1º de Maio de 2001 sob o manto cínico do capital (2ª parte)

No recente encontro para a formação da ALCA em Quebec, Canadá, o presidente dos EUA – cumprindo no posto a função para o qual o capital o designou! - declarou que é preciso “acabar com os protecionismos do trabalho e ecológico”. Não bastam, portanto, as pressões hoje existentes visando reduzir a escolho os instrumentos duramente construídos pelos trabalhadores na defesa de seus interesses. E, além de cobrar um aprofundamento do ataque contra sindicatos e partidos operários, o capital busca ampliar formas de destruição da natureza.

1º de Maio de 2001 sob o manto cínico do capital

Por: André Laino
Doutor e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)


Quatro aspectos podem facilitar o entendimento da mediação das classes hegemônicas capitalistas por meio do pós-modernismo

Em primeiro lugar, ocorreu a descaracterização e esvaziamento de individualidades e coletivos de trabalhadores, ocupados e preenchidos com o fragmentar. As mudanças e a crise atingiam toda a sociedade capitalista, e foram distribuídas de forma equânime para todas as camadas e classes sociais. Quanto às diferenças entre camadas e classes sociais nas condições e capacidades de enfrentamento de tais mudanças, nada era levantado ou revelado. Diferenças, por exemplo, entre recursos pretéritos acumulados não foram considerados. Predominou a indistinção de meios sociais e psicológicos entre trabalhadores, ou entre estes e camadas médias, no lidar com questões suscitadas por tais transformações. Estas eram diluídas em iguais proporções. Tais generalizações aplicaram-se às perdas. Estas eram abordadas sob o pressuposto que, o vazio individual e coletivo seria preenchido por uma auto-estima e auto-identidade fragmentar mas “universal”. Nestes pontos de sustentação das relações entre trabalho e sociedade, todos se igualavam, nas perdas que apresentavam. A imprecisão é intencional: visa esconder como os trabalhadores foram os que mais sofreram com tais mudanças. Foram tragados pelas alterações de parâmetros, e para os quais nada tinham para colocar no lugar. Nesse vazio ergueu-se, então, a base de sustentação das retóricas da cultura pós-moderna: fragmentação, flutuação, descolamento e descompromisso. Estes, colocados sob a égide isolada e praticamente incontestada do capital, foram sendo imprimidas a toda sociedade. Sempre sob o manto da desfaçatez e do cinismo de não fazerem quaisquer discriminações. Inclusive com uma gradualidade democrática. Claro que tudo isso na medida em que não tinha opositores!

Em segundo lugar, temos o processo mais sofisticado e que, de certa forma, veio na esteira do anterior. Trata-se de buscar a articulação entre, a eliminação das classes sociais com os “fins” das teorias ou sujeitos. Para isso, foi fundamental o vazio gerado pela perda de identidade construída nas lutas de posições entre classe trabalhadora e classe dominante. O “fim” dos sujeitos foi precedido de um esmaecimento daqueles aspectos que, cognitivamente, haviam permitido demarcar diferenças de classes sociais, e sobre as quais estas organizavam as formas de sustentação, amparo e justificativa de suas ações políticas. E, uma vez aberta a porteira, toda a boiada veio atrás! Ou seja, outros “fins” vieram rapidamente se acrescentando àquele: fim das próprias classes sociais, fim da história, fim da ciência, etc. A matriz geradora dos “fins” das teorias está no sucateamento do modelo de estrutura de lutas de classes que, por mais de duas gerações, socializou e configurou as relações de classe de muitas sociedades capitalistas do modernismo. Naquela estrutura, tanto os trabalhadores quanto os capitalistas encontravam o manancial dos seus referenciais, e sobre os quais erigiram suas percepções. Estas, por sua vez, eram a matriz básica norteadora de suas posições, argumentações e atuações políticas.