Serra e Alckmin armam contra moradores do centro

 

A prefeitura e o governo do estado de São Paulo estão promovendo mais uma ofensiva fascista contra o povo pobre e trabalhador. Com financiamento de cem milhões de dólares do BID, sob um programa de título “Viva o Centro”, a burguesia paulistana, através de seus governos estadual e municipal, está fazendo uma verdadeira limpeza social no centro da cidade. Sob a coordenação de Andrea Matarazzo, subprefeito da Sé, membro do PSDB, procura-se expulsar do centro da cidade, sob o lema de “revitalização”, o que realmente dá vida a qualquer cidade: a classe trabalhadora. Qualquer semelhança com o projeto “Viva o Rio” não é mera coincidência.

A primeira fase desse projeto já esta quase concluída com a expulsão quase total dos moradores de rua da região central. Esse projeto da classe dominante é cumprido de várias maneiras. Às remoções dos sem-tetos, alia-se o terrorismo de estado que através de chacinas (como os ocorridos em agosto de 2004 que totalizaram 13 mortos em 3 ataques) amedontra as cerca de 10.000 pessoas que dormem todas as noites na rua. Caminho livre para o segundo objetivo: a remoção das diversas ocupações existentes em prédios outrora abandonados.

Existem muitos prédios abandonados no centro de São Paulo. A maioria deles não ficam vazios por muito tempo, dada a grande demanda dos trabalhadores por moradia. Grades, portas cimentadas, são práticas comuns para os proprietários garantirem que os prédios continuem entregues as baratas e à constante engorda gerada pela especulação imobiliária.

Mas os trabalhadores lutam diariamente e tentam impor a vitória da vida no centro. Vida nesses prédios significa famílias morando lá: mulheres, homens e crianças. Mas a vida para o proletariado é morte para a burguesia, assim como a vida da burguesia é a morte ao proletariado. Interesses simplesmente inconciliáveis.

Presidente Wilson, Colégio Campos Sales, Tenente Pena, Prestes Maia, Paula Souza, Rua do Ouvidor, Plínio Ramos, são apenas nomes de prédios que ou foram ou estão na iminência de um despejo pela polícia do governador. Não são apenas nomes, dado que em cada um desses prédios, centenas (até milhares) de pessoas ali vivam.

O despejo mais recente, o do prédio da rua Plínio Ramos, organizado pelo MMRC (Movimento de Moradia da Região Centro) ganhou as manchetes da mídia burguesa. Não havia como esconder o que ocorreu na terça feira (16) de manhã, a duas quadras da Estação da Luz. A ação da polícia foi tão violenta que até dois repórteres da Rede Globo foram feridos, um deles tendo que realizar uma cirurgia para a retirada de estilhaços de bomba de “efeito moral” de seu peito.

Se “sobrou” isso para um funcionário do centro ideológico da burguesia, imaginem como ficou o povo. Bombas, gás, spray de pimenta para dar uma temperada no povo antes de “comerem de pau”! A ouvidoria de polícia recebeu a denúncia de vários abusos. Parece até que a Polícia Militar tentou recriar em 3 horas os sombrios porões da ditadura militar. Algumas pessoas foram escolhidas aleatoriamente, isolados do resto do povo, incomunicáveis, sem que pudessem ser acompanhadas pelos advogados do movimento ou pelos representantes do conselho tutelar impedidos de entrar em uma sala escolhida no prédio pela polícia. Lá, muitos apanharam, inclusive menores de idade, um deles com apenas 14 anos. Foram submetidos a torturas psicológicas e humilhações durante 3 sombrias horas.

O que assustou a polícia foi a organização do movimento, que ainda que tenha optado por sair pacificamente do prédio, foi atropelado pela truculência policial.

No prédio moravam 73 famílias. Lá funcionavam aulas de reforço escolar, um curso de alfabetização, um curso de informática, uma cooperativa de costureiras, uma horta comunitária, oficinas de dança, entre outras atividades. 130 crianças moradores do prédio estavam matriculadas nas escolas próximas.

Para onde vão essas famílias (que se mantêm acampadas na rua e mobilizadas na luta pelos seus direitos)? O pior é que essa não é uma exceção é a regra. Existe um déficit de pelo menos 1 milhão de moradias no estado de São Paulo. Mas, caminhando para o último ano de seu mandato, o governador Geraldo Alckmin só cumpriu 33% das ações previstas no Plano Plurianual no que concerne a habitação.

A repercussão do despejo da rua Plínio, empolgou os moradores de outras ocupações, que além de estarem se solidários com os despejados, estão se preparando para não serem despejados. Agora basta perceber que essa luta é apenas um aspecto da luta maior, a Luta de Classes, e que a solução, mais que restrita a um caso, só será verdadeira em uma verdadeira revolução que ponha o povo trabalhador no poder.

Sucursal São Paulo