A crise geral, a estratégia global dos EUA e o Brasil

Análise do Órgão Central do PCML sobre a atual conjuntura "A intensificação da crise geral do capitalismo no mundo tem elevado a tensão nas relações internacionais e internas de todos os países, principalmente, daqueles que subsistem sob regime capitalista. E, sob estas tensões, o fantasma da III Guerra Mundial ameaça, como a espada de Demócles, a cabeça de todos (...)"

A crise geral, a estratégia global dos EUA e o Brasil

Editorial

 

 

A intensificação da crise geral do capitalismo no mundo tem elevado a tensão nas relações internacionais e internas de todos os países, principalmente, daqueles que subsistem sob regime capitalista. E, sob estas tensões, o fantasma da III Guerra Mundial ameaça, como a espada de Demócles, a cabeça de todos.

Observa-se empíricamente este fato através da escalada de guerras imperialistas na Europa, Ásia, África e América Latina (de secessões e recolonização). A lista dos países em conflitos bélicos é imensa, basta ver os boletins da ONU e da OTAN. Mas não tão somente pelas guerras, de baixa e média intensidade, pode-se ter uma idéia da real dimensão da atual crise geral do capital e seus desdobramentos, igualmente também se pode inferir este fato das propostas que vão surgindo em resposta às contradições dos países imperialistas na cena histórica atual: tanto no plano econômico – a crise cíclica do capital (estagnação, recessão e depressão) na Alemanha, Japão e EUA – ; quanto no plano político – o desacordo sobre o Tratado de Kyoto e o Plano Antimíssil Global, aos quais se agregam o Plano de aliança militar independente da Europa e o “Plano Colômbia”.

O desacordo sobre estas propostas projeta uma crise política realmente global que, para além do episódio de apreensão pela China do avião espião americano e do histórico confronto comunismo versus capitalismo, indica a tendência quase inevitável de uma III Guerra mundial entre as potências capitalistas.

Desde a reestruturação econômica da Europa e Japão no curso do pós-guerra, anos 60/70, sobre novas bases industriais e matriz energética (a energia nuclear se destinou à produção industrial e não para fins militares), se observa um crescente desnível no padrão de acumulação de capital entre os principais centros econômicos mundiais, EUA, Alemanha e Japão, que se refletiu na formação de blocos econômicos: o Nafta, União Européia e Tigres. A dinâmica da economia acompanhou o ritmo das inovações tecnológicas, incrementando a extração da mais-valia e a taxa de transformação da mesma em capital (o padrão de acumulação, no estrito senso). Segundo o estudo realizado pelo Profº. Pirró e Longo, em curso de atualização da Escola Superior de Guerra (1991), “Desenvolvimento Científico e Tecnológico: Conseqüências Estratégicas e Perspectivas”, o nível de renovação tecnológica no Japão era em torno de 3 a 4 anos; na Europa, em torno de 4 a 5 anos; e nos EUA, em torno de 5 a 6 anos.

Como é sabido, o impacto da informática, robótica, cibernética e química fina, na produtividade industrial e na circulação de capital se fez sentir, enormemente, na redução do tempo socialmente necessário à produção de mercadorias, e sobretudo na ampliação do consumo produtivo (de matérias-primas industriais e da força de trabalho humano e mecânica), e no presente contexto de universalização dos métodos de trabalho e sistemas integrados de produção (Just in time, Kanban, Cad, Cam, Cim), de alta composição orgânica do capital, a matriz energética da sociedade torna-se decisiva na diferenciação dos padrões industriais e de acumulação (no lato senso).

Naturalmente, este fato explica a crise geral do capitalismo; porque ela iniciou na Ásia e somente agora chegou pra valer nos EUA, e ainda porque as propostas de superação da mesma por parte dos EUA, da UE e do Japão se opõem. Neste particular, a composição orgânica do capital como relação basal entre a força de trabalho (força muscular) e a máquina (força mecânica) no processo de produção, dá a medida do grau de dependência energética da sociedade. Logo, o caráter estratégico do controle e monopolização das fontes de energia e reservas; pois da mesma forma que se resolve a esgotabilidade da energia humana (operária) pela garantia da prole (reprodução humana) – leis de propriedade, trabalho e demografia (Marx demonstrou que a superpopulação relativa ou exército industrial de reserva é uma lei populacional específica do modo de produção capitalista) –; também se resolve o problema da perenidade das fontes de energia pelo controle monopolista das reservas existentes e das descobertas de novas fontes de energia, inclusive renováveis, com é o caso da água.

Em contradição, quanto mais precário o controle sobre as fontes e reservas de energia, maior o custo de produção e inviabilidade da acumulação de capital no país. Nestas circunstâncias, tudo se reduz ao teorema de Marx na Lei Geral da Acumulação, sobre a tendência decrescente da taxa de lucro, na razão entre capital variável (força de trabalho) e capital constante (máquinas e tecnologia) - composição orgânica do capital – e na relação entre o valor desta com o valor da mais valia extraída no processo. Numa expressão matemática: m/Cc+Cv; se m é constante (numerador), o quociente (resultado) sempre variará na ordem inversa do valor assumido por Cc+Cv (denominador); não importa quem se altere seja Cc ou Cv; ou ambos.

Portanto, para uma economia de alta composição orgânica e custos inviáveis devido à sua matriz energética, como os EUA, a saída é renovar o padrão industrial (e de acumulação) ou compensar estes custos através da superexploração de seus trabalhadores, ampliação de mercado de consumo e do controle sobre fontes de matérias-primas e energia.

Além disto, as dimensões do mercado global e a crise mundial acirram a competição interimperialista e intermonopolista, isto quer dizer, uma estratégia imperialista agressiva sobre o mercado mundial. Hoje as economias japonesa e alemã se tornaram mais dinâmicas do que a economia dos EUA. Nelas, o tempo socialmente necessário caiu e seus produtos invadiram os mercados mundiais a preços baixíssimos como se pode observar na atualidade. E justamente por isso, sobre eles mais rapidamente incidiu a Lei Geral da Acumulação Capitalista e a crise cíclica do capital. Historicamente, o ascenso da economia japonesa e alemã, no pós-guerra, que até certo ponto a Europa ocidental acompanhou, se sustentou na reconstrução da sociedade sob novas bases industriais e matriz energética. A proibição da utilização da energia nuclear para fins militares levou sua aplicação à indústria, estabelecendo novos paradigmas sociais. Já os EUA, pelo contrário, teve o padrão industrial reafirmado no processo e nele a energia combustível, o Petróleo, não renovável, constitui a força motriz da sociedade.

Tendo em vista este aspecto, quanto mais se torna precário o controle americano sobre as fontes de petróleo e outras fontes de energia alternativas, seja pela OPEP, seja pelo próprio Cartel das Sete Irmãs (Esso, Shell, Texaco, Móbil, Glaxxo, etc.), mais sua economia se torna vulnerável. Além disso, por “ironia do destino” quanto mais cresce a demanda por seus produtos (da indústria automotriz) e os países da periferia copiam seu padrão industrial, mais cresce a demanda pelo petróleo e, conseqüentemente, a perspectiva de escassez do produto, por conseguinte, mais incide a lei de mercado (oferta e procura) sobre os preços do petróleo, tornando insustentável sua economia.

Recentemente o experiente jornalista Newton Carlos, em artigo muito objetivo, como é de seu estilo, para o Jornal do Brasil, mostrou a precariedade do “Estilo americano”: apontou que os EUA com 4,5% da população mundial consomem 1/4 de todo o petróleo produzido; e que de 89 a 99 aumentaram em 11% seu consumo na década e diminuíram em 17% a produção interna; que suas necessidades de importação chegam a casa dos 522 milhões de toneladas (60% a mais que o extraído em casa). Ele assacou uma estatística da ONU que revela que um americano consome em média 600 litros de água por dia, enquanto os europeus consomem 200 e um malgache (habitante de Madagascar) 5 litros; que os EUA consomem 40% dos recursos do mundo e devoram energia per capita de 9,73 tep (ou toneladas equivalentes de petróleo por ano), enquanto os 48 países mais pobres consomem apenas 0,38 tep; e que cada americano necessita de tanta energia quanto 3 suíços, 4 italianos, 160 tanzanianos e 1.100 ruandeses. Finalmente, disse o jornalista, que embora os EUA disponham de alta tecnologia, ocupam o 32º lugar em eficiência energética e para produzir uma unidade do PIB, gastam o dobro da energia que gastam França e Itália; as emissões percápitas de gás carbônico são 27 vezes maiores “do que a cota sustentável no mundo equilibrado”. Para arrematar, enunciou a conclusão do estudo “Third Board Ressurgence”, de busca de alternativas para o universo pobre, que concluiu que: “o modelo dos EUA é simplesmente insustentável”.

Vê-se assim que a questão fundamental que está dividindo o mundo e que poderá acarretar numa grande transformação nas relações mundiais, inclusive dar lugar a uma nova Guerra Mundial, é a inviabilidade da economia dos EUA. Ela se constituiu no grande elefante branco do sistema capitalista mundial e para mantê-la, o mundo inteiro terá que pagar o dízimo da morte e da corrupção. Desde a década dos 70 e 80, o crescimento da economia mundial capitalista se fundamentou basicamente no dinamismo da economia do Japão e da Alemanha, que se fizeram acompanhar por seus respectivos blocos (Tigres Asiáticos e União Européia). A decadência da economia dos EUA neste período se mostrou plenamente na queda da sua participação no PIB Mundial de 1/3 para 1/4, enquanto crescia a participação do Japão (segundo maior PIB) e Alemanha (terceiro). Os reflexos de tal processo na luta pela hegemonia mundial não somente desencadearam uma política imperialista agressiva dos EUA, denominada de “reação americana”, que consistiu na mudança na economia política da política econômica keynesiana para a neoliberal (privatização, flexibilização e desregulamentação do trabalho) imposta a todos no mundo, como também na sua articulação no plano continental em termos de bloco econômico, o Nafta.

Claro que a política do “Big Stick” também acompanhou o processo, como demonstra sua ação na Líbia, Iraque, Panamá, Nicarágua, Somália... Mas, nem a política neoliberal ou sua articulação no Nafta significaria o que significou a rotulação de “Nova Economia” e de mais longo período de prosperidade da economia americana, desde do final dos anos 60, se a crise do Socialismo e a crise cíclica do capital no Japão e Europa não alterassem a correlação de forças e abrissem espaço lhe favorecendo, justamente, neste ínterim. Foi graças a elas, que sua economia se sustentou até o ano passado posando de império onde o sol nunca se põe.

A crise do final dos anos 80, no bloco socialista e no Japão, em parte, foi precipitada pelo monopólio americano sobre o capital financeiro mundial (sozinho controla 60% das emissões do capital monetária mundial e a moeda padrão das trocas internacionais, o dólar americano), foi ele que desencadeou o crack da Bolsa de Nova Iorque em 1987, e torrou de uma só vez 1/3 do PIB japonês, levando junto consigo a Europa a patinar na estagnação, acelerando a União Européia, até meados dos anos 90. Daí em diante o novo Crack financeiro em Hong Kong transformou os Tigres em protagonistas da festa de bancarrotas – Indonésia, Coréia do Sul, Malásia, Tailândia, etc. – seguidas pela a Europa do Leste – a Polônia, Checoslováquia, Iugoslávia e finalmente a Rússia. A ressaca da festança chegou à América Latina e ao Brasil, Paraguai, Equador, Bolívia, Peru e Argentina, levando “sangue novo” aos ianques.

Como desdobramento de todo este processo, o mundo capitalista viu projetar-se um novo referencial econômico socialista: a China; e o império dos EUA, que até o ano passado patinava ao som da lira neoliberal da mídia nazi-fascista e se alimentava da bancarrota dos países denominados “emergentes”, passou a viver o seu crepúsculo. O sol começava a ser pôr. Claro está que há muito o que se explicar sobre seu papel nas crises financeiras destes últimos anos, da artificial valorização do dólar, num quadro de dívida interna que supera três vezes seu Produto Interno Bruto e etc. Contudo o processo de crise, que iniciou nos anos 90 e se agravou nos últimos 3 anos, se prolongou a vida da economia dos EUA, parece que o fez meramente por picardia ou perversidade, pois tudo indica que da queda atual tão cedo não se levantará, mas viverá um período de fortes turbulências financeiras e possibilidade de um Crack ainda maior que o de 1998. E mesmo a correlação de forças favorecendo a reação mundial, sua opressão financeira e política neoliberal apenas acelera todo o processo de debacle do capitalismo. A falência do modo de produção burguês só têm agora a oferecer bancarrotas de países dominados (pelas dívidas internas e externas impagáveis), e a opressão militar, alimentando a constituição de milhares de vietnãs em todos os continentes, a exemplo das FARCs e ELN, na Colômbia; e os Zapatistas e EPRN, no México.

Neste contexto, a retomada do Plano de Guerra nas Estrelas pelos EUA não constitui perspectiva alguma para o desenvolvimento e bem estar da humanidade, pelo contrário, o limitado alcance estratégico da proposta: alimentar o elefante branco da economia americana, injetando gás na indústria bélica, apenas projeta o desejo de se tornar invulnerável militarmente e se manter na hegemonia mundial, recolocando na arena internacional a variável de risco de nova corrida armamentista. É uma proposta tão medíocre que sequer será apreciada seriamente pela UE. Ninguém na Europa está mais disposto, excetuando-se a Inglaterra, a apoiar a supremacia americana.

Quem acredite na sinceridade de Aznar e da burguesia na Polônia ou Romênia, ávidas para se garantirem do retorno inexorável ao comunismo, que fique certo: tudo não passa de demagogia. O próprio protagonista do Plano Antimíssil Global, George W. Bush Jr, é um estelionato eleitoral contra a maioria dos votos dos americanos. Sua limitada representatividade é uma extensão atual da expressão da oligarquia apodrecida do Texas, que vive a patrocinar golpes militares e a eleição de governos corruptos, ditatoriais e genocidas pelo mundo afora como foi o caso de Salinas de Gotary no México; Fujimori no Peru, e os atuais golpistas na Nigéria e etc. Portanto sua missão é conquistar a primazia das fontes de energia combustível e alternativas para permitir os fortes lucros industriais e financeiros deste setor do Petróleo. Assim, todo seu plano se resume a submeter pela hegemonia militar o mundo capitalista e socialista, e manter o padrão industrial e de acumulação falidos. Portanto, não poderá jamais chegar a um acordo sobre o Tratado de Kyoto, ou admitir a formação de uma aliança militar da Europa independente.

Portanto, a forte oposição ao plano estratégico global dos EUA exige um plano auxiliar que permita sua resistência por determinado tempo em que viverá a crise cíclica de sua indústria e inferno astral na política interna e externa, e este Plano é que se convencionou de “Plano Colômbia”. Esta estratégia intermediária do Plano Global Estratégico dos EUA para este período de crise é mais séria e abrangente do que se pensa; não se trata apenas de uma estratégia para se apoderar de fontes de matérias-primas e mercados do Cone Sul, mas de um movimento vital para a estratégia global dos ianques para manterem sua hegemonia econômica e política sobre o mundo: a UE e a Ásia capitalistas (Alemanha, França e Japão); principalmente o socialismo (China e Rússia). Quem fique na esfera do mercado, a ALCA versus Mercosul, e não se atente para o objetivo real do “Plano Colômbia”, não enxergará que a “Amazônia e a Cisplatina”, na atual conjuntura, para o Imperialismo americano representam o mesmo papel que representou a região do Renânia (Alsácia e Lorena) para a Alemanha Nazista antes de sua escalada de combate na II Guerra Mundial. Aqui, como diz Engels: “Quem vê a árvore não vê o bosque”. Limitar o Plano Colômbia também apenas ao seu aspecto anticomunista (o mais visível, pois se trata da sua escatologia) é pensar como Heost e as oligarquias dos EUA durante o início da II Guerra Mundial: “deixa o Hitler e seus exércitos nazistas exterminarem a URSS, os comunistas, que depois entramos na guerra e destruímos os nazistas e assim com uma cajadada se abate dois coelhos de uma só vez”. Mas este pensamento quase fez com que os EUA não saíssem do ovo e se não fosse Pearl Harbor, obrigando sua entrada na guerra, este comportamento oportunista lhes custariam um isolamento fatal: a Europa inteira se tornaria comunista, já que a URSS sozinha teria vencido o nazismo, como demonstrou a Batalha de Stalingrado em 1943. Foi assim que, mais uma vez, funcionou aquele antigo provérbio burguês: “é preciso fazer a revolução antes que o povo faça”.

No caso do Plano Colômbia, as oligarquias burguesas do Cone Sul correm o mesmo risco que correram os EUA na II Guerra. A diferença é que no presente caso, não haverá um Pearl Harbor no Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru e Equador para retirar as oligarquias burguesas do imobilismo oportunista, levantando-se contra os EUA. Esperar que ele destrua as forças revolucionárias e comunistas que se batem atualmente no continente contra o imperialismo ianque pode se constituir e seguramente se constituirá num suicídio econômico e político. Primeiro porque se os EUA levarem a cabo seu Plano com êxito, não haverá negociação em torno da Amazônia e da Cisplatina, mas anexação, pura e simplesmente.

Se a situação for ao contrário, o que é o mais provável devido à forte tendência à vietnamização do processo, o mesmo que aconteceu na “invasão à Baía dos Porcos”, em Cuba, poderá acontecer também na Colômbia e em outras regiões do continente, inclusive na própria Amazônia e na região do Prata. Neste caso, os EUA sofreriam uma vergonhosa derrota e a situação se tornaria mais complexa para a manobra das oligarquias. Sua alternativa num cenário como este é colaborar com a Revolução ou fugir para Miami. Naturalmente, os que tiverem coragem de organizar a contra-revolução interna sentirão todo o poder da Revolução contra si, como hoje os revolucionários sentimos toda a força do poder reacionário.

Mas, o que é mais importante destacar de todo este processo é que entre a recolonização imperialista e a revolução comunista, e no contexto da crise geral e da estratégia global dos EUA, há um espaço para uma ação política das oligarquias burguesas de caráter nacionalista e popular no continente, ao estilo de Hugo Chávez na Venezuela. Claro está que será um processo muito limitado e sua principal base de apoio será as forças populares e militares nacionalistas, acentuando o caráter reformista do processo. Mas este regime não será mais que uma ante-sala para o processo histórico principal: a revolução comunista. Veja-se, por exemplo, a inclinação do próprio governo brasileiro para a defesa do Mercosul frente a Alca; junte-se a isso a situação que vive Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai, onde sublevações populares já se fazem sentir nos distritos e províncias, todos os dias. Vejam ainda o que ocorreu no Peru com Fujimori e a triste sina de Eduardo Toledo, governar contra quem lhe apoiou: se governar a favor do povo terá que romper com os EUA, principal articulador de sua eleição; não ficará um ano no governo; se vacilar tanto com o povo quanto com os EUA, não ultrapassará dois anos de mandato, como ocorreu com o Collor de Mello no Brasil; por último, se romper com o povo e governar para o imperialismo, no máximo terminará seu mandato, se não sucumbir por uma rebelião popular. Sem dúvida, os povos dos países do Cone Sul parecem despertar de um sonho intenso para a realidade de opressão e miséria que vivemos sob os auspícios do imperialismo norte-americano. E, justamente, nesta hora falta-nos a arma principal – o Partido Comunista e organizações revolucionárias – para enfrentar o opressor imperialista.

Assim, diante da estratégia do Império dos EUA, resta aos povos da América Latina resistirem de todas as maneiras para não sucumbirem na escravidão neocolonial capitalista – O Brasil sem o Partido Comunista é um Zumbi sem a África, um Conselheiro sem Canudos ou um L. C. Prestes sem a Coluna. Enquanto este dilema persistir haverá espaço para regimes efêmeros, ora de avanços, como é o caso de Chávez na Venezuela, ora de recuo como é o caso de FHC no Brasil. E sobre esta dialética do desenvolvimento histórico, nossa tarefa fundamental é construir os dois elementos fundamentais para uma verdadeira luta de libertação nacional contra o imperialismo e o capitalismo: o Partido Comunista Marxista-Leninista do Brasil e as bases de um poder popular em alternativa ao poder burguês: o Congresso Contra o Neoliberalismo. E somente no processo de lutas, em especial, na luta por uma Greve Geral de massas que recoloque a classe operária na vanguarda do processo de transformações sociais no Brasil é que será possível constituir um governo revolucionário de caráter socialista-proletário. Se a crise energética na sociedade projeta sobre a economia nacional a dimensão da crise geral do capital e a estratégia global dos EUA (o Plano Colômbia), que se responda a ela da única maneira possível, declarando uma guerra sem quartéis a este Plano de morte sob a escravidão neocolonial.

 

Abaixo o Imperialismo Ianque! Abaixo o Plano Colômbia! Viva a unidade revolucionária na América Latina! Por uma Greve geral da classe operária e do povo pobre! Viva o Partido Comunista Marxista Leninista do Brasil! Viva a Revolução Comunista!

 

P.I. Bvilla
pelo OC do PCML