Protesto contra Bush e o Dia Internacional da Mulher

Todos os anos, organizações de mulheres, reúnem-se em São Paulo num grande ato para denunciar as diversas formas de opressão sofridas pelas mulheres da classe trabalhadora. Suas bandeiras vão desde a luta pala legalização do aborto, pela autonomia, até denúncias contra a OMC e ao Banco Mundial.

Protesto contra Bush e o Dia Internacional da Mulher


    “Não precisam se preocupar, estes policiais ficarão aqui para proteger vocês”. Esta frase foi dita por um sargento da PM a uma militante da Marcha Mundial de Mulheres que não quis se identificar. “Estávamos à frente da Marcha, ocupando apenas uma das pistas da Avenida Paulista quando o sargento nos falou isso”. Todos os anos, organizações de mulheres, reúnem-se em São Paulo num grande ato para denunciar as diversas formas de opressão sofridas pelas mulheres da classe trabalhadora. Suas bandeiras vão desde a luta pala legalização do aborto, pela autonomia, até denúncias contra a OMC e ao Banco Mundial.

    O 8 de março, Dia Internacional da Mulher, contou este ano com a vinda de Bush ao Brasil. Desta forma, diversas organizações, não apenas as de caráter feminista, juntaram-se para organizar o ato, que contou com aproximadamente 15 mil pessoas. O acordo foi o de que as mulheres, com suas reivindicações e bandeiras, sairiam à frente da marcha e nos carros de som, apenas as militantes mulheres, independente da organização, falariam. Isto para dar visibilidade, não apenas às denúncias a Bush, mas também às mulheres. De certa forma, este acordo foi respeitado. Infelizmente, aqueles mesmos policiais que se colocaram a frente para “defender” as manifestantes usaram de violência logo em seguida, para tentar, em vão, desbloquear uma das pistas.

    Como todos os anos, as mulheres levam seus filhos e filhas e senhoras camponesas e cadeirantes -mulheres que andam em cadeiras de rodas -, que participam ativamente da construção do ato. Muitas delas se machucaram. Algumas nem se quer podiam correr. Crianças tinham seus olhos inchados devido ao gás lacrimogêneo e ao spray de pimenta. Algumas choravam. Com a quantidade de manifestantes na Avenida Paulista e o trânsito praticamente bloqueado, a polícia militar e sua tropa de choque usaram toda sua truculência para reprimir os/as manifestantes. Policiais utilizaram inconseqüentemente de armas calibre 12 mm com balas de borracha e cacetetes, deixando vários/as feridos.

    O Dia Internacional da Mulher parece ter ficado em segundo plano. Na grande mídia o que apareceu foram apenas as acusações de badernas, como sempre o fazem. Entre a esquerda? Esta também deixou de lado este Dia.

    Qual o problema? Afinal, a vinda de Bush não seria uma afronta a todos os trabalhadores, independente do sexo? Sim. No entanto, sabemos que homens e mulheres não são iguais. Não possuem os mesmos direitos. A mulher da classe trabalhadora não é explorada da mesma forma que o homem. Levantar bandeiras feministas não é deixar de lado a luta contra o imperialismo. Ao contrário. Dentro dos moldes capitalistas não haverá espaço para a igualdade entre os sexos.

    Na América Latina existe uma forte organização de mulheres que atenta para este fato, que se coloca contra a realização da ALCA, por exemplo. Desta forma, atentar para as questões das mulheres não é, de forma alguma esquecer do todo, esquecer da luta pelo socialismo. É, ao contrário, colocar como pressuposto esta luta. Esquecer do Dia Internacional da Mulher é esquecer da luta da mulher contra a opressão, da luta das mulheres socialistas, contra o capitalismo.

Teresa Maria