Lançamento da Carta ao Povo Brasileiro

 

A crise política que se abateu sobre o governo Lula, o PT e aliados, desenvolveu um processo de quebra de expectativas em milhões de brasileiros, principalmente nos setores proletários da sociedade, que ansiavam por reformas econômicas e sociais de longo espectro, terminando com o período de privatizações e a ascenção do setor oligarco-financeiro, dominando a cena política nacional.

O desenvolvimento da campanha de governo, já demonstrava que outro quadro se descortinava. Os fatos mais marcantes foram: o lançamento da “Carta aos Brasileiros”, na qual acalmava os banqueiros nacionais e estrangeiros quanto a cumprir todos os compromissos com o pagamento da dívida externa e com o pagamento dos juros da dívida; ao mesmo tempo, trazia para o centro da cena política, figuras ligadas às oligarquias tradicionais, como aliados de campanha e de governo tornando a via social-democrata no Brasil, mais ampla e mais próxima de um projeto social-liberal.

Porém, as alianças de forças não podiam prescindir de um conjunto que representasse as esquerdas institucionais do país. Desta forma, na constituição do governo estava representada a própria esquerda do PT, o PPS, o PDT de Brizola, ainda vivo, o PCB e o PCdoB, além do PSB. Com isso, uma coleção de ministérios foram distribuídos para que fossem atendidos todos os anseios políticos das forças que constituíam o governo. Mas, seu projeto não mudou em nenhum momento de linha. Rapidamente, assumia uma postura de continuidade de todos os governos anteriores: manutenção das políticas neoliberais de desmonte do Estado do bem estar social, e de intervenção na economia nacional. Por outro lado, compensar a massa trabalhadora através de programas de ajuda como o “Fome Zero” etc...

Assistimos hoje, a uma crise que se abateu sobre o governo, portanto, desde os primeiros abalos ocorridos quando da aprovação da Reforma da Previdência, onde dentro do próprio PT ocorreram as primeiras baixas, com a expulsão de Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro por discordarem da mudança da Lei, por ser prejudicial ao povo proletário brasileiro. Como rastilho de pólvora vieram outros partidos como o PDT e o PPS, o que prejudicava sobremaneira o governo, como de esquerda. Porém, arranhando muito pouco sua imagem.

O fiel da balança veio a seguir com as eleições municipais, onde o governo do PT sofreu derrotas nas cidades de São Paulo e Porto Alegre para os candidatos representantes das novas oligarquias: o PSDB de José Serra, ou para sua ex-base aliada, como o peemedebista disfarçado de PPS, José Fogaça.

Desenvolve-se a partir daí, um processo de pressões das forças à direita, no sentido de ampliar sua participação efetiva no governo Lula. Ao mesmo tempo, o governo, por outro lado, aposta no controle do Legislativo no sentido da aprovação de seu programa de reformas neoliberais. Com isso, realiza uma reforma ministerial que nada muda em termos de forças políticas, e tenta fazer um novo presidente da Câmara dos Deputados. Luiz Greenhalgh é o escolhido, mas as forças da reação estão em alerta e elegem Severino Cavalcanti como novo presidente. O chamado “baixo clero”, ou 300 picaretas na linguagem do próprio Lula, assume o mandato legislativo.

Ocorre então um processo de assimilação das forças reivindicatórias de participação no governo Lula. O conjunto de forças quer participação e como podem ser respondidas estas questões diante de um embate, em que se o governo absorve as forças de direita como realmente realizou, assimilando o PMDB e principalmente o PP, se descaracteriza como força de esquerda; entretanto, sem nenhuma garantia para as forças de esquerda, como esperar o seu apoio para poder definir como “uma nova esquerda” o governo petista de Lula.

Em vários editoriais do INVERTA demonstrávamos essa tendência a uma solução intermediária de que não se criasse mais atritos junto às esquerdas, mas que brindasse com aquilo que mais agrada aos membros do baixo clero: a corrupção.

Com isso, a crise das instituições que abalam o governo vem justamente dos setores de direita do próprio governo, agrupados em torno de Roberto Jefferson do PTB, com as denúncias sobre o me-nsalão, abalando quase 20 deputados da base aliada. Entre eles, José Dirceu e a direção nacional do PT, derrubando seu presidente, José Genoíno. Com isso, o INVERTA divulga as ações de seus colaboradores, no sentido de discutir e divulgar uma carta ao povo brasileiro, para fazer frente a essa situação que transforma todas as instituições em instrumentos de corrupção, e que nada mais cabe ao povo pobre senão lamentar pela sua vida cotidiana, porque seu sofrimento é natural sobre a terra. Contra isso dizemos não!

Em nossa carta, fazemos uma análise do país e como chegou à situação em que nos encontramos, em termos de governo. O resumo do governo de Lula, PT e aliados demonstra a fragilidade das alianças costuradas tanto à esquerda quanto à direita, fazendo o governo refém das suas decisões, em que, se ampliasse o espaço de um setor, fechava qualquer possibilidade com o outro. Ao mesmo tempo, as esquerdas institucionais lutavam por uma mudança de rumo, impossível de se conceber pelos compromissos de campanha assumidos. Com isso, se manteria uma forte política neoliberal interna ao nível internacional, flutuando entre a subordinação ao imperialismo e a autonomia para a ampliação dos mercados exportadores, até a conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU.

Ao mesmo tempo, essa Carta acentua as formas da ação do imperialismo para a defesa de seus interesses: em primeiro lugar, a guerra, como tomada total do território visando o domínio, a exploração e a reconstrução das forças produtivas; em segundo lugar, a corrupção, pois diante da crise acentuada ao nível geral do modo de produção capitalista e o descrédito nas instituições sociais, é um veículo de penetração dos monopólios transnacionais para dominar mercados e impor políticas econômicas. São citados com riquezas de detalhes fatos demonstrativos destas ações como as eleições, em primeiro e segundo mandatos, do presidente George W. Bush, o escândalo envolvendo as Nações Unidas através do filho do presidente Koffi Annan, e o novo papa alemão, que foi membro na juventude dos esquadrões nazistas de Hitler.

Demonstra também como a crise se abate sobre os EUA, levando às baixas cotas sua moeda e como isso prende o mundo inteiro, arrastando a crise mundialmente. Com isso, fica demonstrado que não é uma crise de Estado, porém, que o Estado brasileiro serviu a essa crise e só uma solução política de comunistas e socialistas revolucionários criará as bases para uma era social em nosso país, um trabalho ombro a ombro com várias forças políticas para a construção de um Congresso Nacional e Popular contra o Neoliberalismo.

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