Chacina na Baixada Fluminense cinco meses depois

 

A maior chacina do estado do Rio de Janeiro, que matou 29 pessoas em Nova Iguaçu e Queimados, continua assustando os moradores da região depois de cinco meses do acontecido. Os locais onde ocorreram as execuções continuam ermos devido ao medo das pessoas que moram nas imediações do massacre. Apesar das prisões dos 11 policiais militares que foram acusados de cometer o crime, a população não se sente segura de sair à noite, pois apesar do policiamento ter sido reforçado depois da chacina, a barbárie dos grupos de extermínio ainda amedronta a maioria das pessoas na Baixada Fluminense.

Depois da chacina, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, prometeu homenagear a criança assassinada colocando o seu nome na escola em que estudava. Douglas Brasil, de 14 anos, foi uma das vítimas do massacre e estudava na Escola Presidente Emílio Médici. Ironia do destino ou não, é bem sintomático que a chacina tenha ocorrido em uma data fatídica para a história do Brasil que é 31 de março, que foi o início das trevas para o povo brasileiro com o Golpe Militar de 1964. E, provavelmente, o prefeito de Nova Iguaçu terá dificuldades em cumprir esta homenagem, uma vez que a direita continua viva e aterrorizando a vida do povo com seus grupos de extermínio que agem às claras nas periferias das grandes cidades brasileiras.

Os parentes das vítimas da matança da Baixada Fluminense estão sendo ameaçados pelos grupos de extermínio locais e mais uma morte está sob suspeita, é a do padre Paulo Soares, que estava protegendo essas pessoas da sanha assassina de parte da polícia militar que cada vez mais se iguala aos bandidos. Os parentes das vítimas do massacre criaram uma entidade para se proteger da impunidade e da injustiça do capitalismo, a Associação dos Familiares de Vítimas de Violência na Baixada Fluminense (AFAVIV), que tenta melhorar a vida das famílias dos mortos no massacre. Depois da versão da polícia sobre a morte do padre Paulo Soares, de que teria sido um crime passional, todos os meios de comunicação tiraram do noticiário o assunto da morte do religioso, todavia, um suspeito foi preso acusado do crime, mas devemos ligar esse assassinato a mais uma vingança contra a posição do padre em defender os pobres e perseguidos da Baixada Fluminense contra a violência absurda do sistema capitalista.

Uma pesquisa do Laboratório de Análise da Violência da UERJ mostrou que, com a prisão dos 11 PMs envolvidos na chacina da Baixada Flumi-nense, houve uma queda no número de homicídios na região, mas a grande verdade é que os grupos de extermínio continuam a agir impunemente sem sofrer a repressão do Estado. A justiça de classe no Brasil é clara, uma vez que somente nos bairros ricos os serviços de segurança funcionam para proteger a população, mas nos locais onde mora a maioria do povo o sistema capitalista mostra a monstruosidade do seu perfil, com a eliminação física dos setores mais desprotegidos da sociedade, os proletários.

LF