O roubo e a riqueza dos bancos

 

O lucro do terceiro maior banco privado instalado no país, o Santander-Banespa, ex-banco do estado de São Paulo privatizado pelo governador Mário Covas e Geraldo Alckmin, cujas fraudes e corrupção foram investigadas e enterradas pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banespa, somou 1,297 bilhões de reais (cerca de 4,5 milhões de Salários Mínimos) nos nove primeiros meses deste ano, isto é, cerca de 8 vezes maior daquele assalto espetacular.

Os dois maiores bancos privados nacionais, Bradesco e Itaú, que se agigantaram com a apropriação de praticamente todos os bancos estaduais do Brasil no processo de priva-tização do governo Fernando Henrique (FHC) e Pedro Mallan, cujas fraudes e corrupção foram apenas parcialmente investigadas e também enterradas pela CPI do PROER (Programa de Recuperação de Bancos), faturaram a soma impressionante de 4,05 bilhões de reais (13,5 milhões maior que o Salário Mínimo) e 3,82 bilhões (13 milhões de salários), respectivamente, nestes nove primeiros meses.

O lucro do Bradesco foi 31 vezes maior que o roubo no Banco Central e o do Itaú, 23. Com as privatizações do governo neoliberal de FHC, um punhado de banqueiros nacionais e internacionais passou a controlar todo o sistema financeiro nacional, cujo representante internacional é o FMI (Fundo Monetário Internacional).

“Quem tem dinheiro faz mais dinheiro”, mas os banqueiros foram além do ditado: monopolizaram toda a política econômica, isto é, a macroeconomia do país, conseqüentemente a política em geral.

A principal fonte de concentração de riqueza destes oligarcas é a ciranda da especulação financeira em torno da “caixa-preta” da dívida (interna e externa) e títulos do Estado, que hoje somam a quantia impressionante de cerca de um trilhão de reais, o equivalente ao salário de um ano de 277 milhões de operários recebendo um salário mínimo ao mês, ou ainda 6.060 vezes maior que o assalto ao Banco Central em Fortaleza.

Como quem define os rumos das taxas de juros são as oligarquias financeiras, personificadas neste caso na pessoa do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ficamos a mercê da maior taxa de juros do planeta: 18,5%.

A cada incremento de 0,25% nesta taxa, são 2 bilhões e meio a mais nos bolsos das oligarquias financeiras, apropriando-se de 8.333 salários mínimo. Mas este roubo via juros especulativos não é crime.

É, ao contrário, a regra do sistema assegurado pela ditadura da política econômica e baioneta da máquina estatal. Henrique Meirelles, nomeado e “blindado” pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, tampouco pode ser criminalizado pelo sistema, como ocorre com freqüência e sempre sem qualquer justificativa com os movimentos sociais que lutam contra esta política, apesar de carregar condenação da Justiça Eleitoral por crime eleitoral e do Ministério Público Federal por crime por evasão de divisas e crime por lavagem de dinheiro. Nada disso é condenável pelo sistema.

É antes de tudo sua virtude, pois representa diretamente os interesses das oligarquias financeiras no governo. Aliás, não é a toa que todas as corrupções, manobras e lavagem de dinheiro que vão sendo desvendadas pelas CPI’s começam sempre em um determinado banco e terminam em outro.

Além do roubo sistemático pelas taxas de juros, a política econômica determina ainda que o governo retenha uma reserva em caixa de cerca de 150 a 200 bilhões de reais para pagar a eterna dívida pública. Essa reserva é transferida para os bolsos dos banqueiros sob a forma de pagamento da tal dívida pública.

O responsável pela retenção do “superávit primário”, como é chamado, no governo Lula é o ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho. A dupla Lula – Palocci já transferiram aos banqueiros cerca de 400 bilhões de reais em seus 3 anos de governo, praticamente a mesma quantidade pagas em dois mandatos (8 anos) do governo FHC – Mallan.

Foi apropriado o equivalente a mais de 1,3 bilhão de salários mínimo aos banqueiros em cada governo por conta da caixa-preta da dívida. Mesmo com a grave crise política do governo do capital, as oligarquias financeiras necessitam que Lula, Palocci e Meirelles completem seus mandatos de modo que a transição ao próximo governo, mesmo que seja a sua reeleição, se dê de maneira mais segura possível, como num pouso suave de avião.

O medo das oligarquias é que as massas se rebelem, que a greve geral entre na pauta do sindicalismo e que a insurreição seja a palavra de ordem do proletário.

O governo da traição não vai cair se o povo não o fizer cair, pois existe um acórdão para “segurá-lo”, por mais que seja sangrado nas CPI’s, enquanto houver liberdade à especulação e ao roubo das finanças públicas aos donos do poder de fato.

O pagamento de US$ 15 bilhões (115 milhões de salários mínimo) ao FMI enquanto o país se arrasta em uma profunda crise mostra a qual interesses o governo atende.

Neste processo de transição da crise, no entanto, vai ganhando força a “critica” da direita, defendida pelo PSDB (partido dos banqueiros e multinacionais) e PFL (partido dos latifundiários), que propõem a mudança tão somente dos nomes sem tocar na política para “acabar” com a roubalheira  institucional, e a “crítica” de esquerda, defendida por setores do PT, PCdoB (partidos liberais no seio do operariado) e PSOL (partido da aristocracia operária), que querem mudar todas as coisas com alguns pequenos ajustes, sem reformas estruturais.

Para estes críticos de esquerda, assim como aos especialistas e economistas de direita, parece absurdo que as economias planificadas dos países socialistas conseguem crescimentos da ordem de 7 a 10% ao ano (como a China) com baixíssimas taxas de juros e inflação.

Só uma revolução social comandada pela classe operária para fim definitivo na corrupção e especulação.

José Tafarel