Bush tenta recuperar influncia na AL

O governo George W. Bush iniciou uma série de visitas a países da América Latina: Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, o que representa iniciativa única da diplomacia destes governantes ao continente.

Governo Bush tenta recuperar influência na América Latina em clima de confronto de classes


    O governo George W. Bush iniciou uma série de visitas a países da América Latina: Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México, o que representa iniciativa única da diplomacia destes governantes ao continente. Esta ofensiva diplomática tem forte objetivo político, já que visa isolar as nações com governos antiimperialistas e contrários à política econômica dos EUA, o neoliberalismo, principalmente a Venezuela Bolivariana, a Bolívia e, em especial, Cuba Socialista, que sofre o bloqueio econômico há mais de 50 anos, por parte das potências imperialistas.

Para alcançar seus objetivos, o governo dos EUA promete algumas concessões a estes países de caráter econômico e social, porém, quase nada foi concretizado, o que demonstra a permanência da velha política da “América para os americanos (no caso, estadunidenses)”.

Os exemplos mais marcantes desta afirmação são o Brasil e o México. O primeiro país pretendia fechar negócio com o biocombustível derivado da cana-de-açúcar para conseguir melhores preços, parceria de produção, fim da ajuda financeira aos produtores daquele país com taxas de importação pagas pelos exportadores estrangeiros, mas nada foi concretizado por acordos bilaterais. O México, por seu turno, reivindica a derrubada do “muro da vergonha”, entre este país e o estado do Texas, principalmente nas zonas de fronteira, tendo os EUA a justificativa de assim impedir a entrada de emigrantes clandestinos, muitos, inclusive, são mortos nas precárias travessias por atiradores de elite das forças de repressão estadunidenses, também nada concretizou-se nesta questão.

O giro de Bush pela Nossa América abre um risco mais sério ao continente. Com sua política de divisão entre as nações, acentuada pela aproximação solidária entre Fidel Castro e Hugo Chávez, cria a possibilidade de retomada da influência das classes dominantes nestes países subservientes aos EUA, o recrudescimento da política neoliberal, com as oligarquias financeiras internas criando blocos de países associados ao imperialismo norte-americano, a reativação do Plano Colômbia e das estratégias militares.

A série de viagens realizada por Hugo Chávez, visitando países irmãos como Argentina, Bolívia, Equador e Nicarágua, representou uma forte contra-tendência às aspirações estadunidenses. Foi sempre bem recebido pelas autoridades governantes dos países amigos e, outrossim, pelas classes proletárias do campo e da cidade, realizou grandes manifestações como o comício em estádio de futebol na Argentina, arrastando mais de 50 mil manifestantes, além de tabular acordos concretos de caráter bilateral no campo da energia, agricultura e ajuda ao desenvolvimento e denunciando os interesses dos EUA sobre a nossa região, realizando assim o isolamento das oligarquias financeiras, o fortalecimento dos governos de esquerda em Nossa América e a intenção de transformar a produção da cana-de-açúcar em produto de commodities, o que o tornaria mais caro e impossível para o consumo popular.

Chávez atua no sentido de fortalecer uma nova correlação de forças. Sua aliança com Cuba Socialista, suas relações com a Argentina, forte economia da América do Sul, com a Bolívia e o Equador, que representam herança viva de nossa história antes e depois da invasão dos europeus, como as populações indígenas e negras, o fortalecimento das ligações com a Nicarágua, que pode vir a ser um forte pólo da política antiimperialista na América Central, cria possibilidades de um combate de classes, com grande componente popular.

Além disso, a visita dos EUA mobilizou mais forças de repressão para lutar contra o proletariado em todos os países por onde passou, inclusive o Brasil. Porém, declarações do representante da Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar do Estado de São Paulo, demonstram o interesse em manter as negociações iniciadas, além de constatar a manutenção da oligarquia paulista no sentido do retorno ao neoliberalismo e para isso realizando uma intensa campanha para levar setores da base governista do governo Lula para posições direitistas. Por isso, em países como o Brasil, que demonstramos em artigos e editoriais de INVERTA o seu forte caráter de dubiedade, o combate das classes exploradas, em particular, a classe operária, precisa ser mantido de todas as formas.


Haroldo de Moura