O silêncio como testemunha

 

O Serviço, assim se referem àqueles que se dedicam tão eficientemente às tarefas de executar o serviço secreto no Brasil.

Tarefas que, inclusive, estiveram quase sempre ligadas às Forças Armadas e aos Órgãos de Repressão que atuam no interior do território nacional. Portanto, espiões dos brasileiros e de suas atividades.

O caráter sui generis desta atividade, é que foram sempre se constituindo, oficialmente e com bastante força, em governos eleitos, na legalidade e com legitimidade para atribuir funções necessárias à governabilidade.

Alguns de seus grandes expoentes são da Escola Superior de Guerra, principalmente quando do seu exercício mais duro, ou seja, durante a Ditadura Militar, quando assumiu a aparência de um exército cruel, sombrio e fascitizante, o que permanece até nossos dias.

O autor Lucas Figueiredo, deu-se ao trabalho de criar um arquivo de depoimentos orais, de agentes sem atividade, além de procurar coletar os poucos documentos sobre essa atividade.

O valor de “O Ministério do Silêncio” é demonstrar como na vida de todos os brasileiros, sejam homens e mulheres, comuns ou figuras de expressão nacional, atua uma corporação ativa e que, em determinadas circunstâncias, desenvolve-se quase autonomamente.

Desmente, portanto, o mito do Estado desarmado em nosso país e demonstra a preocupação dos governantes com o nosso destino através do monitoramento policial.

O Ministério do Silêncio, Figueiredo, Lucas. Rio de Janeiro- São Paulo, 2005, Editora Record.