Os primeiros sintomas do governo de Yeda no Rio Grande do Sul.

Como já foi mencionado em edição anterior, a última eleição para o estado do Rio Grande do Sul teve como pauta principal a solução da crise financeira onde se encontra o estado atualmente.

Os primeiros sintomas do governo de Yeda no Rio Grande do Sul.


    Como já foi mencionado em edição anterior, a última eleição para o estado do Rio Grande do Sul teve como pauta principal a solução da crise financeira onde se encontra o estado atualmente. Para conter este problema foi criado antes das eleições o Pacto pelo Rio Grande que procura solucionar, até 2020, os problemas estruturais do estado, principalmente os financeiros. A mídia burguesa saudou com aplausos e sorrisos a capacidade da administração de Yeda reduzir em apenas dois meses o déficit do estado em 400 milhões de reais (déficit que se encontrava em 2.4 bilhões de reais). O plano da administração do estado é reduzir mais 1 bilhão até 2008. Porém, é preciso ficar atento a respeito das razões que permitiram tal fato, a primeira vista surpreendente, ocorrer. A redução do déficit não ocorreu por milagre. Ela se deve a inúmeros cortes nos recursos enviados pelo estado a diversos programas e ao próprio corpo administrativo do aparelho estatal.

A redução nos gastos do estado, vinda do gabinete da governadora e sua equipe financeira repercutem negativamente no corpo administrativo do estado e obviamente na população gaúcha. As Secretarias do estado admitem dificuldade de gerenciamento nos vários setores pelo qual são responsáveis devido à redução em 30% do orçamento. Hoje o estado do Rio Grande do Sul conta com 14 obras paralisadas e 7 em processo semelhante devido à falta de envio dos recursos para as obras. A maioria dessas obras diz respeito à recuperação de escolas estaduais. O sindicato da Indústria da Construção Civil no RS diz que 2 mil trabalhadores estão em processo de demissão e que este número poderá aumentar. O sindicato também salienta que parte destes recursos, que deveriam ser destinados às obras, são de origem federal, porém, mesmo assim, não são repassados.

Para tornar a situação mais grave, 180 mil alunos da rede estadual não puderam comparecer às escolas onde estudam devido à falta de verbas para o transporte escolar. A Federação das Associações dos Municípios do RS dispõem de 60 milhões para ajudar o estado com as verbas do transporte. Dessa forma caberia ao estado pagar os 80 milhões restantes para saldar os 140 milhões de reais necessários para sanar este problema. Yeda se dispôs a pagar somente 33 milhões e o mais cínico deste caso foi a atitude tomada por ela de solicitar a Procuradoria Geral do Estado que cassasse as liminares concedias à Defensoria Pública em favor dos municípios. Esse é o novo jeito de governar que ela dizia portar consigo? Somado a isso, faltam professores (entre 300 e 400) na rede estadual. Isso deixa a situação da educação bastante grave no Rio Grande do Sul.

A governadora Yeda também está tomada pela febre de combate a violência. Típico de toda mídia burguesa e reacionária e boa parte de nossos políticos conservadores, as soluções propostas para solucionar este problema são oriundas de uma análise rasa e superficial. A prova disso no caso de Yeda é ela tratar o problema da violência como questão de saúde (sic!). O programa de prevenção da violência no Rio Grande do Sul será coordenado pela Secretaria Estadual da Saúde! Porque Yeda não combate a violência diminuindo seu descaso com a população?

Porque não dá ouvidos à comunidade indígena Guarita que bloqueou a RS 330 para pressionar o estado por mais recursos para a educação e a saúde, assim como para cobrar os recursos prometidos pela Secretaria da Saúde (vejam justamente quem), que não estão sendo repassados? Ou da Federação dos Trabalhadores Agrícolas da Cultura Familiar que protestam contra o não cumprimento do programa Habitacional que prevê repasse de 1.500 reais por casa construída? Ou pior ainda, aos idosos que sofrem com a falta de remédios para a Osteoporose na Farmácia do estado, que também não tem remédios para portadores de Parkinson e alguns remédios para os portadores do HIV? Porque ela não foi conversar com as 80 famílias de sem-teto que ocuparam um terreno no bairro Velinho em Passo Fundo, que pediam por mais amparo? Será que ela vai fazer como de costume, mandar a polícia em cima? Por acaso essas pessoas que protestam por direitos são violentas? Ou melhor, são doentes, para entrar em sintonia com o modo como Yeda entende o problema da violência?

O leitor deve ter conhecimento que a equipe financeira da administração do Governo considera a diminuição do déficit um sucesso devido ao corte de recursos em setores “supérfluos”. É muito descaso com a população considerar supérfluo os recursos destinados aos remédios, ao transporte dos alunos da rede pública estadual, entre outros citados acima.

Quando da inauguração do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Souza Cruz, empresa que faz parte da British American Tobacco que pretende aumentar seus lucros através do vício no cigarro, Yeda estava lá. Quando é para receber empresas fabricantes de celulose que inundam os pampas gaúchos de Eucaliptos (árvore que consome enorme quantidade de água por dia quando adulta), drenando o aqüífero guarani e as nascentes dos rios, Yeda é a primeira a aparecer. Assim como para atender os interesses dos latifundiários chorões. Enfim, ela governa para o interesse da burguesia e não para a população trabalhadora e desempregada.

Yeda é uma farsa, como todo o modelo neoliberal e conseqüentemente o Pacto Pelo Rio Grande que ela representa aqui no estado. Infelizmente, esta matéria da conta dos dois primeiros meses de sua administração: imaginem o que o Rio Grande do Sul espera em 4 anos.

André Cardoso Leone - Porto Alegre/RS