Osmar Rodrigues Cruz: Uma vida no teatro

Noite de festa, dia 21/05/01, no TPS-Av. Paulista, reuniu a classe teatral, amigos e familiares para o lançamento do livro Osmar Rodrigues, acontecimento literário da maior importância, em São Paulo, homenagem ao grande homem do teatro popular.

Uma vida no teatro

Por: Roberto Nogueira


Noite de festa, dia 21/05/01, no TPS-Av. Paulista, reuniu a classe teatral, amigos e familiares para o lançamento do livro Osmar Rodrigues, acontecimento literário da maior importância, em São Paulo, homenagem ao grande homem do teatro popular. A trajetória de um homem que viveu para o teatro e a luta para realizá-lo. Um visionário que lutou para levar o teatro ao povo, gratuito, de qualidade, desafiando tabus, preconceitos e dificuldades. Narrativa deliciosa, marcada por uma época de revoltas, revoluções e ditaduras. “A revolução dos tenentes durou dois meses, destruiu São Paulo, morreu gente, mas teve seu lado positivo, que foi a formação mais tarde da Coluna Prestes...apontada como modelo de guerrilha pelo Pentágono...”.

Conheci Osmar, em 1972, por intermédio de Iolanda Cardoso, eu trabalhava no Teatro Oficina, na Cia, de Pascoal Lourenço, fazendo teatro infantil aos sábados e domingos. Ela encenava à noite, no mesmo local, “Alzira Power” de Bivar, com estrondoso sucesso, e já ensaiava “Pequenos Assassinatos”, de Jules Pfeiffer, sob a direção do Osmar, que entraria em seguida naquele teatro, indicou-me para um pequeno papel (um hippie), tinha quatro ou cinco falas, na cena em Othon Bastos, e justamente na hora do sim acontecia um tiroteio e acabava com a festa. Não cheguei a receber o texto completo, apenas a página contendo minhas falas, mas assisti aos ensaios e pude ver a habilidade daquele homem no contato com todas aquelas estrelas que trabalhavam no espetáculo, aquele foi o meu primeiro trabalho como profissional, registrado em carteira, do qual me orgulho muito. Permaneci até o final da temporada e revelo agora o que escondi por muito tempo, entrei bem no teatro, digo isso porque nosso diretor nunca ficou sabendo, senão tinha apanhado dele. Naquela época fazíamos dois espetáculos no domingo, o primeiro, logo, logo às 18 horas, tinha dormido muito pouco na noite anterior e peguei no sono à tarde, acordei exatamente na hora em que a cortina se abria, levantei num salto, vesti a roupa em segundos, calcei sapatos como chinelos, e fui abotoando-me pelo corredor, corri da rua Rego Freitas à Jaceguai, quase cai na rua, me xingando de tudo quanto é nome pensando na justificativa para tão grande imprudência, quando cheguei ao teatro as portas estavam fechadas, e a peça correndo, acontece que a Oficina não tem entrada lateral para os artistas, é pela platéia. De repente a porta da bilheteria se abriu e Ana Bambrilla, e a Tereza, administradoras do espetáculo e do teatro, enfiaram-me na bilheteria, troquei-me de roupa em segundos, ajudado por elas, escondido na platéia esperei o black-out, e saltei para dentro do palco, quando a luz acendeu eu já estava na minha marcação e de copo na mão, era essa responsabilidade para com o teatro que nos fazia admirar o trabalho de diretores como Osmar Rodrigues da Cruz, que agora volta à cena com esse belíssimo livro, orgulho de todos nós.