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1º de Maio: Dia do trabalho ou do Trabalhador?

Essa matéria foi publicada na Edição 436 do Jornal Inverta, em 02/06/2009

Como já pudemos constatar há algum tempo, tanto na mídia como em agendas oficiais, notamos um crescimento de referências ao dia 1º de maio como o “Dia do Trabalho” e não como o “Dia do Trabalhador”. Quantas vezes você já escutou a piada de que “o brasileiro não quer trabalhar nem mesmo no ‘dia do trabalho’”?

1º de Maio: Dia do trabalho ou do Trabalhador?

 

Como já pudemos constatar há algum tempo, tanto na mídia como em agendas oficiais, notamos um crescimento de referências ao dia 1º de maio como o “Dia do Trabalho” e não como o “Dia do Trabalhador”. Quantas vezes você já escutou a piada de que “o brasileiro não quer trabalhar nem mesmo no ‘dia do trabalho’”?

Durante as atividades do 1º de maio na Praça da Sé, em São Paulo, onde grupos da esquerda e movimentos sociais tradicionalmente realizam um ato em contraposição aos atos isolados, realizados em lugares escondidos, e aos showmícios com patrocinadores privados, que promovem shows de artistas da moda, realizam sorteios e premiações de apartamentos, carros e etc., realizados pelas centrais sindicais CUT e Força Sindical para iludir o trabalhador sobre o real significado de luta desta data, a TV INVERTA entrevistou as pessoas nas ruas e perguntou: o dia 1º de Maio é Dia do Trabalho ou do Trabalhador?

A maioria dos trabalhadores que participava do ato não titubeou em responder: é Dia do Trabalhador! Porém as demais pessoas que assistiam à manifestação, mas que não estavam organizadas, nem sempre conseguiam sair do dilema. Afinal de contas, por que o interesse em manipular o significado desta data?

A história do 1º de maio começa em 1886, na cidade de Chicago, maior centro industrial dos Estados Unidos. Os trabalhadores estadunidenses eram submetidos a um regime de trabalho sem qualquer tipo de garantia, com jornadas de 16 horas diárias, motivos pelos quais milhares de trabalhadores saíram às ruas naquele dia, tendo como principal reivindicação a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias.

As manifestações nas ruas de Chicago foram violentamente reprimidas pelo aparato oficial, tendo 12 trabalhadores sido oficialmente reconhecidos como assassinados. Ao final do ciclo de manifestações, havia centenas de feridos e cinco trabalhadores, tidos como líderes daquele movimento, foram enforcados. Outras dezenas de trabalhadores também foram assassinadas, apesar do aparato oficial nunca haver reconhecido o fato.

Uma série de assassinatos de trabalhadores que lutavam pela redução da jornada de trabalho e melhoria de suas condições laborais levou, em 20 de junho de 1889, a Segunda Internacional Socialista, reunida em Paris, a declarar o dia 1º de maio como Dia Internacional de Luta Pela Jornada de 8 Horas, com manifestações sendo convocadas em todo o mundo. Dois anos depois, em 1891, na França, a Segunda Internacional Socialista convoca uma manifestação dia 1º de maio que foi extremamente reprimida pela polícia e teve como resultado a morte de pelo menos 10 manifestantes, o que reforçou a data como dia internacional de mobilização dos trabalhadores, força em todo o mundo, marcado por numerosas e grandes manifestações de luta por melhoria nas condições de trabalho, melhoria nos salários e redução da jornada de trabalho.

Somente em 1919 é que a jornada de trabalho de 8 horas foi retificada pelo Senado francês, que passou a instituir a partir deste mesmo ano o 1º de maio como feriado. Porém, somente em 1920, na União Soviética, recém nascida da revolução proletária, é que o 1º de maio é instituído como feriado nacional todos os anos.

O 1º de maio é reconhecido em quase todos os países do mundo como feriado internacional em homenagem a todos aqueles que lutaram e morreram nas lutas pela redução da jornada de trabalho, melhorias das condições laboram e salários dignos. Apenas dois países não reconhecem o 1º de maio como dia do trabalhador: os Estados Unidos e a Austrália. Os EUA o consideram como o Labor Day, Dia do Trabalho, porque se recusam a reconhecer a arbitrariedade e a violência de seus atos em 1886, bem como a legitimidade do movimento que se levantava. Já a Austrália, porque realiza a homenagem ao trabalhador em diferentes datas, variando em diversas regiões do país, por diversas razões locais.

Isto posto, chegamos a conclusão de que a manipulação sobre o real significado desta importante data de luta é uma forma de desprestigiar a história do movimento operário e suas conquistas, assassinando outra vez a memória e a história daqueles que se levantaram, lutaram e morreram para que os trabalhadores hoje pudessem ter direitos e um pouco mais de dignidade.


Viva o 1º de Maio!

Viva os trabalhadores!

Proletariado Brasileiro e de todos os países, uni-vos, sob a bandeira da revolução comunista!


Camila Rocha

 

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