PCdoB no comando da Câmara

 

Os oportunistas de esquerda sempre pregaram que os operários devem deixar a luta revolucionária e votar nos seus candidatos moderados para, pouco a pouco, ir adquirindo conquistas rumo a uma sociedade justa, igualitária na distribuição de renda e democrática no exercício do poder político. Esses esquerdistas oportunistas, nascidos com o desmonte do Partido Comunista (PCB) e o assassinato das principais lideranças revolucionárias, agora controlando tanto o poder Executivo, como o poder Legislativo nacional, pedem para termos calma, pois o caminho pacífico para a transformação desta sociedade capitalista rumo aos ideais da sociedade socialista “está em curso”, o que não passa de mais uma grande farsa.

O PT chegou ao governo com a promessa de realizar um programa antineoliberal de esquerda, dando definitivamente um basta na histórica política de horror econômico das classes dominantes, dependente da potência hegemônica no planeta, e que ia de encontro com as demandas históricas e básicas de trabalho, igualdade e justiça social do povo que o elegeu. Mas, a esperança por dias melhores para o nosso povo foi afogada pela continuidade do Plano Real do governo de Fernando Henrique Cardoso e Pedro Malan.

Para avançar o sistema de assalto contra o proletário, o governo Lula elegeu para um período de dois anos o deputado João Paulo Cunha (PT), para presidente da Câmara dos Deputados, passando a comandar a pauta de discussões e votação do poder Legislativo, e nomeou o deputado Aldo Rebelo (PCdoB) para liderar a bancada governista, organizando os mercenários do parlamento federal. Além de comandar o parlamento, o governo instituiu o “mensalão” (milionário esquema de compra de votos), comprando a aprovação de todos, as suas medidas neoliberais.

Uma vez controlando os poderes Executivo e Legislativo, o governo Lula entregou o Banco Central ao representante da banca financeira internacional (BankBoston, dos EUA), acordou o pagamento da dívida externa, a manutenção da taxa de juros nas nuvens e a liberação do fluxo de capitais especulativos no país; trilhou por uma política de reformas antitrabalhistas que arrochou ainda mais os salários e aumentou a massa de desempregados; avançou na cobrança de impostos sobre a massa operária; fechou os olhos sobre o caixa dois e a sonegação dos empresários, comerciantes, latifundiários e banqueiros; foi conivente com os bilionários roubos do processo de privatização comandados pelos governos de FHC, Mário Covas e Geraldo Alckmin.

Seu governo foi colocado a serviço da concentração de renda, exatamente o contrário daquilo que sempre combateu ao lado do povo. Para fazer uma média com os trabalhadores, a esquerda oportunista no governo deixou preso por alguns dias o empresário Gilberto Schincariol, dono da cervejaria Schincariol, e Eliana Tranchesi, dona das lojas Daslu, símbolo da luxúria e do desperdício burguês, e ainda mantém confinado o ex-prefeito Paulo Maluf, símbolo da corrupção, impunidade e farsa. Com a queda de Severino Cavalcanti (PP) da presidência da Câmara, que tinha substituído João Paulo Cunha, depois de uma manobra da velha direita nas eleições para o cargo, o governo petista aproveitou a brecha e bancou a eleição do deputado Aldo Rebelo (PCdoB) como sendo o guardião da moral em meio ao mar de lama da corrupção de seu governo.

Um “comunista” na frente do Parlamento! Viva o caminho pacífico para a superação do capitalismo!? Para elegê-lo, no entanto, PT e PCdoB trilharam por um caminho oposto à moral e à transformação que pregavam, para variar. Logo nos primeiros dias de comando do PCdoB sobre o Parlamento, já foi possível observar a moeda de troca em jogo e o sentido da transformação pacífica: por um lado, a liberação de verbas para a base aliada e companheiros do governo. Cerca de 20 milhões foram repassados imediatamente aos parlamentares, de um total de cerca de um bilhão de reais, sob o título de “emendas parlamentares”, que funcionará como uma espécie de mensalão oficial; por outro lado, a transformação das CPI’s do Mensalão, dos Correios e dos Bingos em pizza, e a puxada de mão no freio nas cassações dos parlamentares diretamente envolvidos nos atuais esquemas de corrupção.

Ao invés de dias melhores, o PT e o PCdoB nos jogaram nas portas do inferno. É o triunfo do acordão dos exploradores e opressores, por meio de mais corrupção e mais impunidade, para o desfecho da grave crise política sem tocar na raiz da crise: a continuidade da política neoliberal, de concentração de riqueza de um lado, e de miséria, brutalização e as mais absurdas formas de exploração do trabalho, daqueles que produzem. Mas, o acordão comandado pelo PT e PCdoB é também, e ao mesmo tempo, a falência da chamada Terceira Via, que tanto pregavam (reformismo da social-democracia internacional), como meio termo para o desenvolvimento social, ou terceira via, entre a plataforma revolucionária dos marxistas-leninistas e o projeto de dominação e exploração imperialista, que na prática não é mais do que a continuação da exploração e opressão das oligarquias dominantes sob nova forma e retórica.

José Tafarel