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Ditadura Militar no Brasil e suas consequências psicosociais

A palestra sobre Ditadura Militar no Brasil - processos de memória e esquecimento e suas consequências psicosociais e políticas, realizada no dia 22 de maio em São Paulo, reabriu um espaço de discussão política no Instituto Sedes acerca das violações de direitos humanos no país hoje e da maneira como os processos de esquecimento e, consequentemente, de impunidade contribuem para a perpetuação de atos de violência e repressão política praticados pelo Estado.

Ditadura Militar no Brasil e suas
consequências psicosociais

 

Foi realizado no dia 22/05, no Instituto Sedes Sapientiae, na capital paulista, uma palestra sobre Ditadura Militar no Brasil - processos de memória e esquecimento e suas consequências psicosociais e políticas. Este Evento reabriu um espaço de discussão política no Instituto Sedes, acerca das violações de direitos humanos no país hoje e da maneira como os processos de esquecimento e consequentemente, de impunidade, contribuem para a perpetuação de atos de violência e repressão política praticados pelo Estado. Os palestrantes Rose Nogueira, Diretora do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, ex-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais/SP e do CONDEPE (Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.), e Paulo César Endo, Psicanalista, Professor doutor do Instituto de Psicologia da USP, pesquisador do GT Psicanálise; Política e Cultura, e experto junto ao Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL). Nesta mesma noite, foi lançado o livro “Memória Política, Repressão e Ditadura no Brasil”, pela escritora Soraia Ansara.

A jornalista Rose Nogueira em seu comovente depoimento fez uma excursão histórica sobre a repressão no Brasil, a partir do Estado Novo, até chegar ao Golpe de Estado de l964, que derrubou o governo João Goulart. Rose comoveu as pessoas presentes falando sobre a terrível repressão jamais vista no país a partir de l964.

Quando estava na prisão, eu e minhas companheiras conversávamos sempre sobre o mundo lá fora. “Um dia a gente sai daqui e conta esta nossa história”. Rose falou sobre o movimento estudantil, sindical, que enfrentaram corajosamente a ditadura. “Quem fez a luta armada foi a ditadura. Terroristas são eles”. Rose afirmou, também, entre outras coisas, que para ela, o cabo Anselmo já era um provocador, e isso antes do Golpe de Estado, desde a ocupação do Sindicato dos Metalúrgicos no Rio de Janeiro pelos marinheiros rebeldes. Rose voltou a denunciar o deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, que tem pregado na porta do seu gabinete um cachorro com um osso na boca, numa provocação aos mortos e desaparecidos no Araguaia.

Rose afirmou que os crimes cometidos pelos torturadores e assassinos não podem ser anistiados em nenhuma hipótese, principalmente, os casos de desaparecimentos, que são delitos de consumação permanente.

Logo em seguida, o psicanalista Paulo César Endo fez um relato sobre as consequências, as sequelas devido à crueldade dos agentes da repressão em países como o Brasil e Argentina, países que integraram a chamada Operação Condor, também integrada por países como Uruguai, Chile, Paraguai e Bolívia.

Quando relatava um diálogo entre um avô e um neto revelado pela Organização Hijos da Argentina, o psicanalista Paulo César Endo se emocionou e caiu em prantos, emocionando também a todos os presentes.

A Organização Hijos luta para restabelecer a verdade sobre o que aconteceu com os filhos de presos políticos argentinos que foram torturados até a morte e cujas crianças foram roubadas e “adotadas” por militares, muitos responsáveis pelos assassinatos e desaparecimentos.

A Organização Hijos já foi contemplada com a Medalha Chico Mendes concedida pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ.

Os debates de sexta-feira passada serviram para comprovar que o nazimilitarismo na América Latina fez pior. Exterminou o ser humano e fez desaparecer o corpo, com ocultação do seu fim, por diretriz institucionalizada do Estado Militar, conforme afirma em seu livro “A Ditadura dos Generais”, o escritor Agassiz Almeida.

Por fim, Rose Nogueira anunciou que o Grupo Tortura Nunca Mais/SP já tem trinta processos para a punição dos torturadores e conclamou a todos os presentes a visitarem o Memorial de Resistência, nas dependências do antigo DEOPS, onde, os presos políticos em São Paulo, eram torturados até a morte.


Delson Plácido

 

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