PM reprime manifestação estudantil na UNIFESP
Essa matéria foi publicada na Edição 460 do Jornal Inverta, em 03/08/2012A PM e sua truculência bárbara colocaram em prática aquele dia todo seu ódio e seu treinamento contra o movimento social.
No mesmo dia (14/07) em que a Organização das Nações Unidas (ONU) declara que é necessário o fim da Polícia Militar no Brasil, ocorre mais um ato de forte repressão exercido pelo Estado e essa instituição militar, no qual policiais militares são chamados para reprimir uma manifestação de estudantes na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)- Campus Guarulhos.
Após uma assembleia inter campi ocorrida no campus de Guarulhos, alguns estudantes que estão ligados ao comando de greve estudantil fizeram um ato em frente à diretoria cobrando respostas sobre suas reivindicações. Com a inacreditável desculpa dada pelo diretor acadêmico Sr. Marcos Cezar de Freitas, de que a diretoria estava sendo coagida e sob cárcere privado, a PM é convocada para retirar os estudantes do campus.
Após uma série palavras de ordem contra a entrada da PM no campus, um policial de uma forma truculenta agarra uma estudante e a arrasta até uma viatura. Nesse momento, todo o contingente policial que estava no campus começa a soltar bombas de efeito moral e a disparar tiros de borracha contra a manifestação estudantil. Até um jovem que estava apenas no local checando o resultado de sua prova de mestrado entrou na “dança”, foi atingido por um tiro no rosto. A PM e sua truculência bárbara colocaram em prática aquele dia todo seu ódio e seu treinamento contra o movimento social. Um grupo de 25 estudantes foi detido e levado para a Polícia Federal da Lapa, onde foram acusados de depredação do patrimônio público e formação de quadrilha.
Esse enquadramento é claramente um modo de coagir e criminalizar toda e qualquer forma de luta dos movimentos sociais. O Estado brasileiro ainda continua nos mesmos moldes da ditadura, caçando aqueles que lutam contra a ordem vigente.
Após o ocorrido, o movimento estudantil ficou ao léu na Universidade, por não haver um respaldo maior por parte da base ao comando de greve - de caráter ilegítimo, oportunista e esquerdista - prolongando ainda mais a greve que dura mais de três meses. Para piorar a situação no campus, o diretor acadêmico, de forma arbitrária e com respaldo da Reitoria, interdita-o, e passa a não permitir a entrada no local em determinado horário e a exigir identificação na portaria com um dos seguranças daqueles que por ventura chegam a entrar. Não se pode esquecer que trata-se de uma universidade pública, na qual todos têm o direito de entrar e sair a qualquer momento.
É evidente ser necessário um trabalho de formação política e de base para fortalecer a luta dos estudantes da UNIFESP, já que apenas com um movimento unido e coeso poderá haver conquistas. Nesse momento o dever é retomar o espaço público da Universidade e retirar das mãos dos oportunistas o movimento estudantil, para assim avançar com norte consciente e de luta verdadeira, saindo do discurso para a prática revolucionária. Apenas com esses direcionamentos os estudantes romperão com a opressão que há dentro das universidades e auxiliarão na luta maior, que é a tomada do poder pelo proletariado.
Diego Becker

