A Morte e Vida Comunista

Homenagem à querida camarada Elisa Branco, comunista histórica, membra do Comitê Central do PCML, falecida nessa semana. Até a vitória, camarada! Venceremos!

A Morte e Vida Comunista

Não era para ser assim, bem que ao nosso lado poderiam estar neste momento todos aqueles que, de uma forma ou de outra, são abalizadores de nossa luta contra o império da maldade em todas as suas dimensões, o império capitalista.

Como seria mais fácil para nós a presença de Luiz Carlos Prestes, Marighella, Mário Alves, Maurício Grabois, Lamarca, Olga Benário, Elisa Branco... nestes momentos em que a sociedade chega ao fundo do poço e os campeões da “moralidade burguesa”, que torturaram, mataram e usurparam o poder em nome desta “moralidade”, são pegos com a boca na botija violando todas as regras que eles mesmos professaram invioláveis. Sinceramente, não há termos de comparação...

O Movimento Comunista Internacional perdeu, nesta madrugada de quinta para sexta-feira, mais um de seus ícones e arquétipos revolucionários, e, como tal, abriu-se uma imensa lacuna em nossa luta... Morreu nossa querida camarada, combatente de toda vida, Elisa Branco.

Não era um quadro revolucionário que estivesse na moda, para os atuais aspirantes a revolucionários e comunistas e, muito menos, para os que trocaram de camisa e passaram a aceitar o dócil convívio com o sistema. Elisa Branco era um emblema que queimava nas mãos dos que renegavam o passado, seja por ignorância, seja por equívoco, ou sobretudo por traição. Era Comunista, Marxista-Leninista, Revolucionária até o final de sua vida. Não renegou o passado, não se aquietou diante dos erros do Partido, não abandonou seus princípios revolucionários, o marxismo-leninismo, e morreu sustentando a bandeira da revolução proletária, de Luiz Carlos Prestes, Olga Benário, através do Partido Comunista Marxista-Leninista do Brasil (PCML).

Elisa Branco foi uma espécie de Olga Benário brasileira, não somente pela ousadia de suas ações na luta revolucionária, que lhe conferiram brilho próprio entre estrelas e ícones da luta revolucionária no Brasil, como o próprio Prestes, Agliberto de Azevedo e tantos heróis da Revolução, que vinham do heróico levante insurrecional de 1935. Ela, que jovem assumiu a luta do pai durante os embates da ANL, se deu por inteira à luta revolucionária. E no momento em que a cena histórica mundial se dividiu sob o influxo da Guerra-Fria e os comunistas se tornavam a presa da caçada da burguesia nos países capitalistas, ela não vacilou e ostentou com toda força e abertamente a bandeira que viria a dominar a luta de classes nos últimos cinqüenta anos: a bandeira da Paz Mundial.

Foi num ato de coragem e heroísmo inegável que ela, apoiada num pequeno grupo revolucionário, protagonizou o célebre protesto contra o envio de tropas brasileiras para a Guerra na Coréia, que o imperialismo norte-americano patrocinava... E tudo isto num desfile de 7 de Setembro, em São Paulo. A faixa de protesto dizia: “Os soldados, nossos filhos, não irão para a Coréia”.

É claro que sua luta não se resume a este ato de bravura e heroísmo, pelo qual passou muitos anos presa e cujo resultado foi a tomada de posição de neutralidade do Brasil e o não envio de soldados para a Guerra imperialista contra a Coréia. Mas, sem dúvida, ele traduz um pouquinho o que foi a vida desta revolucionária e heroína brasileira durante toda sua vida.

Mas não apenas como revolucionária de ação deve ser lembrada, ela também foi mãe e esposa. Seus filhos e netos são prova de que não descuidou deles, mesmo nos momentos mais difíceis, os de perseguições, clandestinidade e prisões. Um caráter que não se compra, não se empresta e não se interpreta, identidade revolucionária intransferível.

E foi justamente por isso que durante sua prisão, quando da campanha pela Paz Mundial e contra o envio de soldados brasileiros para a Guerra na Coréia, se tornou o símbolo de uma campanha internacional pela paz e sua liberdade foi pedida em centenas de manifestações em todo o mundo... Seu nome e heroísmo, ao resistir a tudo na prisão, uniram o proletariado e os comunistas revolucionários. E foi por tudo isso também que Elisa Branco foi condecorada na URSS com a Medalha Lênin, a mais alta condecoração da Pátria do Proletariado.

Nossa camarada, mais que um simples nome foi, de fato, a expressão daquilo que o proletariado representa na história humana: vanguarda. Elisa, mais que ninguém, seguiu à risca a tradição de Anita Garibaldi, Olga Benário e de tantas proletárias humildes que não contam os livros de histórias ou jornais; foi guerreira, visionária, comunista e mulher; foi além de sua época, quebrando tabus e protagonizando eventos que emblemaram o símbolo da Paz Mundial. Elisa Branco, sem dúvida alguma, é uma Pomba Branca da Paz...

E hoje passa à História não como mais uma personalidade das tantas que se produzem nas ondas da mídia burguesa, mas como eterna lutadora e arquétipo que continuará a abalizar nossa luta, nosso caráter e nossa vida. Elisa Branco morre, mas vive em cada um de nós e em nossa luta. E quanto mais a sociedade brasileira se fratura em corrupção, egoísmo, maldade e exploração, mais seu nome, como o de tantos revolucionários em nossa história, vai se firmando como verdadeira referência das futuras gerações. Quanto mais o mundo é dominado pela soberba do lucro capitalista, do domínio imperial e da opressão humana, mais a Elisa Branco, como pomba da paz, se realçará na História. Esta é a nossa morte-vida comunista.


Viva Elisa Branco!

Viva a pomba da Paz!

Viva a luta do Proletariado Internacional!


Partido Comunista Marxista-Leninista