1964: a vingança como programa de revolução

A Revolução de 1964, não sei bem porquê é chamada de revolução, serviu mais a qualquer outro fim a um programa de vingança. Ela perseguiu especialmente pessoas que tinham desagradado os personagens que tomaram conta do Movimento que, à falta de melhor orientação, seria ajustado aos seus propósitos o de criar rótulos suspeitos para pessoas qualificadas como subversivas, condição derivada apenas de posições liberais, tomado o termo no sentido de tolerância em face de opiniões divergentes, especialmente como filiados a partidos considerados de esquerda.

A Revolução de 1964, não sei bem porquê é chamada de revolução, serviu mais a qualquer outro fim a um programa de vingança. Ela perseguiu especialmente pessoas que tinham desagradado os personagens que tomaram conta do Movimento que, à falta de melhor orientação, seria ajustado aos seus propósitos o de criar rótulos suspeitos para pessoas qualificadas como subversivas, condição derivada apenas de posições liberais, tomado o termo no sentido de tolerância em face de opiniões divergentes, especialmente como filiados a partidos considerados de esquerda.

Nenhum conceito ideológico serviu aos partidários da chamada Revolução. Nada que pudesse ser definido como reacionário ou fascista como na ocasião foi qualificado. Só preconceito e atraso. Esse preconceito servia exemplarmente às campanhas pretensamente ideológicas alimentadas pela propaganda norte-americana, cujo embaixador se orientava pelo interesse de criar adversários da política de seu país que servia a verdadeira superstição relativamente a conceitos como reformas de base e outras, reformas progressistas na suposição de que tudo que versava sobre o progresso era de inspiração comunista.

Pessoas apenas interessadas na harmonia entre os povos eram qualificadas como inspiradas em credos perniciosos à democarcia, forçando uma posição e conflito positivamente falso de maneira a condenar antecipadamente o que seria somente opinião razoável do ponto de vista político e moral.

Não foi uma Revolução. Foi menos que uma quartelada. Na verdade, foi um Movimento inspirado no ódio, a serviço do estrangeiro interessado em criar no país uma potência subjugada para melhor servir aos interesses da potência dominadora.

As consequências da chamada Revolução, fiéis à orientação do Movimento, foram tortuosas e ainda hoje permanecem como fator de infelicidade dos destinos desta nação.

 

José de Aguiar Dias (Ministro do Tribunal Superior de Justiça e

aposentado pela Revolução no seu 1o ato)

Matéria publicada na edição 28 do Jornal Inverta em 1º de abril de 1994