Stoklos brilha em Havana

A atriz brasileira Denise Stoklos é excepcional, e o teatro realmente lhe vem a calhar, desde o texto, passando pela coreografia e direção, até a interpretação.

Stoklos brilha em Havana

Cedido por: Granma Internacional



A atriz brasileira Denise Stoklos é excepcional, e o teatro realmente lhe vem a calhar, desde o texto, passando pela coreografia e direção, até a interpretação.

Pela segunda vez em Cuba, convidada agora para a temporada Maio Teatral, patrocinada pela Casa das Américas, Stoklos apresentou nesta cidade a obra Um fax para Cristóvão Colombo, uma metáfora que corre desde os tempos da descoberta da América pelo conquistador espanhol até nossos dias.

Para Stoklos, Colombo é o ponto de partida para se adentrar num monólogo de uma hora de duração, que reflete cada segundo de extermínio e corrupção dos governos latino-americanos de ocasião, incluindo esses que, com nome de democráticos, se ajoelham e vivem das esmolas do poderio dos Estados Unidos.

Contudo, o poder norte-americano não é o único que é bem espelhado na narração da brasileira, quem do seu ponto de vista, também se envolve com aquelas nações européias que aplicaram o chicote nas terras africanas.

Poesia e humor, dramatismo e realismo ao mais puro estilo brechtiano, confluem no texto da criadora da obra Um orgasmo adulto escapou do Zoológico, o qual vem à tona em meio a um diálogo, às vezes, muito próximo da novela e que, graças às suas qualidades artísticas, sobrevivem ao naufrágio do aborrecimento.

Considerada pela crítica «a brasileira inovadora do teatro», autora do Teatro Essencial, Denise Stoklos faz um apelo à vida e à liberdade, um apelo à humanidade, à justiça social, a partir da idéia de que, enquanto houver vida, haverá esperanças de levar à frente projetos mais justos.

Com base em códigos visuais que demonstram que, dentro do teatro, movimenta-se com a mesma soltura do peixe na água, Stoklos analisa a distância cada vez maior entre pobres e ricos, estes últimos pendentes dos modelos e modas importados das nações do primeiro mundo.

O papel do artista e do teatro na sociedade também não é alheio à atriz, capaz de lotar com sua forte personalidade e apresentação no palco a sala Covarrubias do teatro Nacional desta cidade, um espaço não muito confortável para assistir a intimidade a que convida uma representação unipessoal.

Ela cativa com seu discurso hilariante, atropelado. Lê, faz repentismo, declama, ri e zomba, enquanto o espectador, em sua poltrona, fica admirado com a presença de uma atriz brilhante e bate palmas em cada um dos apelos à consciência do homem.

O Maio Teatral convocou companhias latino-americanas de renome internacional à capital cubana, como a La Candelaria (Colômbia), Malayerba (Equador) e Yuyachkani (Peru), bem como a atriz argentina Ana Woolf, quem apresentara o monólogo Semillas de la memoria.

A mexicana Astrid Hadad com a peça Heavy Nopal passou a ser uma das mais divulgadas pelo público, híbrido que a levará pelos palcos do mundo: a arte do cabaré.