O momento atual do governo Lula
Essa matéria foi publicada na Edição 436 do Jornal Inverta, em 02/06/2009Nesta fase atual o governo Lula caminha para um vazio político, se caracterizando, por uma desarticulação da base governista onde, principalmente, o PMDB realiza escaramuças que visam o predomínio sobre todas as outras forças políticas que se utilizam da imagem do presidente da República para alcançarem objetivos políticos nas eleições presidenciais de 2010.
O momento atual do governo Lula
Nesta fase atual o governo Lula caminha para um vazio político, se caracterizando, por uma desarticulação da base governista onde, principalmente, o PMDB realiza escaramuças que visam o predomínio sobre todas as outras forças políticas que se utilizam da imagem do presidente da República para alcançarem objetivos políticos nas eleições presidenciais de 2010.
Os líderes políticos, além de governadores e prefeitos, do PMDB procuram articular forças junto aos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Com isso, o próprio partido do presidente, o PT, está preso aos presidentes da Câmara dos deputados e do Senado, e aos ministros peemedebistas do governo, que neste momento são quem governam.
A oposição do PSDB e do DEMO (antigo PFL) ficou presa a estas articulações porque também passou a depender deste partido da chamada base aliada, isto aconteceu porque um dos membros do antigo PFL, empossado como corregedor da câmara, ou seja, aquele elemento que deveria corrigir atitudes contra o decoro parlamentar, foi o primeiro a sofrer com necessárias correções de seus atos. Assenhoreou-se de um castelo no interior do estado de Minas Gerais.
O responsável pela relatoria da denúncia contra o deputado federal passou a agredir a opinião pública e a imprensa escrita, falada e televisada, sendo este também da oposição de direita. Tentou mais tarde, desculpar-se, mais realmente, já era tarde, e assim, todos os passos da oposição são decididos, hoje, pelos governistas peemedebistas. Portanto, existe atualmente, um governo dentro do governo, e as figuras mais possíveis de continuarem o governo Lula, como Dilma Roussef e o vice-presidente da República, sofrem com seus tumores malignos, e redivide o que resta do governo, na atualidade.
O governo, além da crise moralidade das duas casas legislativas, se debate com a crise econômica mundial, que desde de dezembro do ano passado refreou o ciclo do capital produtivo, e aumentou as cifras de desemprego, aumentando o exército industrial de reserva ou superpopulação relativa, e afetou, sobremaneira, os níveis de compra dos salários dos trabalhadores do exército ativo de operários e trabalhadores do campo. Com isso, à crise moral política e econômica, desenvolve-se uma crise de violência e repressão contra o proletariado. Vários setores produtivos sofrem, por um lado, aquele da oligarquia financeira, um processo acentuado de centralização e concentração de capitais, como a recente fusão das duas maiores produtoras de embutidos brasileiras; outros, pelo lado do proletariado, aumentam a paralisação de meios de produção, desempregando massa de trabalhadores, como os setores da metalurgia e da indústria automobilística, levando de roldão médias e pequenas empresas que prestam serviço a estes grandes setores.
O governo Lula ainda tenta vender parcerias com países como Arábia Saudita, Turquia e China, onde foi oferecida inclusive, a exploração das jazidas de petróleo, em águas profundas, como as reservas do pré-sal, em troca de acordos econômicos de construção e desenvolvimento produtivo de empresas nacionais nestes países.
Lula e seu governo procuram garantir vida longa aos seus programas sociais, única pedra de toque que o livraria das chantagens das raposas governistas do PMDB, e tornaria mais próximo do governo neste momento o PCdoB e o PSB, além do PDT.
O PMDB, após suas articulações, ameaça o governo com a aceleração dos implicados no Mensalão, e, ao mesmo tempo, muda as regras e somente admite discutir os méritos das medidas provisórias (MPs) do presidente da República, em sessões extraordinárias das casas legislativas, e estando em ano pré-eleitoral, a pauta fica trancada, mesmo, ou principalmente, para a oposição de direita.
Para o proletariado urbano e rural o objetivo é mudar a ordem do modo de produção capitalista, que vai trazer apenas o desemprego, a fome, e todas as torturas do trabalho enquanto as oligarquias financeiras vão concentrar e centralizar mais riquezas em suas mãos na medida que irá se aprofundar a crise econômica. O objetivo é o comunismo lutando em sua primeira etapa pela derrubada do Estado burguês e capitalista.
Haroldo de Moura






