Muros da vergonha: Entre caveirões e paredões
Essa matéria foi publicada na Edição 434 do Jornal Inverta, em 31/03/2009Onze favelas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro serão cercadas por um imenso muro de cimento, com quase quatro metros de altura e, ao todo, o paredão terá uma extensão de mais de 11 quilômetros.
Muros da vergonha: Entre caveirões e paredões
Onze favelas da zona sul da cidade do Rio de Janeiro serão cercadas por um imenso muro de cimento, com quase quatro metros de altura e, ao todo, o paredão terá uma extensão de mais de 11 quilômetros.
O muro da vergonha já começou a ser construído na favela Dona Marta, seus 55 metros do total de 634 já está pronto. Depois o muro irá se estender até a favela da Rocinha, que também ficará cercada e perderá 550 moradias para que o muro se instale.
O governo do Estado do Rio e as demais autoridades defendem que os muros servirão para proteger a floresta que cerca as favelas. É claro que mais uma vez o velhaco discurso da segurança pública – pois segundo se especula, os paredões têm a função de evitar o acesso e a atuação dos narcotraficantes nas comunidades cercadas - recebe a bênção de grande parte das camadas médias que vivem na Zona Sul. O cheiro de perfume das áreas mais abastadas da cidade do Rio só não é mais forte que o odor putrefato do fascismo e do apartheid.
Há cinco anos, Luiz Paulo Conde teve essa ideia, mas não vingou, agora o atual governo do estado promove a construção de muros em volta das favelas.
No dia 28 de março, veio em dose mínima a notícia na imprensa burguesa. Vivas à segurança dos moradores da Zona Sul, legitimamente temerosos de serem atingidos por tiroteios, balas perdidas, etc., e perderem suas vidas e a de seus filhos. Dos pais e mães de família da favela, destaque aos que balbuciavam uma débil esperança de que após o muro, o estado não suba não apenas com caveirões e desça com os rabecões lotados, de forma intensa - como vem fazendo nos últimos 15 anos. Isso sem que as favelas sejam - oficialmente - verdadeiros campos de concentração de pobres - murados.
Almeida Rodrigues





