Governo se reúne com árabes

 

Desde o início do governo Lula a diplomacia brasileira tem tentado ser independente da dicotomia norte-sul. Por seu peso geográfico e populacional, o Brasil tem importância estratégica na nova geopolítica internacional, muito embora nas trocas de produtos e serviços no mercado global não chegue a 2% do total. A política externa brasileira tem sido criticada pelos defensores da visão de que o Brasil ganharia mais mercados se fizesse acordos comerciais com os países ricos como os EUA e a União Européia. Nas teses do PCML é analisado que o Brasil tem um projeto subimperialista no continente sul-americano, em que os lucros das empresas brasileiras são divididos com os verdadeiros donos do capital que atualmente é o sistema financeiro internacional. A posição brasileira na América Latina tem saltado aos olhos dos mais atentos à política regional, com sucessivas crises nos diversos países, como Venezuela, Bolívia, Haiti, Equador, entre outras. Na tentativa de ser um apaziguador dos conflitos políticos e sociais nas diversas nações da região, o Brasil está colhendo um certo ônus por causa destas iniciativas do Itamarati. O grande projeto brasileiro é conseguir uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU como liderança não somente da América Latina, mas também do Terceiro Mundo, pois as viagens do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a países em desenvolvimento do Oriente Médio e da África é uma estratégia de inserção mais atuante do Brasil no cenário do comércio mundial.

Em maio, o Brasil será sede de uma Cúpula de países da América Latina com a Liga Árabe, porém, este encontro está incomodando tanto Israel como os EUA, que inclusive fez a proposta de enviar observadores, para acompanhar a reunião. Os melindres causados por essa reunião, na realidade, aparentemente são políticos e diplomáticos, mas como a base da sociedade é a economia, a verdade é que o aumento do comércio entre essas duas regiões está tirando mercados dos produtos, principalmente norte-americanos e, como Israel é o testa-de-ferro dos interesses dos EUA no Oriente Médio, tenta dar uma conotação do conflito entre judeus e palestinos. O comércio entre o Brasil e o mundo árabe aumentou 50% nos últimos anos e somente em 2004 foram exportados pelo Brasil um total de US$ 4 bilhões e se acredita que nos próximos três anos este fluxo de mercadorias dobre de valor. Está havendo uma tentativa do governo dos EUA de esvaziar a reunião entre os dois blocos econômicos, usando seu poder de influência junto aos países árabes mais moderados para que não compareçam à cúpula, mas nem sempre é possível que os EUA usem a política externa do “Big Stick” para conseguir os seus objetivos imperialistas. A protelação da entrada em vigor da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) em 2005 é mais um sinal de que é difícil a implantação deste acordo comercial nos próximos anos e o papel do Brasil tem sido de barganhar com o Mercosul e com a recém criada Comunidade Sul-Americana para neutralizar o projeto anexionista do império norte-americano com a ALCA.

Julio Cesar de Freixo Lobo