O Xadrez da Ásia Central

 

Pouco conhecida e ignorada pelo resto do mundo, a Ásia Central só será lembrada pela tentativa do império britânico em disputar influência com o império russo sobre o Afeganistão.

O pretexto criado pelos britânicos para ocuparem aquele país tampão, foi o de que o império russo, possuindo situação geográfica bastante desconfortável em relação ao acesso a grandes mares e oceanos, procuraria através do Afeganistão atingir a Índia e implantar ali um porto nas águas quentes do oceano Índico.

Em função disso, oficiais do exército inglês comandado por soldados hindus ocuparam por duas vezes o Afeganistão, sendo de lá, entretanto, expulsos ao custo de pesadas perdas e de enormes sofrimentos.

Os massacres dos hindus empenhados na invasão ficaram atestados pelo nome da cadeia montanhosa Hindu Kush, que ocupa boa parte do país, e cujo significado na língua local, quer dizer algo como, martírio dos hindus.

O declínio do império inglês e a conseqüente ascensão do império americano faz com que este último tente desempenhar papel de relevância na região.

A recente guerra e ocupação do Afeganistão pelos Estados Unidos confirmam tal propósito e, deu oportunidade, em termos de combate ao terrorismo, a que eles solicitassem e obtivessem permissão para ocupar bases militares em quatro outros países limítrofes, como sejam: Uzbequistão, Ka-zaquistão, Kirquistão e Tadjiquistão.

Embora as bases pelos acordos tenham que ser devolvidas, quando solicitado, num prazo de seis meses, e considerando que a queda do Taleban tenha ocorrido desde o ano de 2002, elas ainda continuam ocupadas pelos americanos.

Ultimamente, a presença americana na região vem sendo questionada e está associada às tentativas de desestabilização dos governos locais por grupos radicais islâmicos, apoiados por agentes infiltrados por americanos e por suas seitas evangélicas, que para lá se transportaram.

A respeito, a mais grave das tentativas deste tipo, abertamente apoiada pelos ianques e aliados, ocorreu no Uzbequistão: o país mais desenvolvido da região e, ao que parece, de grande predileção de Stalin. Sua capital Tashkent (Castelo de Pedra) era a quarta cidade em importância dentro da URSS, sendo apenas superada por Moscou, Kiev e Leningrado. No ano de 1977, a cidade inaugurou seu metrô, que foi o primeiro a funcionar na Ásia Central.

Ao que se depreende das maciças votações recebidas pelos partidos comunistas nos países da região, como recentemente ocorreu na Mongólia e Kirquistão, há um profundo ressentimento popular contra a nova ordem que pretenderam implantar nessas nações. Afinal, depois de serem governados por um regime socialista não é possível ao povo conviver com a chamada democracia capitalista que proclama, onde é adotada, que: “Todo poder emana do Capital e em seu nome deve ser exercido”.

A pretendida extensão da influência americana na Ásia Central vem sendo ali considerada de uma forma realista pelos países em desenvolvimento, como China, Índia e Rússia, que criaram a Organização Regional de Xangai (SCO) para coordenarem suas políticas de forma conjunta.

O atual horizonte incerto quanto à sofisticação da demanda de petróleo pelos países industrializados vem propiciando um enfoque regional dentro da SCO, relativo à utilização do eventual potencial petrolífero disponível, levando em conta principalmente o atendimento às necessidades das nações em desenvolvimento situadas no entorno.

A SCO, com o passar do tempo, vai adquirindo uma relevância acima de qualquer expectativa inicial: hoje já tem como observador convidado em seus encontros o Irã, exerce influência sobre as nações africanas colocadas no index do imperialismo americano e não convida observadores americanos para as reuniões.

O elevado preço do petróleo conduz a significativos investimentos na região que, ao que parece, será atravessada em várias direções, por extensos oleodutos e gasodutos.

A regionalização da distribuição do petróleo por dutos é também uma medida considerada pelo Irã.

As dificuldades de abastecimento marítimo de petróleo trazem problemas para a China, como seja: o abastecimento do produto de procedência venezuelana que ultimamente encontra entraves na circulação pelo canal do Panamá.

Para contornar o problema em questão, está em andamento um projeto de construção de oleoduto que, saindo da Venezuela, atravessaria a Colômbia e instalaria um terminal de abastecimento na Costa do Oceano Pacífico.

Elmo Mambrino