Camilo Bevilácqua a 100%

Nesta edição breve entrevista com o ator e diretor Camilo Bevilácqua, a quem já entrevistamos em 1995. Nessa conversa informal falamos um pouco sobre seus recentes trabalhos, entre eles o filme Anita - Amor e Estória, sobre a vida de Anita Garibaldi e direção de Aurélio Grimaldi; e “Zuzu Angel”, dirigido por Sérgio Rezende, que também o dirigiu em “Lamarca”, em 1994.

Camilo Bevilácqua a 100%


    Nesta edição breve entrevista com o ator e diretor Camilo Bevilácqua, a quem já entrevistamos em 1995. Nessa conversa informal falamos um pouco sobre seus recentes trabalhos, entre eles o filme Anita - Amor e Estória, sobre a vida de Anita Garibaldi e direção de Aurélio Grimaldi; e “Zuzu Angel”, dirigido por Sérgio Rezende, que também o dirigiu em “Lamarca”, em 1994. Camilo Bevilácqua faz parte do elenco de “Brasília 18%, de Nelson Pereira dos Santos, sobre um crime aparente passional, mas que esconde uma faceta do perigoso jogo político em Brasília”. Sua personagem é Ruy Barbosa, um advogado que defende o principal suspeito do crime.

Sua carreira artística é longa e repleta de trabalhos que o dignificam como profissional. Camilo Bevilácqua é um batalhador pelo direito de viver de sua arte, apaixonado pelo cinema, o que é inegável, e pelo nacional, mas ainda, sua presença nas películas é sempre garantia de um trabalho sério e de alto nível, o que mantém nas minisséries e novelas em que trabalha. Atualmente está em “Alta Estação”, novela da Rede Record de Televisão.



I - "Brasília 18%" de Nelson Pereira dos Santos. Fale um pouco sobre o filme e sua personagem.

CB - Um médico legista conceituado, Olavo Bilac (Carlos Alberto Riccelli), é chamado para opinar sobre uma ossada encontrada, que pode ser de uma jovem economista desaparecida há meses, possivelmente foi morta por seu namorado, o cineasta Augusto dos Anjos (Michel Melamed), que foi a última pessoa a vê-la antes de seu desaparecimento. Entretanto, há interesses para que Augusto permaneça na cadeia, devido a acusações por ele feitas a políticos. Dirigido por Nélson Pereira dos Santos (Vidas Secas). O título Brasília 18% é uma referência à baixa taxa de umidade da cidade e também ao número de filmes de ficção feitos pelo diretor Nélson Pereira dos Santos. Minha personagem leva o nome de Ruy Barbosa, um advogado que defende o principal suspeito do assassinato da jovem.


I - Após o filme do Nelson, você fez outros trabalhos no cinema. Fale um pouco sobre isso e sobre o "Vida de Menina". Como foi esse trabalho?

CB - Depois desse fiz ainda “Vestido de Noiva”, dirigido por Jofre Rodrigues; “O Cobrador”, dirigido por Paul Leduc, onde também faço assistência de direção; “Os Desafinados”, sob a direção de Walter Lima Jr., onde faço preparação de atores; “Zuzu Angel”, de Sérgio Rezende; e Anita, Amores&Histórias, uma produção Ítalo- Brasileira, sobre Anita Garibaldi filmado em Laguna - Santa Catarina.

O filme “Vida de Menina” foi um trabalho maravilhoso, dirigido com muita sensibilidade por Helena Solberg. Esse trabalho participou do Festival de Gramado em 2004, levando os seguintes prêmios: Melhor Filme: Júri Oficial; Melhor Filme: Júri Popular; Melhor Fotografia; Melhor Direção de Arte; Melhor Música e Melhor Roteiro. E no Festival do Rio 2004, também foi premiado com Melhor Filme: Júri Popular. Minha personagem é Tio Geraldo, o principal antagonista de Helena, símbolo da dominação dos parentes ricos, alvo da inveja e cobiça da jovem e oprimida Helena, interpretada pela atriz Ludmila Dayer.


I - Como está atualmente o Cinema Nacional, quais os principais avanços que ele conseguiu nesses últimos anos?

CB - Apesar dos pesares, acho que o cinema nacional está indo bem, mas ainda falta descobrir novas maneiras de patrocínio, mais democráticas. Os avanços foram na maioria técnicos, neste ponto o cinema nacional cresceu muito. O que nos falta mesmo, na minha opinião, são bons roteiros.


I - A distribuição interna dos nossos filmes e a "concorrência" com os enlatados podem ser considerados como um problema para a produção nacional? Como funciona essa máquina?

CB - Este é o maior problema do cinema nacional, a grande concorrência, principalmente com o cinema americano, é injusta e selvagem. Como funciona a máquina? Ah! Gostaria tanto de saber. Se soubéssemos talvez as coisas seriam mais simples.


I - Você participa de muitas minisséries e novelas. Algumas emissoras estão reativando o setor de dramaturgia. Como você vê essa iniciativa e o que ela representa em termos de postos de trabalho para a classe artística?

CB - Acho que o nosso grande trunfo em médio prazo são as minisséries. São mais elaboradas, mais bem produzidas por serem uma obra fechada. Tem-se feito muitas excelentes minisséries nos últimos tempos e são muito bem aceitas lá fora. Atualmente estou na TV Record participando da Novela Alta Estação, que vai ao ar às 18:10h. E os diretores da TV também estão pensando em começar a produzir minisséries, fico torcendo para que isso aconteça o mais rápido possível. O mercado de trabalho se aqueceu muito com a transferência da Record aqui para o Rio. Tanto na parte técnica como na artística.


I - Recentemente estreou nos EUA o filme "turistas", com uma visão preconceituosa sobre o Brasil, e diz que: "Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer!!!". Mais retrato da paranóia norte-americana com os países estrangeiros. Qual sua avaliação sobre isso?

CB - Nossa imagem está muito desgastada no exterior, ainda mais agora com os assassinatos dos franceses, foram quatro em um mês, um absurdo. Fora os outros crimes contra nós, os brasileiros. E a imprensa divulga, e muito este tipo de coisa. Não vi o filme, e também não me interessa nem um pouco ver este tipo de visão que os gringos têm de nós. Adorei o filme da Lúcia Murat, “O Olhar Estrangeiro” (2005), que discute exatamente sobre este olhar (ridículo) que “eles” têm sobre nós.


I - Como está o seu trabalho no Teatro?

CB - Infelizmente é muito difícil conciliar teatro com TV. Já recusei três convites para peças este ano. É duro, mas é a realidade.


I - Camilo, deixa uma mensagem para os leitores de INVERTA e apreciadores do seu Trabalho.

CB - Só tenho que agradecer a todos que apreciam o meu trabalho, e já há tanto tempo, desde 1968. Nossa até eu me assustei agora. É muito tempo, mas estou conseguindo sobreviver do que mais amo fazer, sou um artista, e vivo da arte. E um grande abraço a todos e até breve.


Filmografia recente

2006 Anita - Amor e Estória - direção: Aurélio Grimaldi

2006 Zuzu Angel (filme) - direção: Sérgio Rezende

2005 Brasília Dezoito por Cento - direção: Nelson Pereira dos Santos

2005 Os Desafinados - direção: Walter Lima Jr. (Preparação de Atores)

2005 O Cobrador - direção: Paul Leduc (Assistente de direção)

2004 Vestido de Noiva - direção: Jofre Rodrigues

2003 Minha Vida de Menina - direção: Helena Solberg

2003 Dia de Pagamento (curta-metragem) - direção: Tatiana Fragoso

2002 Lara - direção: Ana Maria Magalhães

2002 Tudo Dominado (curta-metragem) - direção: Bruno Viana

2002 Carro Forte (curta-metragem) - direção: Mário Diamante

2001: Rua Alguém 5555 - direção: Egídio Eronico

2001 Filho Predileto - direção: Walter Lima jr.

2001 Negócio Fechado (curta-metragem) - direção: Rodrigo Costa

2000 Histórias de Olhar - direção: Isa Albuquerque

1999 Quase Nada - direção: Sérgio Rezende

1999 O Barão do Cerro Azul - direção: Paulo Moreli

1998 O Xangô de Baker Street - direção: Miguel Faria Jr.

1997 A Terceira Morte de Joaquim Bolívar - direção: Flávio Cândido

1996 Guerra de Canudos - direção: Sérgio Resende

1993 Lamarca - direção: Sérgio Resende

1987 O Último Tiro - direção: Walter Salles Jr.

1986 O País dos Tenentes - direção: João Batista de Andrade

1979 República dos Assassinos - direção: Miguel Faria Jr.


Prêmios

2002 - Best Supporting Actorn - 6th Brazilian Film Festival of Miami Negócio Fechado

2000 - Prêmio Melhor Ator Coadjuvante - XI Festival de Cinema de Natal (Quase Nada)

1986 - Prêmio Ibeu de Teatro - peça "Este Mundo é Um Hospício"

1978 - Primeiro Troféu Grande Otelo - Ator - TVE-Rio

1973 - Melhor Ator - Mostra de Música Teatro e Artes Plásticas da UFRGS


Teatro (miscelânea)

1969 - "Pic-nic no Front" de Fernando Arrabal - direção: Hamilton Braga

1970 - “Não saia da faixa de segurança”, de Carlos Carvalho

1971 - "Hamlet" de W. Shakespeare - direção: Luiz P. Vasconcelos

1972 "O Presente” - direção: Dilmar Messias

1973 "Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues - direção: L.P. Vasconcelos

1974 "Os Malefícios do Fumo", de Anton Tchecov - direção: Camilo Bevilácqua

1975 "Brecht em Câmara", de Bertolt Brecht - direção: Maria H. Dias

1976 "A Lição", de Eugene Lonesco - direção: Cecília Abransen,

"A Noite dos Assassinos", de José Triana - direção: Paulo Albuquerque

1976 "Mockinpott" Peter Weis - direção: José Luiz Gomes Per. Título

1976 "Transe no 18", W. Jansen - direção: Cécil Thirê

1977 “O Doce Passar da Juventude”, de T. Willians - direção: Carlos Kroeber

1978 "A Burguesa Isaura”, de Pedro Porfírio - direção: Clóvis Levi

1979 "Ferocidade" de Ricardo Meireles - direção: Rogério Fróes

1979 "Como Testar a Fidelidade das Mulheres", Autor e Diretor João Bithencourt

1980 "Quem Casa Quer Casa", de Martins Penna - direção: Wolf Maia

1981 "Village", de Ira Evans - direção: Wolf Maia

1982 "Barreado” de Ana Ehsa Gregori - direção: Luiz Mendonça

“Gente Fina é a Mesma Coisa", de Alan Aickeborn - direção: Alexandre Tenório

1983 "Cloud Nine", de Carril Churchil - direção: André Adler

1984 "O Último Tango em Huahatenango", de San Frane. Mime Troup - direção: Márcio Augusto

"O Inocente" de Sérgio Jockyman - direção: Antonio Gighonetto

1985 "O Belo Indiferente", de Jean Cocteau "Pai" de August Strindberg - direção: Cehna Sodré

"Esse Mundo é um Hospício", de Josheph Kessering - direção: Geraldo Queiróz

2004 "Charles Baudelaire - Minha Terrível Paixão"!, de Elisa Lucinda - direção: Luiz A. Pilar

2006 "Cassino Coração" - direção: Marcos Barreto.

Camilo bevilácqua fez as novelas: “Mania de Querer” (1986), “Na Rede das Intrigas” (1991), “Mandacaru” (1997), entre outras. Além disso, fez as seguintes minisséries: “O Quinto dos Infernos” (2002), “A Casa das Sete Mulheres” (2003), “Um Só Coração” (2004), “Mad Maria” (2005) entre outras.


Bianka de Jesus