VII Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

Sob o lema “Tendências atuais do capitalismo e seu impacto econômico, social e político - A alternativa dos comunistas”, foi celebrado, de 18 a 20 de novembro, em Atenas, o Sétimo Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários organizado anualmente pelo Partido Comunista Grego (KKE).

O evento reuniu um total de 73 organizações procedentes de 63 países. É o maior número de participantes alcançado até agora.

O fecundo trabalho de organização e o empenho da coordenação do KKE, levaram a que mais partidos irmãos tenham solicitado a participação nas atividades.

É esperado que o expressivo número de participantes da edição de 2005 seja, sem dúvida, superado no futuro.

As delegações internacionais que chegaram à Atenas, um dia antes do início das sessões de trabalho do Encontro, tiveram a oportunidade de participar de uma gigantesca manifestação pelas ruas da capital grega.

A manifestação - que terminou em frente à embaixada ianque - recordou a resistência heróica dos estudantes do Politécnico, em 1973, contra a ditadura militar dos “coronéis negros”.

Sete anos após o golpe militar gestado no Estado Maior da OTAN (com o nome de Prometeu), que levou ao poder a cúpula militar grega, as organizações populares organizaram importantes protestos por todo o país.

Em Atenas, grupos de estudantes conseguiram montar uma rádio e do edifício do Politécnico informavam ao povo sobre as mobilizações de massas.

Foram a KNE (Juventude Comunista Grega) e a Anti-EFEE (União Sindical Anti-ditatorial dos Estudantes) que lideraram esta luta.

Na noite de 17 de novembro de 1973, os tanques atacaram os grupos de estudantes e a Juventude, que organizavam a resistência.

Apesar do levante ter terminado num banho de sangue, a oposição ao regime aumentou. Oito meses depois, a ditadura caiu.

Neste 17 de novembro, dezenas de milhares de pessoas recordaram em Atenas a luta destes camaradas.

As delegações internacionais fizeram um cortejo próprio, cujas faixas diziam: “Lutamos contra o imperialismo e a guerra, pela Paz e o Socialismo”. No dia 18 de novembro começaram as sessões.

Como era esperado, foi a camarada Aleca Papariga, Secretária Geral do KKE, que abriu os trabalhos.

Em sua intervenção, insistiu na relevância que nós comunistas tenhamos uma alternativa clara contra o capitalismo.

Esta alternativa, entende-se, há de ser construída a partir da análise de três elementos fundamentais: a natureza e o caráter atual do imperialismo; o caráter imperialista das uniões interestatais, como por exemplo, a União Européia e outras ainda em gestação; a vigência do Socialismo, o estudo científico sobre as experiências socialistas conhecidas e a discussão teórica das novas experiências.

Cerca de 70 organizações fizeram uso da palavra entre os dias 18 e 19, o que foi possível através de um esforço organizativo e de distribuição rigorosa do tempo.

Embora algumas organizações tenham se centrado em experiências mais concretas de luta de determinados estados e o papel que o movimento comunista está jogando nelas, a maioria dos delegados(as) apresentou uma análise da atual fase do desenvolvimento do capitalismo.

A agressividade e a barbárie imperialistas foram elementos comuns, que todos os partidos presentes destacaram como elementos que distinguem o mundo globalizado atual.

Um número importante de organizações destacou, em suas intervenções, a importância da reivindicação do Socialismo como única alternativa possível para a humanidade.

Para alcançar este objetivo comum, alguns partidos irmãos (entre eles o KKE) realizaram propostas concretas de coordenação e trabalho das organizações comunistas. Foram estas as propostas de trabalho que ocuparam a manhã do dia 20.

O fortalecimento deste tipo de Encontro e a celebração de sua edição, no ano de 2006, foram analisados em primeiro lugar.

O grupo de trabalho que no ano passado concordou em dar um caráter mais coletivo na organização foi mantido, ainda que sua composição possa variar de acordo com as necessidades (além do mais, suas sessões são abertas).

Em 2006, o Partido Comunista de Portugal (PCP) assumirá a organização do Encontro.

Também nesta sessão do dia 20, foram analisadas as propostas de incorporação de novos partidos para o Encontro de 2006.

Várias intervenções insistiram na importância de ampliar a presença de organizações africanas e latino-americanas que, até agora, são as que tiveram menor participação.

O reforço do fundo de solidariedade prometido no ano passado poderá ajudar a alcançar esse objetivo.

No comunicado de imprensa, redigido para divulgar nos meios de comunicação gregos as conclusões do encontro, entraram propostas concretas da camarada Papariga e de outras organizações.

No total, foram quatorze linhas de intervenção comum, sobre as quais organizações comunistas e operárias participantes do Encontro comprometeram-se a trabalhar de forma coordenada: uma campanha pela libertação dos cinco patriotas cubanos (que pode incluir o envio de uma delegação de parlamentares, sindicalistas e outras personalidades para visitá-los nos cárceres norte-americanos); o envio de brigadas de solidariedade internacional a Cuba e à Venezuela, e a intensificação do apoio às iniciativas contra a ALCA, pela extradição de Posada Carriles etc...; uma campanha comum contra a resolução anticomunista do Conselho da Europa; uma campanha no ano de 2007 sobre a vigência do socialismo na ocasião do nonagésimo aniversário da revolução de outubro; uma campanha unitária para o Primeiro de Maio (contra a pobreza, o desemprego, as demissões em massa); um encontro de educadores e educadoras comunistas de países europeus sobre impacto na educação da reestruturação capitalista e a estratégia de Lisboa; uma campanha européia contra as medidas anti-terroristas da União Européia durante a Cúpula da União Européia a ser realizada neste país); a discussão sistemática de temas relacionados com a perseguição e repressão de partidos comunistas e outras forças antiimperialistas (criação de um grupo de trabalho sobre este tema); apoio ativo aos encontros regionais dos Partidos Comunistas; apoio à iniciativa do PCP sobre os acontecimentos na União Européia em março de 2006; encontro dos Partidos Comunistas balcânicos e de movimentos contra a guerra, contra as mudanças fronteiriças e as intervenções imperialistas da OTAN, dos EUA e da União Européia; campanhas unitárias contra a OTAN e as bases militares (apoio ao Partido Comunista do Canadá em Vancouver, em junho de 2006; solidariedade com a RPD da Coréia, que enfrenta um bloqueio dos EUA e ameaças imperialistas, assim como outros povos do mundo que sofrem agressões imperialistas; intensificação da solidariedade para com os partidos comunistas e forças progressistas africanas (apoiar propostas de encontros e debates na região); e, por último, envio de uma delegação comum de solidariedade, de representantes de nossos partidos ao Líbano, Síria, Palestina e Israel, assim como atividades de solidariedade com a luta do povo palestino.

Por último, importantíssimos avanços na coordenação do trabalho das forças comunistas e ânimos renovados na intensificação de nossos necessários esforços comuns.

A evolução em pouco tempo desses encontros, permite imaginar que o futuro nos reserva importantes avanços na coordenação do movimento comunista e revolucionário mundial.

Diana Bazo

Jornal Unidade e Luta, dezembro de 2005

Órgão Oficial do Partido Comunista dos Povos da Espanha (PCPE)