Reunião dos 7 não muda hegemonia mundial

Ao nível da conjuntura internacional, a reunião das 7 potências imperialistas não trouxe nenhum dado novo. As decisões em torno de questões pendentes e indefinidas do capitalismo não aconteceram.

 

Reafirmou-se o modelo neoliberal imposto às economias periféricas, expresso nas determinações do papel do FMI para as negociações da dívida externa, que continuará determinando a recessão como instrumento fundamental para o pagamento da dívida; na privatização de estatais que passarão diretamente para as mãos das empresas multinacionais a fim de espoliarem intensivamente os trabalhadores da periferia; na redução dos déficits públicos com demissões em massa dos trabalhadores públicos e aumento de impostos; fim dos subsídios à produção agrícola que extingue o pequeno camponês e desemprega massa de trabalhadores rurais.


A continuidade deste modelo para resolver as crises das periferias, que já mostrou os seus limites nos centros, resultará no aprofundamento das contradições entre capital e trabalho nestes países, com mais arrocho salarial, desemprego e exploração intensiva dos trabalhadores de toda a periferia. Portanto, um quadro de miserabilização crescente das massas trabalhadoras, em geral, e da classe operária em particular, em face da crise que já atravessa os centros imperialistas.


Sob um discurso democrático e com propostas humanitárias vazias, o documento apresentado ressalta as imposições necessárias para manter os trabalhadores e as periferias sob o jugo da burguesia imperialista. A guerra ao narcotráfico reforça a intervenção direta do imperialismo nos países em que o tráfico funciona como meio de sobrevivência para as burguesias nativas e visa manter o controle da fuga de divisas para o mercado informal. O combate ao terrorismo é, na verdade, o veículo para expurgar a organização dos trabalhadores e a matança de comunistas revolucionários nestes países. O apoio que pretendem dar à democracia não-racista na África do Sul será condicionado ao desenvolvimento do modelo político-econômico que atende às minorias, logo, tanto faz ser dirigido por um branco ou negro, pois assegura os privilégios da minoria branca; a maioria negra empobrecida continuará oprimida.


A ênfase no campo energético demonstra o conflito inter-imperialista no domínio das fontes de energia atuais — o petróleo e na aquisição de novas fontes — a energia nuclear.

A URSS, mesmo com a sua crise econômica, detém know how avançado na tecnologia nuclear e a crise interna que atravessa a deixa vulnerável às investidas do capitalismo neste setor.

A imposição do grupo de condicionar a ajuda financeira à URSS via retorno à economia de mercado, visa ao mesmo tempo consolidar ideologicamente o predomínio de um sistema sobre o outro, integrá-la via FMI e Banco Mundial, a um modelo que a torne uma periferia do sistema e conseqüentemente dominar suas largas fontes de matéria-prima e seus conhecimentos na área nuclear.


As conclusões que podemos extrair do encontro é que ainda não houve alteração na correlação de forças na disputa da hegemonia do mundo capitalista. O que nos deixa a perspectiva do impasse ser resolvido com a nova partilha do mundo que acontecerá no Brasil em 92, na Conferência da ONU sobre meio ambiente.


Márcia Silva dos Santos Professora