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Desemprego bate recorde e capitalistas temem convulsão social no mundo

Baseada na contração de 1,3% da economia mundial prevista pelo FMI, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima um recorde de 210 a 239 milhões de desempregados no mundo, ou uma taxa de desemprego mundial de 6,8% a 7,4%. Com medo de “desestabilização política”, a entidade convocou em sua 98ª Conferência anual uma Cúpula com chefes de Estado e de governo, propondo um “Pacto mundial para o emprego” que centre os planos de recuperação das maiores economias no emprego e seguridade social.

Desemprego bate recorde e capitalistas temem convulsão social no mundo

 

Baseada na contração de 1,3% da economia mundial prevista pelo FMI, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima um recorde de 210 a 239 milhões de desempregados no mundo, ou uma taxa de desemprego mundial de 6,8% a 7,4%. Com medo de “desestabilização política”, a entidade convocou em sua 98ª Conferência anual uma Cúpula com chefes de Estado e de governo, propondo um “Pacto mundial para o emprego” que centre os planos de recuperação das maiores economias no emprego e seguridade social.

 

Desde o estouro da crise no 3º trimestre de 2008, a OIT estimou 8,5 milhões de desempregados apenas nos países da OCDE. Por subestimar muitos dados, como a economia informal e o tamanho da população economicamente ativa, certamente os números divulgados estão muito abaixo da realidade e o baque na vida dos trabalhadores foi e será muito maior. Eles refletem, no entanto, o tremendo aumento do desemprego: ao fim de 2009, seriam 59 milhões de desempregados a mais no mundo em relação a 2007.

Em quase todos os países, o PIB já caiu por dois ou mais trimestres consecutivos, configurando recessão mundial.  Apenas o PIB do Japão, por exemplo, bateu seu recorde histórico e caiu 15,2% no último trimestre. Na França, a queda foi de 1,2%; em Portugal, 3,7% e na Itália, 5,9% - recorde desde 1980. Na Alemanha, a queda foi de 3,8%, com 3,28 milhões de desempregados. Na zona do Euro, a queda média foi de 2,5%. No 1º trimestre do ano, a contração oficial do PIB dos EUA foi de 6,1%, sendo que a produção industrial do país caiu pelo quinto mês seguido em março, acumulando queda de 13% no ano. Em média, apenas 10% a 15% dos planos fiscais já aplicados no mundo se destinaram a gastos sociais.

Na Cúpula, Lula defendeu a regularização da situação dos imigrantes e criticou a especulação financeira: “não podemos continuar vivendo com um sistema financeiro que especula, que vende papel sem produzir, sem criar um único emprego, um único sapato, uma única gravata”. No Brasil, entretanto, a política econômica de seu governo não só manteve a prioridade ao capital financeiro, priorizando superávits primários destinados a pagar juros, em detrimento da seguridade social e do setor produtivo.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, por sua vez, afirmou que “É necessário que a OIT possa ter o que dizer ante a OMC, o FMI e o Banco Mundial”. Tais declarações deixam claro o beco sem saída em que se encontra o capitalismo mundial: deverá alterar seus padrões de acumulação de capital se quiser manter a própria acumulação de capital e sua reprodução ampliada: A OIT considera que a situação constitui uma verdadeira ameaça, e apresenta “riscos importantes de desestabilização política”. Segundo o diretor de seu secretariado, Juan Somavia,”já constatamos sinais de tumultos sociais ligados à crise econômica”.

Declarações muito semelhantes foram dadas no mês passado pelo diretor do Banco Mundial, Robert Zoëllick, em reunião com o premiê da Espanha, Zapatero. Zöellick afirmou que o desemprego e a pobreza poderiam se converter em “uma grave crise humana e social”, com “consequências políticas imprevisíveis”. Zoëllick frisou ainda que “É preciso ter cuidado porque a utilização da capacidade de produção ainda continua muito, muito baixa”. Assim, em apenas uma constatação, o diretor do Banco Mundial deixa implícito o caráter da crise: durante a quebra, cai a produção e aumenta vertiginosamente o desemprego. Mas é justamente o excesso de produção, anárquica e sedenta de lucros, e a espiral do descolamento entre o crédito e o valor efetivamente produzido que, no afã de produzir sempre mais e, se possível, obter lucros sem sequer produzir, que podem ser encontrados na raiz da presente crise.

Para a OIT “a crise do desemprego pode durar de quatro a cinco anos a mais que a crise econômica”. A “crise do emprego” é, portanto, a verdadeira crise econômica, que ultrapassa em muito sua forma concreta de precipitação histórica, a crise financeira. Com tais declarações, os manda-chuvas do capitalismo mundial e seus sequazes são obrigados a admitir que a crise é da economia real e que a mesma pode precipitar uma convulsão social, colocando em xeque a super-estrutura do capitalismo mundial.

Ainda que o capitalismo encontre uma solução conjuntural para esta crise, a superação definitiva da mesma só virá com a superação do próprio capitalismo, pelas mãos dos trabalhadores.

 

Joana Oliveira