Acontecimentos na URSS dividirá mais os PCs

Durante 73 anos a URSS foi vista como sustentáculo político, ideológico e/ou econômico para o Movimento Comunista Internacional. Os Partidos Comunistas, assim como os seus adversários, tiveram como referencial o PC da União Soviética.

Os primeiros, para copiá-lo e os segundos para combater o avanço inexorável do Comunismo no mundo. Este fato, associado a métodos incorretos de análise da realidade (frágil domínio da teoria Marxista), levou os PCs de vários países capitalistas a cometerem erros táticos os quais dificultaram ou até desviaram o curso dos processos revolucionários iminentes. No Chile, no Brasil, na Argentina, na Itália, na Espanha, etc. sofreram cisões radicais por erros de análises onde o dado fundamental era a transposição mecânica da realidade — enquanto o PCUS tinha suas atividades em uma Sociedade Socialista, os outros a exerciam em Sociedades Capitalistas — valores diferentes, realidades diferentes, culturas diferentes.


Quando agora, após os acontecimentos do Leste-Europeu, a Mídia enfoca o "golpe" na URSS e logo em seguida o seu fracasso, os PCs do mundo inteiro são pegos de surpresa. Uns vibram, outros condenam, outros calam.


Quando a Mídia enfoca a dissolução do PCUS na Rússia e o desmantelamento do "Poder Soviético", alguns PCs se frustram e se retraem, outros respiram aliviados e acenam para a social-democracia e ainda outros se sentem perdidos.


A despeito destas posições, fruto da incompreensão da Glasnost e da Perestróika ou ainda de sua interpretação mecânica, o fato é que a conjuntura que se apresentou com estes últimos acontecimentos é de isolamento, repressão política e/ou psicológica aos comunistas revolucionários ao nível mundial. De um lado, pela direita, que pela conjuntura de contra-revolução, tentará espremer ao máximo estes setores do cenário político. De outro, internamente nos partidos, a disputa entre os setores ortodoxos e os reformistas coloca os primeiros em desvantagens frente aos últimos. Assim, os PCs, além de enfrentarem o perigo externo, têm que enfrentar ainda a 5ª coluna.

Deste modo, na Itália o PCI que já foi o maior Partido Comunista do Ocidente, hoje divide-se entre o PDS (Partido Democrático de Esquerda) e a Frente Refundação Comunista: entre a crítica do "golpe" e a crítica do Boris Yeltsin ao fechar o PRAVDA e colocar o PCUS na ilegalidade na Rússia.


Na França o PCF, com a queda do PCUS (fato considerado pelo Partido como um avanço do Capitalismo Selvagem na URSS), expõe-se ao assédio.


Na Espanha, o PCE, à beira da dissolução, dividido, pode ser assimilado pelo grupo Esquerda Unida (EU).


No Brasil, o PC do B chegou a exaltar o "golpe" como sendo um avanço da revolução na União Soviética, para logo em seguida, com o seu fracasso, passar a acusar o Gorbatchev de

"agente do imperialismo".


O PCB, cujo processo de desintegração já estava em curso antes do VII Congresso, vê crescer em seu interior os setores que querem acabar com a foice e o martelo e abandonar a sigla. No Congresso marcado para o final de 91, o "racha" pode ser inevitável.


Dentro do PT, os setores Socialistas (CS, DS) são espremidos e têm seus dias contados no interior do partido, pois a articulação, setor à direita, planeja expurgar todas as tendências e

tornar-se o PT.


Desta forma, o movimento comunista ao nível internacional e no Brasil deve sofrer sérias baixas. Entretanto, dialeticamente, esta mesma conjuntura fará brotar as condições de sua reestruturação, tanto aqui como em outros países, principalmente na URSS.


Celso Felizola Engenheiro