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Chuvas e rompimento de barragem matam em nove estados brasileiros

Essa matéria foi publicada na Edição 436 do Jornal Inverta, em 02/06/2009

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) informou no dia 28/05 que o número de mortes causadas pelas fortes chuvas em nove estados chegou a 61, destas 18 ocorreram no estado do Ceará, 12 no Maranhão, 7 na Bahia, 7 em Alagoas, 5 no Piauí, 3 em Sergipe, 2 na Paraíba, 3 no Pará, 3 em Pernambuco e 1 em Santa Catarina. Cerca de 292 mil estão desalojados e mais de 134 mil estão desabrigados. No dia 27/05 o rompimento da barragem de Algodões inundou toda a cidade de Cocal da Estação, no norte do Piauí.

Chuvas e rompimento de barragem matam em nove estados brasileiros

 

A Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) informou no dia 28 de maio que o número de mortes causadas pelas fortes chuvas em nove estados chegou a 56, destas 18 ocorreram no estado do Ceará, 12 no Maranhão, 7 na Bahia, 7 em Alagoas, 3 em Sergipe, 2 na Paraíba, 3 no Pará, 3 em Pernambuco e 1 em Santa Catarina. Aproximadamente 292 mil pessoas estão desalojadas e mais de 134 mil estão desabrigadas.

As enchentes e inundações atingiram 485 municípios de 12 estados no Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Amazonas, Pará e Santa Catarina.

Segundo a Sedec o estado maranhense, atualmente, é o estado com o maior número de municípios atingidos, no total 108. Na Região Norte, é o Amazonas que concentra o maior número, com 52 municípios atingidos. E em Santa Catarina, 10 cidades sofrem os danos causados pela chuva.

No último dia 21, foi publicada a Medida Provisória 463, que autoriza o repasse de R$ 880 milhões ao Ministério da Integração Nacional para atender às populações vítimas de enchentes. A medida ainda aguarda aprovação do Congresso Nacional

 

Bandalheira na construção de barragem mata no Piauí


Até o fechamento desta matéria (29/05) o rompimento da Barragem Algodões I, em Cocal, no interior do estado do Piauí, já havia deixado como saldo cinco mortes e centenas de famílias desabrigadas. Diante das claras evidências de negligência na condução e manutenção da obra o Ministério Público Federal (MPF) no Piauí anunciou na manhã do dia 29/05 a abertura de uma investigação para apurar as causas da tragédia. O procurador-chefe do MPF no Piauí, Kelston Pinheiro Lages declarou à Agência Brasil que a apuaração do MPF irá esclarecer se tragédia: “Foi em decorrência apenas do fenômeno da natureza, no caso a chuva, ou se houve fragilidade e inadequação na construção da obra, são questionamentos que só a perícia vai apontar. Temos que ter cautela. Vários órgãos serão notificados”, afirmou o procurador-chefe.

Está sendo apurada a declaração do governo do estado de que há 15 dias quando a represa atingiu nível máximo, aproximadamente 1,2 mil pessoas foram retiradas do local, por precaução, mas que teriam retornado no dia 22/05, por orientação do engenheiro responsável pela obra, Luís Hernane de Carvalho.

“Com certeza isso será checado. Essas pessoas foram orientadas para retornar às suas casas e precisamos saber com respaldo em quê [voltaram ao local]”, acrescentou Lages.

A tragédia, considerada de gravidade inédita na história do estado, deverá resultar em ações de responsabilidade civil e criminal. “Esses fatos têm desdobramentos no aspecto cível, de reparação de danos, e também no aspecto criminal, porque houve vítimas e crime de homicídio”, ressaltou Lages.

O procurador lembrou ainda que o Piauí, por ser um dos estados mais pobres do Brasil, recebe um grande volume de recursos federais que exige ampla fiscalização de sua aplicação. “A nossa preocupação é que esses recursos sejam aplicados de forma correta para que as obras sejam executadas da forma devida e adequada.”

A maioria absoluta barragens em todo o Brasil, segundo denúncia do movimento social, é realizada utilizando estruturas fora da normas técnicas, não é raro que cada latifundiário faça a sua da forma como melhor lhe convier, as empreiteiras a peso de ouro contratadas se “lascam” quanto a isso, o dinheiro mesmo quando vem do erário público, principalmente quando vem, faz parte da orgia do capital, e o resultado para o povo trabalhador que sobrevive nesses locais é morte e desespero, é cair nesse chão a procura de um lugar para viver com suas famílias. Essa denúncia vem sendo feitas há décadas pelos movimentos em defesa da população vítima de barragens, organizações dos trabalhadores do campo, entidades sindicais, etc.

 

Quinta morte, a de José Francisco de Angico Branco


O Corpo de Bombeiros localizou hoje (29) o corpo de José Francisco Alves dos Santos, 36 anos. Morador de Angico Branco, é o quinto de uma lista que parece crescer diante do trabalho de busca e resgate dos bombeiros que continua.

O acesso à região litorânea do estado foi prejudicado porque as cabeceiras da ponte sobre o Rio Pirangi, na BR-343, a 5 quilômetros da cidade de Buriti dos Lopes e a 30 quilômetros de Parnaíba, foram derrubadas na noite de 28/05 pelas águas.

Na cidade de Cocal, até agora sabe-se que pelo menos 300 famílias perderam suas casas, as plantações e criações, ou seja, o sustento. Esse relato é dado pela prefeitura, cujo chefe é Fernando Sales (DEM). O número de desabrigados continua aumentando, pois aproximadamente 700 famílias viviam em 18 comunidades ao longo do Rio Pirangi. A cidade, em 29/05, estava há mais de 40 horas sem energia elétrica.

As autoridades constituídas apressam-se em divulgar a plena assistência às vítimas, cestas básicas surgem para aliviar a situação, vacinas e outros tipos de assistência procuram aliviar a situação calamitosa e que demonstram o descaso e abandono em que vivem. Mas o que chama a atenção e choca é o nível de pobreza e abandono das populações da região, os verdadeiros bolsões de miséria a que é relegado o povo brasileiro no interior do país. Mesmo para quem está acostumado à situação de pobreza e violência dos centros urbanos se choca diante de um Brasil que não está na mídia, nem nos jornais sensacionalistas das metrópoles. É um Brasil que nos denunciou Euclides da Cunha em Os Sertões, é um Brasil pelo qual marchou o Cavaleiro da Esperança Luiz Carlos Prestes, com sua Coluna Invicta. As crianças desnutridas, desmilinguidas nos colos de mães ou se jogando na água escura, gente que pode ter qualquer idade, em que a fome estampada em seu rostos revelam - em seu silêncio - a farsa secular do progresso capitalista brasileiro e reavivam a “lenda arrepiadora” de Antonio Conselheiro em pleno século XI.


Gilka Sabino

 

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