A vez do roubo dos fundos de pensão

 

Com o aprofundamento da crise política em que está mergulhado o país, a podridão dos métodos “republicanos” e “não republicanos” das oligarquias dominantes estão vindo à tona.

Já está claro que todas as matérias de alguma relevância econômico-social aprovadas no Parlamento burguês eram e são precedidas de vultuosos pagamentos de subornos (o chamado “mensalão”).

O pagamento determina qual a fração dos magnatas burgueses que será beneficiado e ficará mais rico: banqueiros, empresários, grandes comerciantes ou latifundiários.

O mesmo se passa no Executivo, onde tanto a política macroeconômica, como os contratos e “parcerias” do governo definem qual é a fração dos donos de capital que será beneficiada e enriquecerá fraudulosamente com as obras, taxa de juros e pagamentos de dívidas.

Como uma mão lava a outra, uma parte retorna ao benfeitor da máquina pública sob a forma de propinas em contas nos paraísos fiscais ou caixa dois.

A política neoliberal corrompeu até a última entranha da vida econômico-social; assim as oligarquias dominantes ganham mais dinheiro. Atrás desta política estão os grandes bancos e monopólios.

O maior finan-ciador das empresas de fachada de Marcos Valério de Souza, responsável pelo pagamento de subornos e formação de caixa dois de parlamentares e membros do governo Lula (PT) e Eduardo Azeredo (PSDB), foi o mega especulador Daniel Dantas, dono do banco Opportunity (nome bastante sugestivo).

O banqueiro, além de outros milionários contratos de outros bancos e empresas,  injetou mais de R$ 150 milhões nas contas do “vale-rioduto” como ponte para a defesa de seus interesses junto ao governo Lula.

Para camuflar o esquema de suborno, os bancos Rural e BMG forjavam empréstimos ao lobista.

Apesar do grosso da roubalheira estar em torno dos grandes bancos e empresas, cuja luta provocaram a crise, o foco das CPI’s (Comissão Parlamentar de Inquéritos) foi redirecionado primeiramente sobre as empresas estatais que sobreviveram a onda de sucateamento e privatização do governo FHC (Caixa Econômica Federal, Correios, Petrobrás).

Agora, mudou seu tiroteio sobre os fundos de pensão, o maior objeto de desejo dos grandes banqueiros uma vez que administram recursos da ordem de 300 bilhões de reais.

Os bancos já abocanham cerca de um terço dos recursos da Previdência Social e pública, drenando cerca de R$ 40 bilhões por ano do pagamento de benefícios sociais para o pagamento da dívida pública e taxas de juros. Agora, os donos do dinheiro querem sangrar os fundos de pensão.

Como tudo nas relações capitalistas não passa de roubo, não foi difícil para o relator da CPI dos Correios Antonio Carlos Magalhães Neto, neto e afilhado político do velho “coronel” ACM, encontrar mil e uma maracutaia nos fundos.

Operações realizadas por 14 fundos de pensão entre os anos de 2000 e 2005 (governos FHC e Lula) causaram prejuízos da ordem de mais de R$ 784 milhões aos seus associados, funcionários da Cedae, das teles, Petrobrás, Correios, Banco do Brasil, Nuclebrás, Furnas, Eletrobrás, entre outras.

Estes fundos realizaram operações na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) de compra de ações e títulos públicos a preços superavaliados e os revenderam a preços depreciados.

O tamanho da perda dos fundos nestas negociatas foi o montante do lucro ou roubo das cor-retoras que fizeram a negociata, ou melhor, empresas de fachada de lobistas e doleiros que financiam tráfico de influência (caixa dois, mensalão ou outras formas de subornos) e ou enviam dinheiro à paraísos fiscais.

Pelo montante desviado, o dinheiro não podia ser transportado em cueca ou em malas, mas através de transferências eletrônicas entre bancos privados (sempre intocáveis), dentro ou fora do país.

Estas transferências entre bancos são monitoradas pelo Banco Central, Receita Federal e Comissão de Valores Mobiliários que, assim como o presidente Lula, nunca viram e não sabem de nada.

Enquanto uma mão lava a outra dos oligarcas dominantes, a classe operária se vê obrigada a mendigar um salariozinho da burguesia ou uma pensãozinha do Estado, escravizando sua condição de existência neste sistema de roubo capitalista.

O que está em disputa no sistema é quem controla o lava a mão e não o fim do roubo.

Não adianta uma operação tampa-buraco ou palavras de efeito para por fim a estas e outras roubalheiras. Só uma revolução social.

José Tafarel