À CLASSE PROLETÁRIA

Texto da Organização Popular prá Lutar (OOPL)

 

 

Os movimentos popular e sindical brasileiro vêem-se hoje frente a dois níveis de questões às quais devem responder:

 

1— Ao nível do movimento em geral, às várias conjunturas que se apresentam dinâmicas, envolventes e contundentes;

2— Ao nível mais específico, a defesa do espaço político de representação das lutas da população em geral e dos trabalhadores em particular.

 

Não obstante esta necessidade, nem o movimento sindical, nem o movimento popular, de forma organizada, conseguem responder a esta questões. Com efeito, os setores que ora disputam a direções dos movimentos têm, frente a esta conjuntura, seus níveis de intervenção bastante limitados. De um lado, os setores da chamada "Política de Resultados" ao priorizarem as lutas institucionais (ações na justiça, reuniões de gabinetes, fóruns governamentais ou não, etc), acabam sem fôlego, perdidos num emaranhado de leis e regulamentos. Ocupam o espaço na mídia, mas não se vinculam às lutas das bases.

 

Por outro lado, decresce a representatividade dos setores mais avançados do Movimento, frente à Conjuntura desfavorável para o Socialismo, inclusive aos últimos acontecimentos na URSS.

Com efeito, se por um lado a "política de resultados" (econômicos e/ou eleitorais) não consegue dar direcionamento ao movimento por serem as suas formas de lutas incompatíveis com as lutas que estão colocadas pela população, tão pouco o conseguem os setores mais avançados que, isolados frente à conjuntura adversa ao Socialismo, têm sua capacidade de intervenção debilitada e definhante.

 

Desta forma, os direcionamentos políticos não conseguem atingir hoje sequer uma pequena parcela das lutas dos trabalhadores e da população em geral. As greves continuam a acontecer, na maioria das vezes, à revelia dos Sindicatos ou contra a vontade de suas direções, assim como as manifestações, ocupações, os fechamentos de ruas, os saques, sem que as entidades representativas dos movimentos populares, na maioria das vezes, tomem conhecimento ou intervenham dando direcionamento.

 

Assim, os movimentos popular e sindical brasileiro vivem momentos decisivos, e sua sobrevivência — enquanto forma participativa e de articulação e direcionamento das lutas legítimas da população em geral e dos trabalhadores em particular — depende de dois desdobramentos imediatos e consecutivos: primeiro, da falência da "política de resultados", que pela sua política de alianças e conciliação com o sistema vigente, não oferece perspectivas a médio e longo prazo para os trabalhadores; e a persistência dos setores revolucionários, que ora debilitados, têm sua sobrevivência condicionada a elaboração de uma linha de intervenção unificada ao nível do movimento, a uma ação prática unificada dos diversos setores avançados em cada movimento, e a construção de uma forma de articulação entre os vários setores revolucionários no interior destes movimentos. Em outras palavras: é momento de Unificação.

 

OPPL — Organização Popular Prá Lutar