A XV Convenção de Solidariedade a Cuba em Minas Gerais

Foi realizada entre os dias 5 e 7 de abril em Contagem, Minas Gerais, a XV Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, que contou com a presença de mais de 50 entidades de todo o Brasil e centenas de pessoas que participaram dos debates e grupos de trabalho que se desenvolveram ao longo dos três dias do evento no SESC de Contagem.

A XV Convenção de Solidariedade a Cuba em Minas Gerais

   

    Foi realizada entre os dias 5 e 7 de abril em Contagem, Minas Gerais, a XV Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, que contou com a presença de mais de 50 entidades de todo o Brasil e centenas de pessoas que participaram dos debates e grupos de trabalho que se desenvolveram ao longo dos três dias do evento no SESC de Contagem. O início da Convenção contou com a participação de vários partidos políticos e entidades de todo o país que compuseram a mesa de abertura, como a Associação Cultural José Martí de Minas Gerais e de outras partes do Brasil, o (ICAP) Instituto Cubano de Amizade aos Povos, o Embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Mosquera, a UNE (União Nacional dos Estudantes), a Ubes (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), os partidos PCdoB, PDT, PCB, PT, PPS e várias agremiações partidárias e do movimento social, como o MST, a CUT, entre outras.

    Foi feita uma homenagem póstuma ao militante Paulo Lorenzi Petry, que sempre esteve presente a todas as convenções nacionais de solidariedade a Cuba e, que desde o processo de redemocratização do Brasil, sempre uniu forças para prestar apoio à causa da revolução cubana e da amizade entre o povo brasileiro e a população cubana. Em 1985, o companheiro Paulo Petry já defendia a solidariedade ao povo e ao processo revolucionário cubano, fundando um comitê de apoio à amizade entre Brasil e Cuba no Rio Grande do Sul, mesmo antes do restabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países oficialmente.

    Na explanação do Embaixador de Cuba no Brasil, ele falou o seguinte: “Agradeço a Associação José Martí de Minas Gerais, a organização desta XV Convenção de Solidariedade a Cuba, neste estado, e agradeço a todos os presentes neste momento. A aliança entre o povo brasileiro e o povo cubano é importante em todos os sentidos, a defesa da unidade entre os povos latino-americanos sempre foi defendida pelo pensamento de vários líderes da região, como Bolívar, José Martí, entre outros, e agora esta integração começa a se delinear não somente nos discursos, mas também na parte prática, na qual os grandes parceiros de Cuba, atualmente, são a Venezuela e o Brasil, apesar do bloqueio econômico do império norte-americano de mais de 40 anos. A parceria estratégica com o governo venezuelano, de Hugo Chávez, é um dos grandes benefícios que Cuba tem da sua solidariedade internacionalista e uma maneira de furar as sanções que o império dos EUA impõe a quem comercializa com o nosso país. O fornecimento de petróleo a Cuba e o apoio na área tecnológica para a extração do combustível são grandes apoios do governo bolivariano da Venezuela e, em troca, Cuba usa seus recursos humanos nas áreas de saúde e educação para tirar a população venezuelana do atraso com milhões de cirurgias de catarata, na chamada “Operação Milagre”, que já beneficiou grande parte da população do país de Hugo Chávez, mas não somente ele, assim como milhões de pessoas em toda a América Latina e no mundo. É muito importante que esta Convenção de Solidariedade a Cuba aconteça aqui em Minas Gerais e tenha tantos adeptos e simpatizantes para amenizar o sofrimento que o império norte-americano nos impõe há mais de 40 anos com bloqueios e perseguições, não somente contra o governo cubano, mas, sobretudo, sobre a população trabalhadora de Cuba, que é impedida de obter serviços e produtos mais elementares. Mas nós continuamos acreditando que o mundo caminha para o socialismo, porque nós somos a maioria e, apesar das “bombas inteligentes”, da tecnologia da morte para a guerra, está havendo resistência dos povos na maioria dos países do mundo, estamos tendo notícias dos conflitos militares no Iraque e no Afeganistão, onde o império está sendo derrotado no campo de batalha. E atualmente a grande luta contra o imperialismo dos EUA é no campo das idéias e o que Cuba está fazendo agora é mostrar a sua força na verdade da práxis revolucionária, que é a união da teoria e da prática na luta por um mundo melhor. Obrigado”, concluiu o Embaixador de Cuba no Brasil, Pedro Mosquera.

    No segundo dia do encontro de solidariedade a Cuba foi discutido o aspecto econômico da integração latino-americana, com os palestrantes: Alejandro Aguilar, Prêmio Nacional de Economia de 2006; Ronaldo Carmona, do Cebrapaz; e Beto Almeida, diretor da Telesur. Na exposição econômica de Alejandro Aguilar ficou clara a opção de Cuba pela integração da América do Sul, não somente no aspecto econômico, mas, sobretudo, nas experiências sociais de cada país, que devem girar em torno da solidariedade entre os povos. Foi feita uma exposição visual sobre os vários mercados existentes na América Latina e o projeto da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas) em oposição a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas). Entre estas duas concepções de integração, foram mostrados os vários tratados comerciais existentes na região e como podem se unir ou não em qual projeto ou parceria entre os países. Na verdade, com a vitória de vários governos de esquerda na América Latina, foi acontecendo uma nova forma de unidade entre as economias da região, que ficam entre o processo excludente e predatório da ALCA, que é promovida pelos EUA, e a ALBA, que é uma aliança visando não somente o desenvolvimento do aspecto econômico, mas um projeto de aumento da participação das nações da região em um outro tipo de trocas comerciais que não sejam somente o lucro privado, mas uma luta contra o projeto de globalização neoliberal proposto pelos impérios do norte, como o dos EUA e da União Européia.

    O jornalista e diretor da Telesur, Beto Almeida, defendeu a aliança da América Latina através dos meios de comunicação. “A iniciativa da Telesur é estratégica para mostrar ao povo latino-americano a produção audiovisual dos países do continente, pois nas grandes redes de televisão, mais de 70% dos filmes são produções norte-americanas e as obras dos produtores de língua espanhola são marginalizadas, embora a produção destes seja de grande qualidade em sua maioria. A Telesur veio com o intuito de, como diz na sua vinheta, olhar o mundo com a visão do sul para tentar lutar contra os oligopólios transnacionais que fazem o discurso do pensamento único. Apesar de tentar disputar o mercado da América Latina com outros gigantes da mídia, o custo desta iniciativa não é tão grande, pois também é usado o mercado consumidor de língua espanhola para veicular um produto que é raro no mundo, que é a informação de qualidade e de credibilidade”.

No último dia da Convenção foram discutidos nos quatro grupos de trabalho a solidariedade a Cuba e a questão da não aceitação, pelas escolas brasileiras, dos diplomas de estudantes formados em Cuba. Foram três grupos sobre a solidariedade a Cuba e um que discutiu a questão dos diplomas.

    A solidariedade a Cuba foi defendida nas discussões entre os membros do Grupo de Trabalho que propuseram a troca de informações entre os interessados na luta pela libertação dos cinco heróis e em uma agenda de protestos, em nível nacional, para lutar contra a prisão dos cinco militantes cubanos encarcerados desde 1998 nos EUA. Para outubro deste ano, ficou acertada uma jornada em todo o país no mês do aniversário da queda de Che Guevara em combate para exigir a libertação dos cinco prisioneiros do império dos EUA. A ameaça de invasão a Cuba pelos EUA também foi levantada nos Grupos de Trabalho e a criação de brigadas de apoio à revolução cubana será uma das prioridades das resoluções, mas este apoio se dará em cada país e não no envio de guarnições militares ao território cubano, pois por ser uma ilha, esta seria facilmente cercada, mas na realidade nunca vencida pelo império norte-americano, como afirmam as autoridades de Cuba na XV Convenção.


JCFL