Baixada Fluminense celebra o histórico 5 de Julho!
Essa matéria foi publicada na Edição 460 do Jornal Inverta, em 03/08/2012
No dia 5 de Julho passado, o Partido Comunista Marxista-Leninista (Br), a Juventude 5 de Julho – RJ e o Comitê de Luta Contra o Neoliberalismo de Nova Iguaçu realizaram na Praça Ruy Barbosa, neste município da Baixada Fluminense uma atividade em homenagem ao 5 de Julho, que contou com a presença de representantes das organizações envolvidas no ato, que falaram com as pessoas que passavam pela praça no final da tarde de mais um dia de trabalho e que foram bastante receptivas às nossas palavras que contavam um pouco da historia da data e da atual situação dos trabalhadores em todo o mundo, especialmente, o Brasil no momento da crise estrutural do capital pela qual as economias estão mergulhadas e apontando para o caminho da organização e luta, assim como em 1922, 1924 e 1935. Também se mostraram receptivos a distribuição do Jornal Inverta realizada nos arredores da praça. Vale destacar que o Inverta tem sua raiz na baixada Fluminense, onde foi fundado por trabalhadores e intelectuais a serviço do proletariado há 21 anos. Também fez parte do ato de encenação da peça “Indignação a vapor” pela Companhia EM PARTE, também de Nova Iguaçu, que fala sobre o cotidiano do trabalhador que acabou de perder o emprego. No fim do ato, foi cantado o hino dos trabalhadores de todo o mundo: A Internacional Comunista, fechando assim sob aplausos tão importante celebração.
O ato público celebrou junto ao povoas datas históricas das lutas anti-imperialistas em nosso país ocorridas em três datas marcantes: O 5 de Julho de 1922, data que cumpre este ano 90 anos de seu desenlace, onde mais de 300 integrantes da Marinha rebelaram-se no Forte de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro contra as oligarquias da República Velha, que há décadas controlavam o país e também contra os maus tratos que recebiam por parte de seus superiores. O movimento, considerado o primeiro de caráter tenentista, ficou conhecido como “Os 18 do Forte” e é assim chamado, pois, após resistirem às tropas leais ao governo federal, sob intenso bombardeio, os militares resolveram mudar de tática e liberando aqueles que quisessem partir, para evitar um massacre, 17 militares saíram às ruas do famoso bairro carioca para a luta aberta, onde receberam a adesão ainda de um civil para a sua causa. O desfecho de tamanha ousadia e coragem foi a morte de 16 dos 18 integrantes do grupo em revolta.
A segunda data histórica envolvendo o 5 de Julho ocorre exatamente dois anos mais tarde, e ainda com um enfoque no movimento tenentista e a luta antioligárquica em nosso país, entretanto, desta vez, com um caráter mais abrangente, envolvendo outros setores do militarismo em nível nacional e com maior sucesso em seu desfecho em nível geral. Tem inicio em 5 de julho de 1924, exatamente dois anos depois do levante do Forte de Copacabana, mas, desta vez, em São Paulo, alastrando-se para Mato Grosso, Sergipe, Amazonas e Rio Grande do Sul. Em São Paulo, foco principal de luta, com o apoio popular, as forças revolucionárias controlaram a cidade e resistiram durante 22 dias a intenso bombardeio, mas após serem cercados, em 27 de julho teve fim esta etapa da revolução e as tropas paulistas seguiram, então, para o Paraná, onde se encontram com as tropas gaúchas sob o comando do Capitão Luiz Carlos Prestes, que durante os acontecimentos daquele ano aparece, pela primeira vez no cenário político e de luta revolucionária em nosso país, para ficar eternamente marcado em nossa história ao tomar a cidade de Santo Ângelo, e lançar um manifesto contra o capitalismo estrangeiro, que já nessa época estendia seus tentáculos sobre o Brasil sugando nossas riquezas. Prestes, por ocasião da tomada de Santo Ângelo, controlou a cidade por três dias e ao retirar-se após este tempo, uniu-se com seus camaradas de luta às tropas paulistas, dando início assim, ao episódio mais marcante dos movimentos revolucionários do nosso país durante este período: A Coluna Prestes, que com cerca de 1.500 homens, seguindo pelo atual Mato Grosso do Sul, atravessa o país até o Maranhão, percorre parte do Nordeste, retorna a partir de Minas Gerais, refaz parte do trajeto da ida e cruza a fronteira com a Bolívia, em fevereiro de 1927, numa marcha de mais de 25.000 km, enfrentando durante todo este tempo tropas regulares do Exército, ao lado de forças policiais dos estados e até mesmo jagunços a serviço dos famosos “coronéis” do interior brasileiro, sem jamais ter sido vencida, sendo por isso chamada de “A Coluna Invicta”.
Já em 1935, resgatando as lutas do 5 de julho de 1922 e de 1924, Prestes, já dentro dos ideais de luta do comunismo, funda a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e através dela lança o Manifesto de 5 de Julho, conclamando as massas à luta contra o imperialismo e pela Revolução Proletária. As lutas iniciam-se em Natal, no dia 23 de novembro no 21° Batalhão de Caçadores, sendo instalado um governo popular revolucionário. Três dias depois da eclosão do levante, civis e militares do Recife também iniciaram um movimento visando à derrubada do governo. Na madrugada do dia 24 de novembro, os levantes chegaram ao Rio de Janeiro, então Distrito Federal, onde foram deflagrados ataques ao 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha; ao 2º Regimento de Infantaria e ao Batalhão de Comunicações, na Vila Militar; e à Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos. Entretanto, equívocos de estratégia na organização dos levantes fizeram com que os movimentos ocorridos naquele ano não obtivessem os efeitos planejados, mas, apesar disso, demonstraram, assim como os que o antecederam, a insatisfação do povo brasileiro diante do cenário vivido durante os últimos anos da República Velha e primeiros anos da ditadura Vargas e são motivos de exemplo e orgulho para todos que sonham ainda hoje com um país mais justo.
Juventude 5 de Julho-RJ

