A sede de lucros do comércio varejista

Sabemos que o lucro do capitalista advém da mais-valia extraída do suor dos operários, que sem saberem o quanto é injusta a troca de sua força de trabalho pelo minguado salário recebido, aumentam mais e mais as riquezas de seus patrões, enquanto lhes cabe apenas o suficiente para não morrerem de fome.

Mas quando pensamos na mais-valia extraída do trabalho assalariado, geralmente nos vem à mente a atividade fabril, a linha de produção.

Porém, como nos relata Engels em “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”, com o processo histórico de divisão do trabalho surgiu em cena um novo elemento: os comerciantes.

Foi nas mãos destes parasitas sociais que o dinheiro consolidou-se cada vez mais como fetiche, subjugando os então produtores. O caminho que trilharam os antigos mercadores assim como os modernos capitalistas do ramo varejista não diferem em gênero, mas em grau, pois a perseguição aos lucros e o acúmulo de riquezas foram e são as metas em ambos os casos.

O poder econômico destas corporações assume proporções colossais, a ponto de tornarem-se monstros, como a estadunidense Wal-Mart, com poder econômico superior à Áustria, Argentina, Colômbia ou Venezuela, ou como a francesa Carrefour, que supera as economias de países como o Chile, Peru, Egito ou Ucrânia. (fontes: Banco Mundial e Revista Forbes, 2005).

Estas corporações com caráter naturalmente predatório vão expandindo seus domínios para muito além das fronteiras de seus países de origem, fincando suas bandeiras principalmente nos países periféricos do capitalismo mundial, onde o que não falta é mão-de-obra barata e potencial mercado consumidor.

Na sua luta para vencer a concorrência global exigem dos fornecedores locais, dos quais são senhores, preços cada vez mais baixos. Além disso, exigem também uma taxa destes para que seus produtos tenham a “honra” de ter um espaço garantido nas prateleiras.

Os fornecedores, para darem conta do recado, exploram ao máximo seus operários, extraindo o máximo de mais-valia possível. O pesado fardo vai para as costas da classe trabalhadora como de costume.

Estes hipermercados. O dinheiro extorquido dos operários, do fornecedor soma-se ao ganho com a revenda das mercadorias, fazendo com que o “nobre varejista” obtenha uma orgia de lucros.

A suíça Nestlé, por exemplo, para fabricação de chocolate extrai cacau, principalmente da Costa do Marfim, fornecedora de 40% do cacau do mundo, valendo-se do trabalho de mais de 100 mil crianças sob regime escravo.

O mesmo ocorre com a estadunidense Coca-Cola, que abusa dos direitos dos trabalhadores e exercem uma repressão fascista em diversos países, como México, Colômbia e Turquia.

O chocolate e o refrigerante comercializados pelos hipermercados globais têm preços reduzidos em grande parte graças ao trabalho forçado de crianças africanas e ao sangue derramado nos ataques paramilitares contra operários.

Ao sabermos disto, seria ainda o sabor deste chocolate ou deste refrigerante ainda tão doce?

O fardo do trabalhador não acaba aí, pois a vida dele não é diferente nas dependências do próprio hipermercado. Por não possuir mão-de-obra especializada, o funcionário se submete a um sem número de chantagens, já que pode ser facilmente substituído, devido a abundancia do “exército de reserva”.

O medo do desemprego o pressiona a trabalhar sempre mais, realizando o trabalho que normalmente seria realizado por três ou quatro pessoas. Muitos ainda, na ânsia por mostrar resultado, registram a saída de jornada no relógio de ponto, mas retornam ao trabalho gerando assim para a empresa mais-valia absoluta.

A empresa, a cada dia que passa, corta cada vez mais cargos e funções, enxugando o já reduzido quadro de funcionários. Nesta luta titânica entre as corporações internacionais do comércio varejista, os pequenos mercadinhos e comércios locais, são atropelados, tornando a falência e a bancarrota inevitáveis, lançando mais pessoas ao desemprego e aumentando a massa de desocupados (“exército de reserva”) que, conseqüentemente, ajuda a forçar a redução dos salários do exército ativo.

O alto índice de desemprego é benéfico para o comércio uma vez que pressionam os salários para níveis mais baixos. Empresas como Casas Bahia, Marabrás etc., que prometem o “paraíso do consumo”, vendem suas mercadorias por meio de prestações aparentemente baixas, mas que possuem embutidos juros extorsivos onde, não raro, ao término dos pagamentos, o valor da mercadoria acaba duplicando de preço.

Os modernos mercadores sabem que a única forma do trabalhador, com seu minguado salário, obter algum bem durável é comprá-lo à prestações e por isso dividem em longínquas prestações, o dobro do que ele supostamente vale.

Grande parte do operariado do comércio pertence à valente gente nordestina, pessoas que em busca de algo melhor migram para as regiões onde a ditadura do capitalismo reivindica como “prósperas”, ocasionando o êxodo que despovoa o nordeste, que sangra essa bela região do país, berço de rica cultura, acirrando a contradição entre campo e cidade como nos ensina o marxismo-leninismo.

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