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Entrevista: Marx foi realmente o maior gênio da humanidade

Essa matéria foi publicada na Edição 460 do Jornal Inverta, em 03/08/2012

Entrevista com o economista e pesquisador Aristeu Barretto de Almeida, autor de Qual o melhor: Capitalismo ou Comunismo? , livro da Editora Inverta lançado.



INV - Como surgiu a ideia desse trabalho?
AB -
Surgiu da seguinte maneira: sempre considerei a figura de Stalin muito importante, mas essa figura foi sempre tremendamente combatida, não só pelas pessoas conservadoras, mas também por muitos socialistas que não entenderam sua política, que foi necessária para abreviar a transformação do mundo capitalista, do mundo egoísta, do mundo mal, perverso, da convivência de mendigos com altos milionários. Stalin foi uma figura gigantesca na história da humanidade e estava sendo combatido por pessoas perversas que não conheceram sua obra e não entenderam sua filosofia, sua aplicação do marxismo-leninismo.

INV - No livro você cita vários autores que foram pesquisados, inclusive das mais diversas tendências políticas, de comunistas admiradores de Stalin até pessoas do campo oposto, de ideologia capitalista. Como foi feita essa seleção de textos?
AB -
Há vários anos li uma extensa obra de Alexander Werth, a Rússia na Guerra, em dois volumes, totalizando quase 1.200 páginas. Correspondente de guerra, ele foi presidente do Comitê de Imprensa Anglo-americano em Moscou, durante a guerra. Ele visitou diversas regiões e esteve várias vezes com Stalin e outras personalidades. Esse livro eu admirei muito pela sua correção, por sua maneira de descrever os problemas sem sectarismo, de forma objetiva. Depois li o livro do Raymond Cartier, que com muitas ilustrações, é tendencioso para o lado ocidental. Li também o Ludo Martens que faz uma defesa de Stalin. Li muitos livros contra Stalin. De cada um desses livros tirei informações interessantes para colocar no meu livro. Essas informações eu coloquei em ordem cronológica, conservando datas e indicando ao final de cada parágrafo uma referência da obra e da página de onde colhi a informação.
Mesmo livros contra Stalin tinham informações interessantes. Outra fonte interessante que cito é o espetacular livro de Joseph Davies, embaixador estadunidense durante 1936 e 1937 na URSS, que afirmou que a URSS, com os planos quinquenais, fez em 10 anos o que os EUA levaram 60 anos para realizar, algo que transparece nas tabelas que montei com dados da ONU. De cada livro aproveitei sempre alguma coisa e coloquei inclusive em alguns capítulos cada um desses autores com as observações mais importantes. Existem até repetições no livro de um autor ao outro. Mas deixei essas repetições como uma comprovação da veracidade das informações.

INV - Você fez um trabalho inédito de pesquisa em diversos anuários.
AB -
Eu sou um pesquisador dos anuários da Liga das Nações, da ONU, do IBGE, da FAO, de outros órgãos e passei grande parte da minha vida fazendo estudos econômicos sobre a agricultura e a indústria, fazendo projetos de financiamento. Sempre tive intimidade com os dados estatísticos internacionais e nacionais. Através desses anuários, pude acompanhar a evolução da produção em vários países. Desde a Rússia Tsarista, da URSS, dos EUA, da França. Então fiz um corte a partir de 1909/1910, peguei os dados desses países e fiz um estudo comparativo entre a URSS e os Estados Unidos. Nesse primeiro ano a produção da URSS é apenas uma pequena fração da pujante produção dos EUA, um país que estava em franco desenvolvimento. Então, a partir de determinados anos, a URSS em vários itens supera os EUA, através do trabalho dos planos quinquenais, através da emulação socialista que é diferente da competição. A competição é uma guerra perversa. Na competição, que é o que vemos nos anúncios de concursos em jornais, aquele que passa tem um emprego bom ou razoável, mas quem não passa fica na desgraça total. Até em um livro de um dissidente soviético, bem contra a URSS, chamado Nomenklatura, o autor teve que admitir que a diferença máxima entre salário na URSS era de 1 para 10, ou 1 para 11, no mundo ocidental essa diferença salta para 1 para mil, 1 para dez mil. Então há nesse mundo capitalista um elitismo gigantesco, convivendo com a pobreza de inúmeras pessoas. Famílias inteiras dormindo na rua.


INV - A quem se destina sua mais recente obra?
AB -
O livro se destina a todas as pessoas, tanto pessoas com ideias socialistas, quanto pessoas com ideias capitalistas. A primeira parte do livro faz um estudo comparativo entre o desenvolvimento econômico da URSS e dos EUA. E tive, digamos assim, o prazer de ver a ação da figura extraordinária de Roosevelt, um homem pacifista, que em sua última mensagem denunciou as guerras como um assassinato injustificável e que se deveria acabar com todas as guerras.

INV - Estamos há 20 anos da desarticulação da URSS em 1991. Como você vê as consequências desse evento para a humanidade?
AB -
Stalin foi genial e objetivo. Ele foi muito mais brando do que vários companheiros seus, que eram mais radicais. Ele gostava de receber as informações e ideias de cada companheiro de uma maneira livre e honesta nas reuniões, mesmo que fosse algo contra suas ideias. Khrushchev, que havia sido um operário ativo, um bom administrador, ficava calado nessas reuniões ou dizia amém. Quando Stalin morreu, Khrushchev aproveita para pisotear a imagem de Stalin e recupera pessoas que haviam sido afastadas por terem assumido atitudes contrárias ao Socialismo. Junto com essas pessoas vieram as ideias que desestruturaram o ideal da socialização, da formação de um país que buscasse chegar do socialismo ou comunismo. Isso levou à destituição de Khrushchev por Brejnev, já que o primeiro estava destruindo o socialismo. Depois de Brejnev, houve líderes soviéticos que ficaram por pouco tempo até Gorbachev, que chegou cheio de novidades, promovendo a Glasnot, a Perestroica. Só que ele era um anticomunista infiltrado no partido. Ele indicou para a prefeitura de Moscou Boris Iéltsin, um político da Sibéria. E aos poucos foram colocando pessoas que defendiam os privilégios dos elitistas, dos que acreditam terem sangue azul em postos chaves. Dessa forma Gorbachev recebeu o Nobel da Paz, um prêmio duvidoso, pois Nobel foi um fabricante de armas, um assassino indireto. Igual ao Obama que recebeu esse prêmio agora, depois de promover tantas guerras.

INV – Como você vê a atual conjuntura de Crise do Capital e como isso está relacionado ao título de sua obra - Qual o melhor: Capitalismo ou Comunismo? ?
AB -
Marx foi realmente o maior gênio da humanidade. Ele previu a necessidade imperiosa do Capitalismo se transformar em Socialismo para daí chegar ao Comunismo, a convivência fraterna entre os seres humanos. Não apenas para uma família, ou um país, mas para todos.
Ele tinha toda razão em que o mundo tinha potencial para satisfazer as necessidades de toda a humanidade. Mas dentro do regime capitalista, egoísta, elitista, é claro que muitas pessoas pensam que são superiores aos pobres, mas o sangue de um milionário é igual ao sangue de um cidadão ou cidadã que está dormindo na rua.
Essa crise que estamos vivenciando é a Crise do Capital. Todas as medidas adotadas pelos países europeus e da América do Norte, que leio pelos jornais e vejo na televisão, nos noticiários, são medidas que agravam a crise, que levam realmente a um aumento da miséria, que aumentam a falta de mercado para a gigantesca produção que a tecnologia cada vez mais avançada proporciona. O grande problema do mundo é a capacidade ociosa, ou seja, uma quantidade gigantesca de produção. Pela utilização insensiva de tecnologia avançada, são necessárias cada vez menos pessoas para operar as máquinas e equipamentos modernos. Isso levou a um desemprego muito grande. Inclusive estou notando que os ataques a caixas eletrônicos com explosivos são feitos por pessoas de classe média que perderam seus empregos e partiram para uma tentativa de arrancar dinheiro de qualquer maneira para sobreviver.
A solução para o grande problema de hoje é reduzir drasticamente a jornada de trabalho. Assim as pessoas terão mais tempo para realizar outras atividades que ocupem seu tempo. Cito no livro uma declaração do Márcio Pochmann do IPEA onde ele afirma que apenas 03 horas por dia de trabalho, durante a semana, seria uma jornada ideal para o Brasil. O vício de trabalhar é de longa data, de milênios, mas esse tempo livre pode ser ocupado com esporte, cultura, religião, serviços sociais, trabalho voluntário, pois evidentemente as pessoas querem ocupar seu tempo. Há tanta coisa a ser lida, a ser estudada! Se a pessoa tem dois empregos é porque uma pessoa foi sacrificada pelos patrões como desempregado.  

INV- Por que o senhor escolheu publicar o livro pela Cooperativa Inverta?
AB -
Eu escolhi publicar com vocês, porque acompanho o trabalho da Cooperativa e do Jornal Inverta, do qual sou assinante praticamente desde seu início, de defesa das ideias marxistas, das ideias de transformação, da criação de uma sociedade de solidariedade real entre todos os cidadãos, uma sociedade de planejamento, além da defesa constante da Revolução Cubana através do Jornal Granma.


Sucursal RJ

Ações do documento
Mirna Marino Duarte
Mirna Marino Duarte says:
21/08/2012 11:00

Prezados camaradas! Ótima entrevista e nos parece uma obra bastante relevante. Obrigada!

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