrás

Mais um capítulo da queda de braço entre a Petrobrás e o governo da Bolívia está acontecendo e esta disputa continua a ser insuflada pela imprensa burguesa mal intencionada, que leva um conflito comercial entre uma empresa e um governo soberano a um problema diplomático entre Brasil e a Bolívia.

    A briga entre a Bolívia e a Petrobrás

  

    Mais um capítulo da queda de braço entre a Petrobrás e o governo da Bolívia está acontecendo e esta disputa continua a ser insuflada pela imprensa burguesa mal intencionada, que leva um conflito comercial entre uma empresa e um governo soberano a um problema diplomático entre Brasil e a Bolívia. No último dia 1o de Maio o presidente boliviano Evo Morales sancionou uma série de medidas complementares de nacionalização do setor energético do país e isso está causando prejuízo não somente para a Petrobrás, mas à várias empresas que investem no país vizinho. A questão da nacionalização das refinarias da Petrobrás é sobre o preço da indenização que o governo boliviano quer pagar à empresa brasileira, que é US$ 70 milhões e quanto a petrolífera deseja receber, que é um total de US$ 215 milhões e se não chegarem a um acordo haverá uma arbitragem internacional sobre o assunto.

    A grande realidade deste conflito comercial é que a Petrobrás, por ter sido criada em uma campanha nacionalista que transformou o Brasil na década de 50, é um dos orgulhos do povo brasileiro, mas apesar de na aparência ser uma estatal brasileira, desde o governo FHC, foi praticamente privatizada, pois atualmente mais de 70% das ações da empresa são negociadas em Bolsas de Valores, inclusive a de Nova York e age no mercado internacional como uma empresa multinacional do ramo de petróleo e de energia que faz investimentos visando o lucro nos países em que atua. Outro ponto de discordância entre o governo da Bolívia e a Petrobrás é sobre o valor dos contratos de fornecimento de gás para o Brasil, que a administração de Evo Morales quer reajustar para US$ 5 por milhões de BTUs, como já acontece com a Argentina. Em outubro a Bolívia assinou 44 novos contratos com várias empresas petrolíferas, entre elas a Petrobrás, sobre o preço do gás.

    Para resolver os problemas históricos da pobreza na Bolívia a atual administração do país precisa de recursos para avançar em programas e projetos sociais de combate ao subdesenvolvimento e uma das medidas que tomou foi aumentar a tributação sobre os lucros das empresas estrangeiras que investem no país e por isso existe esta contrariedade dos setores atingidos pelas nacionalizações. O valor de vários produtos pagos não somente pela Petrobrás, mas também por outras empresas estrangeiras é abaixo do mercado, um dos exemplos é o petróleo reconstituído que custa US$ 30,35 o barril à empresa brasileira quando está valendo US$ 55 no mercado mundial.

    A verdade é que esta disputa só tem lugar no sistema capitalista em que o lucro privado é o objetivo maior de toda a empresa. Só acontecerão mudanças na cultura dos países com a implantação do socialismo. A luta de Cuba e da Venezuela pela integração da América Latina com maior solidariedade entre os povos é um avanço nas relações internacionais, mas será preciso mudar a mentalidade das elites em relação à ruptura com o modelo excludente do capitalismo e para isso a revolução continental é urgente para criar uma sociedade de um novo tipo. Não será somente a eleição de governos de esquerda na região que mudará a correlação de forças para o ideal socialista, mas sim um processo revolucionário com organização popular para enfrentar o imperialismo dos EUA e suas infiltrações nas classes exploradas que visam o atraso da libertação da América Latina.

 

Bento Pereira