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Poesia de Wilson Ribeiro

Essa matéria foi publicada na Edição 459 do Jornal Inverta, em 06/06/2012

Nimguém oia por nóis
Oia dona essa noite nois passemos
ao relento, nois perdeu tudo
nossa miudeza cama , fogão
eles as autoridade jogou a gente na rua

Nois num semo bandido
somo trabaiador , nois limpa casa
dirige automovel e cuida inte dos cachorro do patrão
e quem oia por nois quem cuida de nossos meninos e meninas
Se ocê visse o tanto de polícia que veio
inte aqui pra tirar a gente de nossa casa
tá certo que é ocupação mais nois não tem casa
e esse terreno esse mundão de terra largado aí
sem nimguém pra morar , nois ocupemo
nois precisa mais

Todos nois aqui tem filhos montão de menino
e menina tudo sem casa sem teto
nossas pertences tudo na calçada e o povo tudo vendo
nossa amargura , nossa dor no coração

Eles as autoridade ainda oferece passagem
pa gente volta para nossa terra
que terra nois num temo terra
e também falo pa gente se for preciso
poem a gente no albergue

O que agente ganha em se honesto e trabaiador
humilhação
Nimguém oia por nois

Wilson Ribeiro – in memoriam


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