A orgia dos banqueiros

 

Os banqueiros estão no clímax. A orgia sobre o país nunca foi tão carnal como no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Eles cobram as tarifas que querem, de quem querem, impõem taxas de juros que bem desejem e são isentos de impostos como ninguém. O parasitismo dos banqueiros e a farsa do ex-metalúrgico e seu governo trabalhista propiciam acúmulos de riquezas tão esmagadores aos primeiros que apenas o lucro de um banqueiro é superior a todas as verbas dos programas sociais para toda classe operária e camponesa. O lucro individual do maior banco do país é equivalente a toda verba social (Urbanização, Habitação, Saneamento Básico, Trabalho e Emprego, Reforma Agrária, Combate à Fome e Renda Mínima) de Lula.

Para Roberto Setúbal, dono do banco Itaú, que faturou um lucro líquido declarado (para efeito declaratório, não o real) de 3,8 bilhões de reais, e Marcio Cipriano, dono do Bradesco, que faturou limpinho 3,1 bilhões, “a política de juros altos está corretíssima...”. E é essa a linha de comando que o presidente Lula segue. Na semana passada, a taxa básica de juros (taxa Selic, que é regulada pelo Banco Central) subiu pela oitava vez consecutiva, o que vem ocorrendo desde setembro passado. Desta vez, o aumento foi de 0,25%, passando de 19,25% para 19,5%. Esta taxa não é só a maior do planeta, como também representa o dobro do segundo colocado mundial, a Turquia. 0,25% é nada, diz o banqueiro, mas ela significa um incremento de mais de R$ 500.000.000,00 (m-e-i-o bilhão de reais) para o pagamento dos juros e um aumento de mais de R$ 28.000.000.000,00 (v-i-n-t-e e o-i-t-o bilhões de reais), segundo diz o próprio Banco Central, no montante total da dívida do governo.

Poucos dias depois de liberar o aumento, Lula afirmou que em sã consciência ninguém pagaria mais do que 8% de juros... Lula não só se rendeu covardemente ao poder dos banqueiros, como se colocou de joelhos frente aos capas pretas do capital financeiro. Antes mesmo de tomar posse nomeou o banqueiro especulador, ou melhor, colocou o banqueiro mercenário Henrique Meirelles para cuidar do cofre público (Banco Central). A CPI (Comissão de Inquérito Parlamentar) do Sistema Financeiro, instalada ainda em 1999, tinha realizado levantamento denunciando que Meirelles tinha enviado ilegalmente para paraísos fiscais mais de 1,65 bilhões de reais (valor não atualizado), além de aumentar seu patrimônio em mais de 60 vezes em 5 anos (de 1996 a 2001). Nem João de Deus conseguiu enriquecer tanto em tão pouco tempo.

A partir do relatório final da CPI, o Ministério Público Federal abriu inquérito contra Meirelles por crime de evasão de divisas e crime de lavagem de dinheiro. No mesmo 2001, o banqueiro declarou ao imposto de renda que não tinha nada a declarar ao fisco do país porque passou a morar em sua pátria mãe, os Estados Unidos. No entanto, o banqueiro de Lula registrou neste mesmo ano no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás sua candidatura a deputado federal pelo PSDB (partido da direita neoliberal). Para se eleger e conquistar imunidade parlamentar, fez de tudo: comprou votos e usou escritório político, assessores e militantes financiados pelo Bank of Boston (EUA), o que é crime. Pintou e bordou e se elegeu. Mesmo cometendo crime eleitoral, crime por evasão de divisas e crime por lavagem de dinheiro, e corrompeu até as leis da física ao estar e não estar no mesmo lugar ao mesmo tempo, Lula lhe deu o caixa do governo e o poder de controlar as taxas de juros.

Os banqueiros se apropriaram nestes dois anos do governo Lula de 273,5 bilhões de reais, somente por conta de pagamentos dos juros (sem mexer no total da dívida), enquanto repassou em forma de compensação da pesada carga tributária pouco mais de 7 bilhões em todo seu governo sob a forma de “benefícios sociais”. Como dinheiro não cai do céu, apesar de Meirelles subverter até as leis da física, para pagar o aumento dos juros sobre a dívida pública o caminho é a expropriação de quem produz riqueza, os proletários, através do confisco puro e simples sob a forma da elevação da carga tributária. O lobo Meirelles controla a velocidade da transferência de riqueza aos banqueiros, segundo o aumento mais ou menos agudo da taxa Selic, enquanto o chapeuzinho vermelho Lula continua repetindo mil vezes que está distribuindo renda à população pobre.

A taxa de juros é por si só perversa, mas a promiscuidade entre governo e bancos cria outros mecanismos para aumentar a sangria. O governo vende títulos ao mercado para pagar a dívida pública, que sobem, como já se sabe, ao ritmo do aumento das taxas de juros. A única classe que tem condições financeiras para comprar os títulos públicos são os bancos, que acumulam mais e mais títulos. Para manter a credibilidade junto ao tal mercado, o governo diz que tem que recomprar seus próprios títulos das mãos dos banqueiros. Mas, os títulos já não custam mais aquele valor que o governo vendeu, estão acrescidos de juros sobre juros. Para conseguir dinheiro necessário para o novo valor, o governo aumenta os impostos sobre a única classe capaz de produzir riqueza, os proletários. Assim, o governo compra uma parte daqueles velhos títulos. A parte que não alcança, relança ao mercado sob a forma de novos títulos, que são readquiridos pelos mesmos banqueiros. Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a emissão de títulos neste ano ficou R$ 14,51 bilhões acima do total resgatado. O circulo vicioso recomeça de forma ampliada e a história se repete como uma farsa. Os banqueiros acumulam mais títulos e mais dinheiro com o aumento dos juros, o governo fica com mais dívida e sem títulos e os trabalhadores mais pobres para sustentar toda a farsa neoliberal.

Lula disse que “pobre não tem cartão de crédito”, esqueceu de dizer que com a política neoliberal também não tem mais salário, nem direitos, muito menos representante no governo. O governo continua pedindo paciência ao proletariado, mas não dá mais para fazer dívida para pagar dívida e não dá mais para vender nossos filhos a retalho para pagar impostos, tarifas e juros. Vivemos numa escravidão disfarçada. Não dá mais para ficar esperando novas e velhas promessas falsas do governo neoliberal, banqueiros, burgueses e latifundiários. Estes picaretas que nada produzem, além da enganação e divisão dos trabalhadores, e que vivem do parasitismo sobre a classe operária e camponesa. É chegada a hora de destruir toda exploração do sistema capitalista.

José Tafarel