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Carimbó: ritmo, dança e resistência

Essa matéria foi publicada na Edição 434 do Jornal Inverta, em 31/03/2009

O INVERTA foi até Icoaraci - Belém-PA e entrevistou os integrantes do grupo de carimbó Caçulas da Vila, João Carlos, 42 anos (curimbó); Paulo César, 27; Tomas Cruz, 49 (vocalista, compoitor triangulista) e o Sr. Raimundo, 56 (fundador do grupo), que falaram ao INVERTA sobre a fundação do Caçulas da Vila, o surgimentos do ritmo, como mantê-lo resistindo dentro da cultura paraense e ainda sobre a própria sobrevivência dos participantes do grupo, que não tem fins lucrativos.

Carimbó: ritmo, dança e resistência

 

O INVERTA foi até Icoaraci - Belém-PA e entrevistou os integrantes do grupo de carimbó Caçulas da Vila, João Carlos, 42 anos (curimbó); Paulo César, 27; Tomas Cruz, 49 (vocalista, compoitor triangulista) e o Sr. Raimundo, 56 (fundador do grupo), que falaram ao INVERTA sobre a fundação do Caçulas da Vila, o surgimentos do ritmo, como mantê-lo resistindo dentro da cultura paraense e ainda sobre a própria sobrevivência dos participantes do grupo, que não tem fins lucrativos.


IN - Como surgiu o grupo Caçulas da Vila?

R - Ele foi fundado em 20 de abril de 2000, no meu grupo faço praticamente tudo, toco curimbó (tambor com o qual se marca o ritmo), banjo, infelizmente perdi as dançarinas para a igreja evangélica. Tenho duas pequenininhas. Resolvi fundar o grupo porque desde novinho gostava de folclore. Brinquei dois anos no Boi Bumbá, que faz parte do folclore, no de Mosqueiro, de nome Harmonioso, inclusive meu pai é mosquerense de lá eu vim para Icoaraci e brinquei três anos em boi chamado Resolvido lá do Furo e depois passei a cantar no carimbó que fundaram em Coari, dos Irmãos Coragem, fui o primeiro vocalista deste grupo, nesta época cantava música dos outros artistas. Eu dizia que antes de morrer teria meu próprio grupo que é esse, o Caçulas da Vila. O fundei com muito esforço, meu e da minha família, conversando primeiro com meu filho depois com meus amigos. Os curimbós foram doados, as roupas foram feitas com nosso suor, não tivemos ajuda de ninguém do governo, não há patrocínio, depois fui atrás deste pessoal que está no grupo até hoje. Quando começamos com o grupo pensei que era só para tocar em casa de parentes, hoje o grupo já está conhecido nacionalmente. Estamos batalhando com a campanha Carimbó Patrimônio, para ver se alguém nos dá uma ajuda. Eu não vivo de carimbó porque não há condição, para pegar um contrato é uma luta. Tocamos sexta-feira em Belém, mas para pegar um contrato deste custa muito. Espero ir para frente, mais do que já estamos.

MS - Toquei com Verequeti quatro anos, agora estou tocando com Raimundo ele estava sem componente e falou comigo com Cotinha e com o Bica. Minha profissão é banjista, mas canto também, tenho 75 anos estou nesta arte há trinta e pouco anos, conheci o carimbó com o Maracanã, lá de são João do Carimbó. Tinha seu Agostinho, seu Afonso, o pai deste rapaz, que era seu Zito. Não é fácil resistir, mas viemos resistindo, o carimbó estava escondido, agora ele é uma cultura, temos que ir por nossa cultura.


IN - Como surgiu o gosto pelo carimbo?

TC - Em 1967 quando eu tinha sete anos. Quando o carimbó surgiu pela primeira vez em Icoaraci foi em 1952, meu pai rezava ladainha para folia de santos. Então ele foi rezar uma ladainha na casa do seu Antonio Maracanã. Ele rezou uma ladainha em 1950, e em 51 voltou, quando chegou em 52 tinha dois tambores que vieram de Maracanã. Papai era violinista e começou a tocar com eles, então deram início ao grupo. Em 60 eu nasci, em 67 já estava batendo os cacetetes nas centrais dos tambores, passei para o reco-reco, ganzar, triangulo, hoje sou repercutor do grupo. Papai seguiu até um certo ponto quando Verequeti formou seu próprio carimbó, se afastou e retornou no grupo de carimbó dos Marajoaras de Icoaraci, em 1973, quando morreu seu Antonio Maracanã e seu sobrinho Agostinho. O carimbó parou porque o filho único que tinha não teve peito para levar o carimbó, guardou os tambores, apodreceu, os cupins comeram e se acabou desta forma. Era o grupo de carimbo os Africanos. Em 2003 voltamos às atividades com seu Jaci, estava esquecido da cultura, o pessoal do morro veio atrás, movimento de vanguarda e cultura de Icoaraci, onde temos um livro. Seu Jaci me convidou para entrar no grupo, hoje também tenho meu grupo, os Africanos de Icoaraci, tocamos em parcerias. Se não fosse o grupo de seu Jaci ninguém me reconheceria, tinha vontade, mas não tinha impulso, como ele me convidou dei a iniciativa, hoje tenho esse objetivo de não deixar a cultura do carimbó cair, onde há uma brechinha nós estamos lá divulgando o nosso carimbó. Já criaram várias polêmicas para acabar com a parceria dos grupos, mas nós resistimos, vamos levar até o fim. Às vezes ele fala vamos parar e eu digo não, vamos levar a frente, nosso projeto é esse vamos levar a cultura do carimbó para frente. Já somos conhecidos em Belém fomos chamados na fundação Corro Velho para fazer uns trabalhos sobre o carnaval. Nós damos aulas para as crianças aprenderem a tocar os instrumentos, nós fabricamos os instrumentos isso é arte nossa assim como seu Jaci tem os instrumentos dele eu também tenho os meus e foi tudo preparado artesanalmente e é uma maravilha até hoje estamos nos dando bem. Esse trabalho só vai acabar quando a gente morrer, isso se não tiver ninguém com peito com esse gosto e prazer de levar essa cultura avante.


IN - Vocês sabem como surgiu o carimbo em Belém?

TC - É meio difícil responder esta pergunta, porque tem carimbó em Maracanã, Curuça, Marapani, são as terras do carimbó. Eu o conheci aqui, uns primos meus que eram pescadores conheceram na Vigia, já seu Antonio Maracanã trouxe de Maracanã para cá, então não sei de onde realmente surgiu, uns dizem que foi dos escravos.

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IN - O quê vocês fazem para sobreviver?

TC - Tenho um barracão, um barzinho sou repercutor, ferreiro, armador e montador. Temos que fazer bico para sobreviver, um bico aqui outro ali e vamos vivendo. No carimbo não tem fim lucrativo.


JC - Sou ceramista, cerâmica de barro, fabrico as peças.


R - Sou pescador artesanal, tenho a carteira da colônia, pago todo mês, sobrevivo da pesca.


Paulo - Sou pintor, mas faço serviços gerais, estou no grupo por influência do meu pai, para não deixar o ritmo regional do Pará morrer.


IN - Agora vamos falar sobre o Pará.

Raimundo - Nosso Pará é uma terra tranquila para viver. Sobre o emprego, a nossa vida financeira está ruim, porque muitas firmas estão fechando, sobretudo, as de serraria, as que chamam de trabalho com madeira. Há muita gente desempregada. Nós estamos nos unindo para não tomarem nossa Amazônia. É uma beleza o fórum se realizar aqui, trouxe coisas boas, inclusive pela apresentação que nós fizemos, nem esperava que fôssemos nos apresentar, fomos bem tratados bem recebidos, com todo respeito.


IN - Vocês recebem apoio governamental?

R - Não temos apoio de prefeitura, governador, de ninguém.


JC - Nós reclamamos, não há investimento para nossa arte. Quando vamos fazer uma apresentação aqui em Icoaraci vamos à prefeitura e pedimos um palco, é uma dificuldade, temos que falar com fulano, sicrano, beltrano, quando chegamos na pessoa certa já passou o dia da apresentação. Quando vem o pessoal de fora fazer show em Belém, é palco montado, camarote, nós que somos da terra, somos os criadores da cultura do Pará não temos esse apoio. Eles não investem na gente porque não damos lucro. O pagode, o rock, o sertanejo, eles dão lucro. Só os antigos gostam do carimbó. Há pouco grupo de carimbó no Pará, pouca gente quer aprender a tocar, só alguns antigos que lutam pelo ritmo e alguns novos influenciados pela família é que continuam, é o filho seguindo o pai.


IN - Porque ainda fazer carimbó se é algo não-rentável?

JC - Nosso objetivo é não deixar cair o nosso folclore, que nós adoramos, temos que manter lá em cima, vale a pena insistir é nossa tradição.


IN - E como envolver os jovens nesta cultura?

R - Temos batalhado para que os jovens aprendam a tocar os instrumentos como a percussão, o banjo. A campanha que estamos fazendo é para ver se agente reengata o pessoal para pegar o gosto por nossa música. Se o carimbó passar a ser patrimônio brasileiro talvez tenhamos nosso resgate.


IN - Deixem uma mensagem para os leitores do INVERTA.

R - Gostaria que o pessoal que faz parte do pagode, do samba que tem a mesma origem nossa se unisse a nós e lutasse para que a nossa cultura se transforme em patrimônio nacional.


IN - As dançarinas pequeninas também falaram ao INVERTA.

Carol, sete anos - Danço porque acho bonito e gosto, quem me ensinou a dançar foi a Ana Rosa.

Maiara, 10 anos - Comecei a dançar com oito anos, desde quatro anos queria dançar, é a dança mais bonita que já vi.

 

 

Osmarina Portal

Pedro Azevedo
Pedro Azevedo says:
20/01/2012 14:17

Carimbó é dança boa
Carimbó é do Pará
Carimbó é de Marapanin
Carimbó é de Curuçá
Carimbó é coisa de índio
Carimbó é Tupinambá

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