PCML discutiu a Revolução Russa em São Paulo
Essa matéria foi publicada na Edição 441 do Jornal Inverta, em 28/12/2009No dia 08 de novembro, o PCML reuniu-se em São Paulo, em comemoração aos 92 anos da revolução russa, para debater sobre a primeira revolução socialista triunfante do mundo. Além de ter sido relatada a História da União Soviética, dois camaradas que foram para o país, em momentos diferentes, contaram suas experiências: um quando ainda vigorava o sistema socialista e outro, mais recentemente, depois da “transição para o capitalismo”.
No dia 08 de novembro, o PCML reuniu-se em São Paulo, em comemoração aos 92 anos da revolução russa, para debater sobre a primeira revolução socialista triunfante do mundo. Além de ter sido relatada a História da União Soviética, dois camaradas que foram para o país, em momentos diferentes, contaram suas experiências: um quando ainda vigorava o sistema socialista e outro, mais recentemente, depois da “transição para o capitalismo”.
É fundamental esse resgate histórico, ainda mais quando a imprensa nazi-fascista brasileira exultava pelos vinte anos da queda do Muro de Berlim. Com o golpe na União Soviética e a queda do campo socialista no início da década de 90, a burguesia ocidental fez imperar sua interpretação negativa sobre o país, projetando-a internacionalmente com o intuito de afastar sua influência da memória dos trabalhadores. A partir desse momento, evocou-se o “Fim da História” e a vitória definitiva do capitalismo. De fato, na Rússia, a tese foi até aplicada: num contexto em que os trabalhadores começaram sua resistência contra o golpe oligárquico, o país proibiria o ensino de História nas escolas. Tratou-se de uma dura derrota para a classe trabalhadora no mundo, levando ao avanço da “noite neoliberal” burguesa para praticamente todos os países do planeta. A própria Rússia sofreria os efeitos dessa sangria: a antiga potência socialista seria duramente atingida pela crise de 1997.
Tal disputa pela memória faz-se, portanto, necessária, já que a representação dominante sobre a União Soviética tem como objetivo desmoralizar seu papel histórico e sepultar o exemplo de resistência que projetou. Além do resgate da História desde o período revolucionário até a vitória contra o nazismo na Segunda Grande Guerra, o debate também contou com relatos de camaradas que estiveram lá: um em 1964, pouco antes do golpe cívico-militar brasileiro, e o outro em 2008, já numa Rússia capitalista, tomada pela máfia e de uma religiosidade cega. As diferenças são gritantes: num primeiro caso, tratava-se de uma democracia socialista com altos índices sociais e acessíveis para toda a população trabalhadora e, agora, evidencia-se um país governado por uma burguesia mafiosa parasitária que sucateou toda a estrutura anterior. Em sua exposição, o camarada recordaria, por exemplo, as péssimas condições dos hospitais públicos, completamente abandonados em detrimento de clínicas particulares.
Essa atividade buscava não só contestar o discurso dominante de inevitabilidade do sistema capitalista, como também conhecer mais da História de um país que por mais de 70 anos foi a principal referência para o movimento comunista internacional e ainda hoje deve ser considerado um modelo de luta. Durante toda a sua existência, a União Soviética foi alvo de ataques midiáticos e militares das mais diversas potências capitalistas. É um dever histórico relatar sua resistência e aprender com seus erros e acertos.
PCML-SP





