Eleições majoritárias e o perigo que nos ameaça

Eleições presidenciais 2006 - Disputa entre Lula e Serra, segundo turno

Eleições majoritárias e o perigo que nos ameaça

Por: Haroldo de Moura


O quadro político atual se apresenta de forma ameaçadora aos interesses do proletariado e ao povo pobre, em geral, consoante às nossas análises, principalmente aquelas contidas no Manifesto da Plataforma Comunista e mais recentemente na Carta ao Povo Brasileiro.

A ascensão de Lula, PT e aliados em 2002 representa ao conjunto das massas exploradas uma resposta ao massacre a que eram submetidas em nome da maximização dos lucros dos setores burgueses (capitalistas) e da nova ordem neoliberal.

Porém, dizíamos já nesta ocasião que o governo Lula representaria os interesses dos operários e do povo pobre, em geral, muito mais pelo que não ia fazer do que pelo que faria, em nossos editoriais. A Carta ao Povo Brasileiro, apresentada no III Seminário de luta contra o neoliberalismo, durante as comemorações dos XIV anos do único jornal marxista do país, o Jornal INVERTA, aprofundou a análise do governo Lula, numa perspectiva da luta de classes no capitalismo contemporâneo, e demonstrando o papel do imperialismo na decisão do comando das políticas internas e externas das nações mundiais, utilizando os instrumentos da corrupção, da espionagem e da informação e contra-informação.

Apresentamos em nossos documentos como após o 11 de setembro desenvolveu-se a política antiterror do governo Bush, que representou o incêndio do Reichtag (atentado dos nazistas ao Parlamento alemão para acusar os comunistas e iniciar uma onda repressiva e iniciar a II Guerra Mundial) estadunidense contra os países a que este Estado chamou de países que representavam o Eixo do Mal, como demonstrava, principalmente, a Carta ao Povo Brasileiro.

Tentava desta maneira avançar sobre as regiões com abundantes reservas de petróleo e outros minerais estratégicos, ou posições em nível mundial geoestratégicas com relação à ocupação militar, ou nações que optaram por modos de produção antagônicos ao imperialismo ou francamente socialistas, passava abertamente das posições político-econômicas para as posições político-militares de guerra de rapina e ocupação, desencadeando uma nova onda reacionária em todo o mundo, mas sua estratégia cobrou um preço alto ao se atolar nas cavernas de Tora Bora, no Afeganistão, e no deserto do Iraque, e abriu possibilidades à esquerda na América Latina e Caribe, fortalecendo políticas externas de governos dúbios como o governo Lula, que se afastou do projeto ALCA imperialista, vem fortalecendo o MERCOSUL, avança sobre o diálogo com relação à ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas), responde afirmativamente sobre os projetos de estatização e nacionalização das riquezas da Bolívia de Evo Morales e mantém uma aproximação de interesses positiva com Cuba Socialista, tendo participado do recente encontro, em Havana, dos “Países Não Alinhados”, em sua grande maioria nações emergentes contrárias às políticas dos países centrais imperialistas.

Queremos com isso dizer que o governo Lula, PT e aliados deixaram as convicções neoliberais que mantêm para a política interna?

Absolutamente, porém para a atual correlação de forças de manutenção do mínimo avanço conseguido, representando uma divisão entre as oligarquias burguesas e, principalmente, financeiras, é melhor contar com o que se torna tático e defensivo para a classe operária e o proletariado, em geral, do que uma aventura esquerdista que abra caminho para o preferido do setor da oligarquia, que é mais duro e neonazista, representado por José Serra, que se assenhorou do governo de São Paulo, e Geraldo Alckmin, que manteve as matanças nas favelas paulistas, nas FEBENS, massacrando jovens saídos dos setores proletarizados do estado, e nos presídios, criando inclusive a excrescência da proibição de banho de Sol a presidiários por questão de segurança. Segundo alega em entrevistas, quando a Convenção de Genebra e a Declaração dos Direitos Humanos afirmam que não existe segurança que impeça um ser humano de continuar humano sendo criminoso ou não, e uma sociedade injusta transforma o humano, bárbaro, porém, as prisões não substituem a luta da humanidade pela Liberdade, por isso que por mais cadeias que façam estas mesmas sociedades, as organizações, mesmo que por interesses imediatos e/ou por sobrevivência de homens fora da vida social comum a todos os cidadãos e em especial, o povo do mundo do trabalho, os proletários irão surgir, e explodirão rebeliões como as dos presídios de São Paulo, em especial, e outros estados brasileiros, restando aos fascistas de hoje usar de todos os expedientes para criminalizar os movimentos sociais, organizar as matanças oficiais e não oficiais e a tudo tentar minorar através das políticas compensatórias.

Portanto, temos a convicção que voltaríamos ao alinhamento automático e de subordinação aos interesses do imperialismo ianque (EUA) com uma franca política antagônica aos interesses dos países emergentes e em desenvolvimento asiáticos, africanos e, em especial, aos países latino-americanos como Cuba Socialista, Venezuela Bolivariana e a Bolívia de Evo Morales e do MAS (Movimento ao Socialismo), retornando nosso país a uma posição de subimperialismo, com relação às nações da América do Sul, principalmente.

Tanto FHC, quanto Serra e Alckmin, nos governos federal e do estado de São Paulo, sufocaram os pedidos de CPIs no Congresso Nacional, em nível federal, e na Assembléia Legislativa do estado citado. Só desta maneira não sangram até o final de seus mandatos como Lula e seu governo espionados pela própria polícia que o presidente e seus ministros não conseguem comandar, como demonstra o delegado federal que entregou o segredo do inquérito dos famosos dossiês que os seguranças de esquina, para a campanha da reeleição de Lula, entregaram no diretório do PSDB paulista, e as revistas de informação (o nome já diz tudo) e a mídia burguesa em geral, já no final da campanha do primeiro turno das eleições.

Com isso, criou a possibilidade de um segundo turno de eleições presidenciais, além do tombo de partidos aliados, como por exemplo, no Rio de Janeiro, onde Jandira Feghalli, certa sobre a cadeira que ocuparia no Senado Federal, fez pregações pelo aborto legal e com isso abortou as possibilidades do PCdoB, além de Crivela, que nem mesmo com a aliança do Deus dos católicos (Lula) com o Deus dos evangélicos emplacou para o segundo turno.

As alianças foram iniciadas, o PMDB como sempre jogará para os dois lados, com Michel Temer liderando os setores que jogarão pelo retorno das oligarquias lideradas por Alckmin e os paulistas tradicionais, encastelados no setor neofascista do PSDB, senhores e senhoras como César Maia, Denise Frossard e o ressurgido Garotinho acompanham esta tendência. Deverá ser o caminho de parcelas consideráveis de PTB e PP em todo país, assim como o PFL, principalmente dos setores derrotados nestas eleições, em particular, ACM, na Bahia, onde foi engolido pelo PT.

Tenderá o segundo turno para uma divisão acentuada entre as oligarquias, os partidos institucionais demonstram este fato, associado a isto a posição de buscar a integração aos países latino-americanos e do Caribe, faz de Lula um presidente que caminhará para onde Nossa América pender, pelo menos parcialmente, mas o perigo nos ameaça mais do que nunca.

O quadro eleitoral na Região Sudeste

Diante destas constatações vemos como a oligarquia financeira investe intensivamente nesta região mantendo a hegemonia eleitoral na região, onde o PSDB controla dois estados e mantém alianças com o PMDB para influenciar os dois outros onde é fraca a sua influência (Rio de  Janeiro e Espírito Santo), além de avançarem sobre a região sul do país, onde estão os maiores colégios eleitorais, além de serem as duas regiões que concentram a maior parte do PIB do país, sendo só a sudeste responsável por 70% e concentrar igual porcentagem do proletariado nacional. Poderá ser também um grande responsável pela falência da política econômica do imperialismo o neoliberalismo.

À esquerda institucional cabe agora o papel de não se omitir e impedir que o Brasil seja tomado pelas tropas de choque a serviço da oligarquia financeira internacional e do neonazismo, representadas pelas forças que apóiam Alckmin, PSBD e aliados.



Aos comunistas revolucionários cabe construir uma alternativa para o povo pobre, em geral, e ao proletariado urbano e rural, em particular, que mais do que uma possibilidade eleitoral seja definitiva para a Liberdade das classes produtoras e laboriosas, extinguindo a exploração do homem pelo homem, constituindo o comunismo através da revolução social do proletariado liderada pelo partido da classe operária, conduzindo uma grande frente antineoliberal por intermédio de um grande Congresso de luta contra o Neoliberalismo e pelo socialismo.