Só o capitalismo para produzir verdadeira bestialidade

 

Só mesmo uma crise capitalista para produzir o recente comentário racista do ex-secretário de Educação do governo estadunidense e atual radialista, William Bennett. Segundo Ben-nett, que também já foi chefe da política de combate às drogas de seu país, as taxas de criminalidade no país só diminuirão com o aumento do número de abortos, feitos por mulheres negras. Para ele, são os negros dos Estados Unidos, ou seja, são os pobres desse país os verdadeiros culpados pela miséria e violência cada dia mais crescente. Essa declaração, merecedora do total repúdio de todos nós, mostra mais uma vez que o centro do capitalismo mundial não perde oportunidades, em momentos de crise como esta, para mostrar seu verdadeiro caráter, que se distancia em muito da sociedade democrática e sem preconceitos, tão propagandeada mundo afora. Essa declaração novamente revela que a política fascista de destruição em massa do exército industrial de reserva, imposta pelo capitalismo, como uma de suas condições para permanecer existindo, continua a todo vapor, bastando um simples olhar, sobre qualquer periferia do mundo, para ser comprovada.

Neste momento, milhares de pessoas estão morrendo para que o “Senhor Bennett”, amparado pela democracia de seu país, possa expressar suas opiniões livremente. Mortes essas, que se manifestam principalmente entre os jovens proletários (morte pelo fuzil do narcotráfico; morte pelo terrorismo de Estado; pelos grupos de extermínio; morte da mente gerada pela ação devastadora das drogas despejadas às toneladas nos bairros pobres, como denuncia o filme Panteras Negras; morte nas guerras imperialistas: Iraque, Palestina e Israel; morte pelas doenças e pela fome); aqui na América Latina, estima-se que a cada minuto morre uma criança.

Esse tipo de declaração não se constitui como algo novo para nós. Matar os jovens antes que eles nasçam mostra o nível de desespero em que o capitalismo chegou. O sistema mata e mesmo assim ainda sobra gente desempregada, subempregada e jovens sem perspectivas. Os herdeiros de Malthus continuam tentando ressuscitá-lo de todas as formas, principalmente através do Banco Mundial, que dá prioridade nos seus empréstimos aos países pobres, que aceitam implementar os programas de controle da natalidade, baseados na esterilização em massa das mulheres pobres. E, na disseminação de pílulas, diafragmas, dius e preservativos. Porém, apesar de todo esse esforço, o capitalismo só consegue aumentar o número de crianças e mais crianças.

Na América Latina, estima-se que da população total, metade tem menos de 15 anos, ou seja, o projeto do “Senhor Bennett”, de matar aqueles que destruirão o sistema antes que nasçam, não tem dado muito certo. Pois, os jovens filhos do proletariado, com certeza, vão cobrar a conta, sendo cada vez maior sua revolta e sua força. Eu fico por aqui, e deixo a seguinte pergunta, presente no livro de Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina: “os jovens multiplicam-se, levantam-se, escutam: o que oferece a voz do capitalismo?”

Cláudio M. Barros