O sonho de dominação mundial

A propósito da visita de G.W.Bush

 

Poucas pessoas, sejam leigos ou cientistas políticos, são conscientes das raízes militaristas dos Estados Unidos. Os historiadores latinos, mesmo aqueles com visão crítica da sociedade americana, não estão conscientes das tendências do militarismo ianque, que começaram com a guerra americana contra a Espanha, no século XIX, com intuito de se apossar das colônias espanholas. A guerra contra Espanha, nos anos de 1898, se constituiu em marco da manipulação dos interesses militaristas ianques. Eles vendiam a guerra como se vendia banha de porco. A grande imprensa nos Estados Unidos manipulava a população e escondia os crimes que os soldados cometeram durante a guerra. A guerra se tornou popular e patriótica! Com a vitória dos Estados Unidos, eles se apossaram das colônias espanholas, e conquistaram suas primeiras nações de vassalos. A classe dominante desses países se tornaram aliadas e, ao mesmo tempo, clientes dos interesses americanos. O orgulho nacional dos Estados Unidos criou, por sua vez, um “chauvinismo” agressivo, semelhante ao colonialismo inglês. Era como se o filhote tivesse aprendido a lição. A história confirma, logo suas investidas, as Filipinas se constituiu no marco dessas novas nações independentes, “associadas” aos Estados Unidos. O exército americano ocupou Manilha com ajuda dos “nacionalistas” filipinos, após uma vitória fácil sobre a esquadra espanhola. Enquanto isso, nos meios propagandísticos, o presidente americano era transformado de um “liberal” desconhecido, de no-me Willian MacKinley, que à semelhança de outros presidentes americanos não sabia onde se situava essa “nova” colônia, a um novo “Imperador”.

Depois foi a vez de Cuba sofrer o assédio dos imperialistas americanos. Em 1901, o governo dos Estados Unidos forçou o governo cubano a incorporar uma emenda, a famigerada Platt, na Constituição do país, que valeu até 1934, e também um artigo em que autorizava os Estados Unidos a construir a base naval de Guantânamo, de triste memória, atualmente em poder dos imperialistas ianques. É interessante que o referido artigo, inserido na Constituição de Cuba dizia “que a base só seria devolvida, quando os dois governos estivessem em acordo”. É o que eles alegam até hoje. Cuba, se quiser de volta a base, será forçada a ir à guerra. Pelo menos, enquanto governarem os Estados Unidos homens do gênero de G. W. Bush.

A guerra contra a Espanha foi declarada, com argumentos semelhantes à invasão e ocupação do Iraque nos dias atuais. Em 15 de fevereiro de 1898, ocorreu um fato que foi o pretexto. Uma explosão danificou e afundou o navio americano de nome “USS Maine”, encouraçado da esquadra, ancorado no porto de Havana, que ainda era colônia espanhola. A explosão vitimou 374 homens da guarnição do navio. O encouraçado estava em Cuba em “Missão de Paz” para resgatar cidadãos americanos que estavam imobilizados em Cuba, por causa da guerra dos cubanos contra o domínio espanhol. Em nome da Doutrina Monroe, os americanos acusaram os espanhóis. A guerra do imperialismo ianque, para se apossar do motim colonial, foi a continuação da política externa americana.

Política que souberam muito bem esconder. A política da “canhoeira”, a diplomacia segundo a qual os tratados são assinados, às vistas dos navios de guerra, apontando os canhões, chacoalhando as armas. A tradição, no entanto, escondia os interesses imperialistas sob o manto de que os americanos também tinham sido colônia. A palavra império era sempre usada para definir outras potências. Nunca os ianques, que se utilizaram muitas vezes do conceito para ferir, acusar ou mesmo estigmatizar os adversários da política externa americana. O exemplo mais recente é o de Bush contra Saddan Hussein ou en-demonizar a União Soviética, como o fez Ronald Reagan. Mas, estas investidas da política externa americana passam desapercebidas no interesse das oligarquias da América Latina, que sempre estão buscando apoio econômico e vendendo os seus países ao império. No plano interno, na sociedade e no Estado ianque, inexiste grande opinião contra a política imperial. A idéia, segundo a qual o poder militar daquele país deverá se prolongar por séculos ou milênios, se transformou no motor dominante do interesse público dos Estados Unidos. No momento atual, o clima de guerra e a promoção da política de guerra se transformaram em lugar comum da opinião pública nos Estados Unidos. Qualquer alusão aos direitos de outros povos, sejam eles quais forem, se subordinam à idéia, segundo a qual o país, Estados Unidos da América, deve se tornar um país imperialista. Este gênero de opinião se divide em dois grupos: aqueles que acham que os Estados Unidos são o único poder militar hegemônico global, como foram no passado outros impérios, como por exemplo, a Inglaterra; e o segundo gênero de imperialista, aqueles que acham que tem uma missão civilizatória sobre os povos da terra. Não é muito difícil de identificá-los. Por exemplo, o imperialismo do gênero britânico, que aparece constantemente nas páginas do Jornal Washington-Post. Criaturas deletérias do gênero de jornalistas que defendiam a campanha de bombardeios no Afeganistão, para impor respeito ao poder imperial.

A “guerra ao terrorismo” como meio de amedrontar as classes dominantes dos países que permitem a existência da opinião anti-americana. Em países como os da América Latina, em particular o nosso país, Brasil, essas idéias são aceitas pela nossa classe dominante como uma coisa natural. O maior interesse deles é o de que nossa balança comercial continue a dar superávits. Isso significa contas gordas nos bancos imperialistas. Não é de se estranhar que para se saber a verdade sobre alguns fatos, ligados a transações financeiras, temos que buscar o apoio das autoridades bancárias dos Estados Unidos. A doutrina americana para a América Latina pode ser resumida no intervencionismo militar, a exemplo do que havia na época do colonialismo. Em dezembro de 1989, tivemos uma lição sobre essa política. O presidente dos Estados Unidos, George Bush, o pai, despachou 30 mil soldados para derrubar Noriega, no Panamá, sua própria cria, agente da CIA, pago com dinheiro imperialista já quando era general do exército panamenho. Noriega pensou que podia se recusar a cumprir ordens do império, então foi punido. O exército americano, para realizar sua tarefa, bombardeou a capital do Panamá destruindo e matando mais de 10 mil pessoas. Prendeu Noriega e o levou para os Estados Unidos. O exército americano fez como os nazistas na Europa, que destruíram um bairro operário inteiro, torturaram e mataram seus habitantes, atirando os corpos em valas comuns, que nenhum país ou organização do gênero da ONU foi lá desenterrar os cadáveres e punir os criminosos.

O que eles querem é submissão total. Do gênero de Estados Vassalos, como o Japão, que perdeu a Segunda Guerra, e a Coréia do Sul que foi invadida em nome da bandeira da ONU. O governo e as empresas americanas pagam a preço de dólares, que na maioria são espremidos da miséria dos povos, comprando regimes e governos que se transformam em verdadeiros “clientes”, ou através do comércio, como acontece com o Brasil, ou diretamente. Para se tornarem leais vassalos. Os Estados Unidos treinaram em terrorismo de Estado, como manter uma população em choque, através dessas últimas décadas, milhares de militares, policiais, agentes, jornalistas, pesquisadores, sociólogos, na Escola das Américas, do exército americano. No livro recente, de Lucas Figueiredo, “O Ministério do Silêncio”, a história do Serviço Secreto Brasileiro de Washington Luís ao presidente Lula, 1927-2005, relata em detalhes de como no governo Gar-rastazu Médici surgiu a idéia de montar uma Escola de Informação no Brasil e a euforia causada no governo americano com a proposta. Foram convidados o General Enio dos Santos Pinheiro e o Almirante Sérgio Douerty, onde se esmeraram no aprendizado de como destruir os opositores dos regimes pró-americanos. Eles cumpriram à risca os ensinamentos.

O governo dos Estados Unidos, a partir de um certo tempo, passou a utilizar-se da CIA e do FMI, um como braço armado da violência e o outro como financeiro, para desestabilizar governos, promover golpes de Estado em países que praticavam política não aceita pelos americanos. Não era necessário que os regimes em questão fossem contrários aos interesses econômicos e políticos do império, bastava um pequeno grau de independência.

O caso da tentativa de convencer a Coréia do Sul de uma guerra preventiva contra a Coréia do Norte tem esbarrado na resistência dos sul-coreanos, com medo dos resultados. O Iraque é um exemplo vivo na memória!

Antonio Duarte