Presidente Evo Morales Ayma: “Ninguém deterá a revolução democrática e cultural"

Diante do apoio de milhares de pessoas, em La Paz, o presidente Evo Morales fez um clamoroso chamado aos dirigentes sindicais e dos diferentes setores sociais para que se somem ao processo de mudança, afirmando que ninguém deterá a “revolução democrática e cultural” na Bolívia, a Assembléia Constituinte ou a nacionalização dos recursos naturais.

(Prensa Latina) Diante de milhares de pessoas que se concentraram na Praça dos Heróis, em La Paz, para lhe dar apoio, o presidente da República fez um clamoroso chamado aos dirigentes sindicais dos diferentes setores sociais para que se somem ao processo de mudança. “Já é hora de que todos sejamos instrumentos de libertação e não instrumentos de opressão”, afirmou.
Emocionado e diante de uma multidão na Praça dos Heróis, em La Paz, para dar seu apoio à democracia, o presidente Evo Morales afirmou, em 12/10, que o processo levado adiante pelo seu governo, e que definiu como uma “revolução democrática e cultural”, ninguém o deterá.
“Este processo de mudança não se detém. Tratarão de ofender, de humilhar, de nos parar. Mas quero lhes dizer de verdade: esta revolução democrática e cultural, com o Evo Morales ou sem o Evo Morales vai adiante, ninguém vai parar a mudança na Bolívia”, disse em meio de aplausos e demonstrações de apreço de milhares de pessoas que se concentraram na Praça dos Heróis.
Ninguém vai parar a Assembléia Constituinte nem a nacionalização de nossos recursos naturais, adicionou o presidente Morales, quem fez um clamoroso chamado aos dirigentes dos movimentos sociais a se somarem à mudança.
“Unidos, organizados melhor ainda. Chegou a hora de trocar de verdade a nossa Bolívia. Chegou a hora de viver em igualdade de condições com todos os setores. Já é hora de todos sermos instrumentos de libertação e não instrumentos de opressão”, sustentou.
Depois de uma onda de rumores a respeito da desestabilização da democracia, ações de protesto dos motoristas de La Paz e de uma intensa campanha da mídia contra o Governo, o presidente Morales recebeu um contundente apoio popular que teve como cenário a histórica Praça São Francisco, onde faz um ano iniciou sua campanha eleitoral pedindo o voto dos bolivianos para trocar a Bolívia.
Morales se referiu aos rumores de golpe de estado que vêm de setores conservadores. “Queriam nos amedrontar, nos intimidar, nos derrotar psicologicamente, mas este ato é a mostra da unidade do povo, da gente digna, honesta disposta a recuperar nossos recursos naturais”.
Em seu discurso, o primeiro mandatário indígena agradeceu o voto de quão bolivianos o levaram ao governo “para defender aos povos, às pessoas honestas, aos pobres da Bolívia. Esse apoio sadio, honesto, esse voto digno de todos os bolivianos não foi em vão”, disse para em seguida agradecer também à classe média, intelectuais, setores operários que somam a este processo de mudança.
Em 18 de dezembro de 2005 a vontade popular se expressou nas urnas e 54,7% de bolivianos deu seu voto para que Evo Morales assumisse a condução do país, marcando assim a derrota dos partidos da direita que administraram a coisa pública em mais de 20 anos de democracia.
Em 1995, Evo Morales liderou a organização do instrumento político de libertação, pela dignidade e soberania dos povos. “Esse movimento começou com muita força com a compreensão dos irmãos do campo e da cidade, especialmente em apoio ao movimento camponês indígena da Bolívia”, explicou o chefe de Estado.
O presidente Morales leva adiante um processo de mudança cujo eixo é a recuperação dos recursos naturais e a construção de uma democracia com igualdade de condições para todos, sem exclusões.
“É difícil resolver os problemas do país em oito meses”, voltou a dizer em clara alusão a temas estruturais como a pobreza e o desemprego que nos anos de vigência do modelo neoliberal golpearam à maioria dos bolivianos.