Pandemias, epidemias e endemias: Alguém está lucrando com a situação

O conceito moderno de pandemia é o de uma epidemia de grandes proporções, que se espalha a vários países e a mais de um continente.

Exemplo tantas vezes citado é o da chamada “gripe espanhola”, que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, nos anos de 1918-1919, e que causou a morte de cerca de 20 milhões de pessoas em todo o mundo.

Quase um século depois, o mundo está assolado por pandemias, epidemias (que se caracterizam pela incidência, em curto período de tempo, de grande número de casos de uma doença), endemias (que se traduzem pelo aparecimento de menor número de casos ao longo do tempo).

A guerra é a solução capitalista da crise, na tentativa de ajustar a produção e a queda da taxa de lucro.

Assim também o é a destruição maciça das instalações, dos meios de produção e dos produtos, favorecendo a retomada da produção, e mais que isso, causando a destruição maciça dos homens e eliminando a “superpopulação”.

Par e par às guerras declaradas ou não, milhões de seres humanos, muitos deles crianças, são varridos anualmente do planeta, que se propagam - não pela ordem divina ou demoníaca - mas pela miséria e pela guerra biológica no mundo.

Ficção e realidade se misturam para demonstrar que esta tese, defendida por alguns, não é somente uma teoria da conspiração; o filme “O Jardineiro Fiel”, dirigido por Fernando Meireles, recentemente em cartaz, conta a história de uma jornalista que investiga as experiências de laboratórios estrangeiros com cobaias humanas na África, especificamente no Quênia, ex-colônia inglesa.

Cobaias humanas no Amapá

Em realidade, aqui mesmo no Brasil, no Amapá, várias pessoas foram inoculadas com o vírus da Malária, doença que pode levar à morte, vítimas de experiências farmacêuticas internacionais.

As cobaias deixavam-se picar por vários mosquitos. O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal (CDH), reuniu-se com os ribeirinhos da comunidade de São Raimundo do Pirativa, no Amapá.

Nesse encontro, o senador ouviu da própria comunidade, denúncias de serem utilizados como cobaias humanas, numa pesquisa sobre a malária.

Na comunidade do Pirativa, cinco ribeirinhos - Sidney Picanço, Adelson Pinto, Raimundo Picanço, Francisco Siqueira e Euclides Siqueira - relataram para o senador as experiências vividas por eles, desde 2003, durante a realização da pesquisa “Heterogeneidade de vetores e malária no Brasil”, financiada pela Universidade da Flórida e pelo Instituto Nacional de Saúde - ambos sediados nos Estados Unidos.

Sidney Picanço apresentou ao senador os aparelhos usados por eles, para capturar e alimentar os mosquitos transmissores da malária.

Uma espécie de bomba plástica era utilizada para sugar os mosquitos, e um copo plástico (cheio de anofelinos) com uma tela era colocado sobre o braço ou a perna, para alimentá-los.

Os ribeirinhos confirmaram que, em 2004, cada um deles, alimentou 900 mosquitos com o próprio sangue.

Cristóvam Buarque recebeu das mãos da guarda de endemias da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Rosirene dos Santos, uma planilha com o número de casos de malária das três comunidades, onde era realizada a pesquisa.

De acordo com o documento, todos os ribeirinhos que participaram da pesquisa contraíram a doença.

Dois dias antes da visita do senador, todo o material da pesquisa foi retirado do laboratório construído pelos seus responsáveis.

Parte desse material retirado foi encontrado pela Polícia Federal no centro comunitário de São José do Matapi, local onde os responsáveis pela pesquisa pretendiam levar o projeto.

Para o senador pedetista é bem provável que outras pesquisas semelhantes estejam ocorrendo na Amazônia.

O senador irá apresentar o resultado da visita à CDH, que deve ainda contar com o depoimento do promotor Haroldo Franco.

Em novembro passado, o promotor descobriu as práticas realizadas pelos responsáveis pela pesquisa e decidiu denunciar o projeto.

Para o promotor, não há mais dúvidas de que foram cometidos crimes absurdos, porém, está aguardando, desde novembro, a manifestação do Ministério Público Federal, sobre quem irá fazer a denúncia.

A pandemia da AIDS

Vivemos uma pandemia de AIDS que infecta 40,3 milhões de pessoas em todo o mundo. Em 2005, mais 4,9 milhões foram infectados.

De acordo com a Unaids (órgão vinculado à ONU), só 10% das pessoas que contraíram o HIV fizeram o teste e estão cientes de que são portadoras do vírus.

A grande maioria das pessoas infectadas e mortas (que, desde 1981 somam 25 milhões) encontra-se nas regiões mais empobrecidas e historicamente exploradas pelas potências capitalistas.

Neste cenário, o continente africano é um dos mais afetados. Dos cinco milhões de novos infectados, 3 milhões são africanos, a maioria está concentrada na chamada África Subsaariana (centro e sul do continente), onde o número de infectados é de 25,8 milhões.

Em países como a África do Sul, Moçambique e Botsuana, o índice de soropositivos chega a 40% da população.

A proliferação da Aids atingiu particularmente mais duas regiões do planeta, que não por acaso estão no centro das mazelas do capitalismo: a Ásia e o Leste Europeu, onde a incidência da epidemia é 25 vezes maior do que era há dez anos.

O flagelo na América Latina

Na América Latina, o aumento do número absoluto de casos de Aids registrados em 2005 é o maior de todos os tempos: 200 mil novos casos elevaram o número de soropositivos para 1,8 milhão; 66 mil pessoas morreram; destas, mais de um terço encontra-se no Brasil.

Os países mais atingidos são Guatemala e Honduras, onde 1% da população está contaminada.

Nos EUA, a epidemia se alastra principalmente nas comunidades negra e latina.

A política governamental do Governo Bush diante da epidemia é a prevenção da AIDS através do incentivo da abstinência sexual.

O Plano de Bush para combater o HIV/aids visa basicamente a proteção dos lucros dos laboratórios, visto que, a combinação tripla de anti-retrovirais genéricos em doses fixas é quatro vezes mais barata que os medicamentos de marca, usados individualmente.

Mesmo assim, os EUA tentam impedir países de utilizarem essa importante ferramenta contra a aids, ignorando os padrões de qualidade, definidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Brasil ainda não quebrou patentes

Atualmente, no Brasil, o programa de distribuição gratuita de remédios contra Aids atinge 151 mil pessoas (das cerca de 600 mil que devem estar infectadas), a um custo de R$ 600 milhões por ano, sendo que 80% são gastos com remédios importados.

A quebra de patentes é a principal reivindicação de ativistas do movimento social e entidades, que atuam na prevenção e tratamento do HIV/Aids.

O governo brasileiro, alheio às reivindicações, negociou com os laboratórios a não quebra das patentes dos remédios.

A opção do governo FHC, seguida pelo governo Lula,  foi forçar a queda de preços, de marcas patenteadas, com a ameaça de licenciamento compulsório. Uma medida paliativa que agrava o problema.

A Gripe Aviária

A gripe aviária ou do frango, reapareceu na Coréia do Sul em dezembro de 2003, e desde então, estendeu-se a 16 países, causando a morte de 79 pessoas.

Esta gripe é causada pelo vírus da Influenza A variante H5N1, comum em aves, explica o médico brasileiro Paulo Roberto Post, doutor em microbiologia, no site Brasil Escola.

Segundo ele, o H representa a hemaglutinina, uma das proteínas da superfície do vírus, que ao entrar nas células do hospedeiro determina a infecção, e o N, neuroaminidase, outra proteína.

Nos vírus descritos até hoje, o H vai do 1 ao 15 e o N, do 1 ao 9, com diferentes combinações.

O médico explica que a transmissão da influenza aviária para o homem é esporádica; pode acontecer, mas não é comum.

Diz ainda, que até agora não ficou bem estabelecida a transmissão da variante H5N1 do homem para o homem.

“Até hoje, as pessoas que se contaminaram, trabalhavam com criação de aves, e a transmissão pode ter ocorrido através do meio ambiente, por contato direto com superfícies contaminadas, fezes das aves ou aerosóis”.

As aves são sacrificadas, devido ao risco potencial de se constituir em novo vírus que possa agredir o ser humano e trazer uma epidemia mundial.

Os países mais atingidos pela Gripe aviária estão localizados na Ásia e na Europa.

A China registrou 32 focos da doença em 2005; a Turquia anuncia o 21º caso de gripe aviária em humanos, e coloca o continente europeu em alerta.Um menino indonésio de três anos morreu no dia 17de janeiro, na capital de Jacarta, com sintomas da doença, três dias após a morte da irmã, infectada com a doença.

Outro familiar da criança está internado, e pode vir a ser, até a publicação desta matéria, a 81ª vítima da doença.

Os casos de contágio simultâneo de parentes que vivem na mesma moradia colocaram as autoridades médicas em alerta, por medo da divulgação de que o vírus se transmite de pessoa para pessoa.

Até agora, a cepa vírica H5N1 da gripe aviária, apenas se contagia por contato direto com animais mortos ou doentes.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) adverte que uma mutação pode alterar a forma de transmissão.

O Banco Mundial reivindicou U$1,5 bilhão para lutar contra a gripe aviária nos próximos três anos, durante a conferência de doadores inaugurada em Pequim.

A OMS se defende das acusações da OIE sobre gestão da gripe aviária

A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem se defendendo das acusações da Organização Internacional de Epizootias (OIE) sobre sua gestão, em relação à possibilidade de uma epidemia de gripe aviária:  “A pandemia é muito provável.

Se dizemos muito, nos acusam de alarmistas; se baixamos o tom, nos acusam de não estar realizando nosso trabalho.

É difícil manter o equilíbrio”; disse à EFE Roy Wadia, porta-voz da OMS.

O diretor-geral da OIE, Bernard Vallat, em entrevista ao jornal francês Libération, disse que, a sua mensagem de melhorar os serviços veterinários na Ásia e a ameaça de pandemia humana “não tinha sido compreendida, e a OMS pode ser responsável”.

Vallat acrescentou que a possibilidade de uma pandemia entre humanos, segundo os alertas da OMS, “não tem base científica alguma”.

A pandemia entre humanos “é algo que pode acontecer em dois, cinco ou mais anos. Não sabemos, mas temos que estar preparados para o pior”; acrescentou Wadia.

Bianka de Jesus e Ana Glória Pires