A Crise do Capital e a Educação em debate na UFF
Essa matéria foi publicada na Edição 456 do Jornal Inverta, em 17/01/2012Diversas atividades estão sendo realizadas em diferentes cidades do país em torno do lançamento do livro de Aluisio Bevilaqua. Na UFF ocorreu um debate em 05/12
O lançamento do livro A Crise do Capital em Marx e suas Implicações nos Paradigmas da Educação: Contribuição ao Repensar Pedagógico no Século XXI, de Aluisio Pampolha Bevilaqua, cientista político e editor-chefe do Jornal INVERTA, contou com participação de estudantes, professores e militantes dos movimentos sociais na Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense, Niterói, no último dia 5 de dezembro. Participaram da mesa os professores Aparecida Tiradentes, da Fundação Oswaldo Cruz, Cláudio Gurgel, da Universidade Federal Fluminense, Lincoln de Abreu Pena, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Antonio Cícero, do CEPPES e da Faetec. Estiverem presentes Leandro Pereira, da Juventude 5 de Julho, Osmarina Portal, do Movimento Nacional de Luta contra o Neoliberalismo (MNLCN), e Haroldo de Moura, do MNCL / Rio de Janeiro.
O livro de Aluisio Bevilaqua foi analisado inicialmente por Lincoln de Abreu Pena, que destacou sua contribuição para o repensar pedagógico no século XXI, considerando-o como “obra oportuna”, pois vem em momento propício para a discussão do paradigma educacional atual. Mais adiante, Penna afirmou que o autor faz uma analise crítica dos vários pensamentos sobre educação ao longo da história como Dewey, Gadottti, Frigotto e Saviani bem como também traça um paralelo entre ciência, educação, crise do capital e mudanças de paradigmas, assim o autor conseguiu criar uma obra que pode tanto ser analisada por uma perspectiva pedagógica como por uma perspectiva econômica. Chamou a atenção ainda para processo de internalização e interiorização do capitalismo : “após se internacionalizar, o capitalismo se internalizou em nós” o que torna esse processo de ruptura com o paradigma educacional (e civilizatório) da sociedade capitalista mais doloroso. Aluisio a partir de Marx, sublinha o papel que o sistema capitalista atribui à educação. Lincoln concluiu dizendo que Bevilaqua faz parte do time do indignados, daqueles que não se acomodam com as normas vigentes.
Cláudio Gurgel destacou inicialmente a boa apresentação gráfica da obra e dedicou-se a comentar um pouco da trajetória do autor, lembrando que para ser autentico um autor tem que ser responsável pelas realidade de suas afirmações, e Bevilaqua é um desses. Trata-se de um intelectual orgânico porque está presente nas ruas, nos debates e sobretudo é um homem de partido. Gurgel a seguir passou a comentar o caráter da crise capitalista atual e enfatizou sua contradição fundamental, que é a produção em larga escala sem que essa produção seja acompanhada de consumo que a realize. Observou que nada acontecerá se não houver uma força politica capaz de transformar uma crise econômica em crise política.
Aparecida argumentou inicialmente que a falência da educação pública é acompanhada pelo crescimento da educação corporativa; as universidades corporativas se baseiam na legitimação do mercado como sujeito educador. Destacou que, ao estabelecer a interdeterminação entre crise do capital, crise de paradigmas e educação, o autor conduz o debate para necessidade da luta de classe no terreno da educação, ao contrário de uma vasta bibliografia até de pretensos marxistas. A leitura da obra é um exercício para uma prática política libertadora, consequentemente o livro de Aluísio não concorre com poucos adversários, há toda uma produção comprometida com os interesses dominantes que defende o aligeiramento dos conteúdos e o rebaixamento das exigências científicas. Enfatizou ainda a abertura para o debate que o livro permite. Destacando pesquisas que tem realizado, Aparecida Tiradentes afirmou que o capitalismo não exclui a exacerbação da extração de mais-valia absoluta, e que as duas formas de extração de mais-valia são perfeitamente compatíveis.
Antonio Cícero começou afirmando que o autor recorre ao conceito de paradigma porque ele permite a aproximação dos conceitos crise, ciência e educação na medida em que paradigma é o consenso da comunidade científica sobre determinado conhecimento. Na análise da relação crise e condições subjetivas, Aluisio reconhece que o modo de produção capitalista não cairá por si, é necessário a intervenção de um partido revolucionário para a sua derrubada, como Cláudio tão bem lembrou.
Bevilaqua polemiza com Mészáros, que sugere que o dinheiro poderia gerar mais dinheiro na medida em que haveria uma taxa decrescente do valor de uso das mercadorias, deslocando assim o papel central da composição orgânica do capital para essa diminuição do valor. O pesquisador húngaro chega mesmo a indicar que o “valor de troca não precisaria mais do valor de uso para se conservar e se valorizar”; Aluisio, ao contrário, enfatiza a diminuição do tempo socialmente necessário para a produção de mercadorias em razão da alta composição orgânica do capital, e que essa a diminuição do tempo socialmente necessário para a produção de mercadorias em relação ao excedente torna o próprio capital a contradição; esta relação tende a subverter a lei do valor “uma vez que, à medida em que se desenvolve o capital fixo, o tempo necessário à produção diminui e o tempo livre cresce, tornando-se este último o conteúdo da riqueza e não o trabalho objetivado' (p. 209). A obra de Bevilaqua reúne sólida teoria marxista, a inquietude dos que não aceitam o modo de produção capitalista como um fatalismo e urgência na necessidade da criação de condições subjetivas para as revoluções que já caracterizam a nossa época.
Depois da intervenção do público com diversas questões que demonstraram o interesse que a obra despertou, a mesa encerrou afirmando que o livro cumpre um importante papel hoje e que dele podemos extrair respostas para superação da grave crise que vivemos.
CEPPES


Há que se chegar à filosofia da educação criticizadora, sem a qual não se poderá partilhar conhecimento científico