As dívidas do governo Lula

 

As duas dívidas do governo brasileiro a interna e a externa estão na ordem do dia das prioridades da atual administração federal.

A queda da dívida externa que está em torno de US$ 200 bilhões faz com que o governo pague menos por mês aos credores estrangeiros e dá em torno de US$ 2 bilhão mensalmente.

Agora surge a novidade de que o governo Lula irá pagar toda a dívida com o FMI de US$ 15 bilhões e isso está sendo comemorado como uma libertação dos acordos com a instituição financeira internacional, mas a grande verdade é que todas as receitas de política econômica junto com as reformas estruturais já foram feitas pelo atual governo como: a Reforma da Previdência, o saldo do superávit primário acima de 4,25% do PIB, a aprovação das Parcerias Público Privadas, entre outras medidas que seguem o receituário neoliberal sem precisar de um monitoramento do FMI.

Em relação à dívida interna, a tendência é que esta também tenha uma queda, uma vez que com a baixa nas taxas de juros haverá um percentual menor do montante total que chega a mais de R$ 950 bilhões que gira em torno de 50% do PIB do Brasil.

A economia com a queda dos juros de 0,5% chega a R$ 5 bilhões  com o percentual da dívida atrelada a Selic com a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de baixar os juros básicos da economia para 18% ao ano.

A queda na cotação do dólar em relação ao real segue uma tendência mundial, pois a moeda norte-americana tem se desvalorizado em relação a várias divisas internacionais, principalmente o Euro e o Iene, mas a grande verdade é que existe uma desconfiança no mercado financeiro sobre o grau de comprometimento dos fundamentos da economia dos EUA a curto e médio prazo.

A grande pergunta é se existe condição do mundo continuar financiando os “déficits gêmeos” dos EUA que são: o desequilíbrio nas contas públicas e o saldo negativo da balança comercial da maior economia do mundo que somam em torno de US$ 1 trilhão ao ano.

Este receio do sistema financeiro mundial está se refletindo no investimento em ativos fixos que são: imóveis e metais preciosos como o ouro, sendo que este último teve sua cotação aumentada no mercado mundial e passou de US$ 500 a onça-troy para US$ 520 em menos de um mês, sendo que esta alta é a maior verificada em cerca de 18 anos.

O temor dos investidores do mercado financeiro é que com a subida na cotação do petróleo a inflação cresça mais do que o esperado no mercado interno norte-americano e com isso a agressividade do imperialismo dos EUA pode se voltar contra outros países ricos no produto como a Venezuela e o Irã, sendo que este último pode ser pretexto de Israel, que é o testa de ferro norte-americano no Oriente Médio, para tomar a riqueza mineral do vizinho.

O aumento das taxas de juros nos EUA já é um prenuncio de que as autoridades monetárias do país projetam uma espiral inflacionária na sua economia que pode afetar grande parte do mundo, uma vez que a locomotiva da expansão mundial são os EUA com um peso em torno de 30% do PIB internacional.

A cotação do petróleo em torno de US$ 60 o barril é um fator de queda nos lucros das empresas, uma vez que os custos de produção aumentam, assim como os preços dos produtos, fazendo com que o crescimento da economia mundial diminua a sua intensidade a médio prazo.

Julio Cesar de Freixo Lobo