CUT/RJ derrota articulação

Após o III Congresso Nacional da Central Única dos Trabalhadores, delineou-se um quadro de incertezas e indefinições políticas que desgastaram as lideranças e afastaram a base do movimento.


Num clima de contagem de votos, a "articulação", para manter sua hegemonia nacionalmente, tenta inviabilizar a participação da totalidade das delegações de Minas Gerais e Bahia ao CONCUT. No Rio de Janeiro, tentaram fazer o mesmo, más os setores à esquerda se unificaram contra essa política hegemonista e de conciliação de classes.


Neste cenário foram realizados os Congressos Estaduais cujos objetivos foram: tirar delegados ao IV CONCUT — forma antidemocrática que determinou, antecipadamente, a correlação de forças, ao nível nacional, entre as correntes da CUT — e eleger as direções estaduais.

A falta de democracia interna, o burocratismo e a mercantilização da CUT alijaram do VII CECUT vários sindicatos e oposições sindicais importantes: rodoviários, químicos, aeroportuários, borracheiros, metroviários, ferroviários, comerciários, têxteis, etc. mudando assim o perfil do Congresso, composto na maioria por funcionários públicos e membros de direção, o que comprova, inequivocamente, o afastamento da base e a elitização do movimento. Dos 508 delegados inscritos, apenas 474 foram credenciados.


Se o que estava em jogo era a tirada de delegados para o Congresso Nacional, a discussão política não foi priorizada, embora as teses abordassem temas polêmicos como: Leste-Europeu, concepção e prática sindical, estratégia e plano de lutas, etc. reduzindo-se o Congresso a uma plenária sobre:

tese-guia, pacto social, e postura da CUT frente ao governo do Estado.


Mas, a cada manobra tentada, às vezes conseguido pelo setor social-democrata, os setores à esquerda se unificavam em torno de pontos fundamentais: democracia interna, proporcionalidade qualificada, contra a conciliação de classes, em defesa do Socialismo, delineando assim a chapa de oposição, que obteve 249 votos de um total de 457 votantes.


O que resultou deste processo foi uma direção fragilizada, sem unidade política (mesmo nos setores à esquerda) não lhes assegurando o comando da CUT. Portanto, um crescimento relativo da esquerda aqui no Rio de Janeiro.



O novo presidente da CUT/RJ Washington da Costa

O novo presidente da CUT/RJ Washington da Costa


IV CONCUT: "... a expectativa é de que reafirme os princípios da CUT: a luta pelo Socialismo, a independência de classe e a democracia inter na. E para garantir a democracia é necessário mudar os estatutos".

Política da "articulação": "combatemos a política hegemonista da "articulação" e das diversas forças políticas dentro da Central, inclusive a nossa, dentro dos sindicatos"


Aliança dos setores de esquerda no RJ: "foi importante a vitória aqui, mas reconheço que a "articulação" tem um trabalho ao nível nacional, um peso no movimento e é um setor fundamental na CUT. Temos que dinamizar essa aliança e nós podemos dar essa dinâmica.


Política da CUT/RJ: "cumprir as resoluções nacionais do Congresso se fóruns deliberativos. Discutir e fazer, a direção funcionar de maneira colegiada, garantindo a unidade de ação".