Sartre mostra a hipocrisia da sociedade norte-americana

A Casa da Gávea apresentou no dia 19 de março, a leitura dramática de “A Prostituta Respeitosa”, texto do dramaturgo e filósofo, Jean Paul Sartre, sobre o racismo nos EUA, escrita em 1946.

Sartre mostra a hipocrisia da sociedade norte-americana


    A Casa da Gávea apresentou no dia 19 de março, a leitura dramática de “A Prostituta Respeitosa”, texto do dramaturgo e filósofo, Jean Paul Sartre, sobre o racismo nos EUA, escrita em 1946. No elenco os atores Camilo Bevilacqua, Eliete Cigaarini, Roberto Pirillo, João Vitti e Rocco Pitanga. A forma como a obra foi apresentada é muito interessante para que o público fique atento a todas as cenas, que tem um conteúdo emocional muito grande. A história se passa no sul dos Estados Unidos, onde o preconceito racial é muito arraigado à cultura local. Na trama há uma caça a dois homens negros acusados de terem cometido um estupro. A vítima é uma prostituta, que a polícia acredita ter sido estuprada por eles; embora ela até determinado momento tenha afirmado que não foi isso que aconteceu de verdade, acusando um empresário branco de ter cometido o delito, posteriormente é pressionada pela família do criminoso a testemunhar o contrário.

    O início da trama é quando a prostituta recebe o irmão do acusado de ter atirado em um negro e este mostra todo o seu preconceito racial, falando o que pensa dos negros como sub-raça, e sexual humilhando-a, chamando-na de demônio. O orgulho da supremacia branca é estampado no papel do cliente da prostituta, que fala que seus ascendentes foram pioneiros na construção da história dos EUA e que por isso não podem ser condenados por um crime contra um negro. No texto de Sartre, o aristocrata sulista tenta subornar a garota de programa com alguns dólares, mas esta se recusa a testemunhar contra o negro.

    No meio da trama um dos membros da família poderosa da cidade, um senador, faz todo um palavreado para tentar convencer a prostituta. O desfecho mostra como Jean Paul Sartre põe a nu, com sarcasmo e ironia, a realidade de preconceito e hipocrisia da sociedade norte-americana que defende valores atrasados e racistas no país e em outras partes do mundo, valores estes que sempre procuram, entre outras coisas, acirrar as diferenças entre grupos étnicos, e que estão contidos no nascedouro da maneira norte-americana de viver e que não são exemplos para nenhum país do mundo, como ficou claro na trama idealizada por Sartre.

    Camilo Bevilacqua é o narrador principal da peça, ao lado de Roberto Pirillo, que faz o senador. Rocco Pitanga faz um dos acusados, e Eliete, no papel-título. Ótimo texto, elenco de primeira e entrada franca.

Bento Pereira