Efeito grego chega muito perto da França
Essa matéria foi publicada na Edição 431 do Jornal Inverta, em 23/12/2008O temor de revoltas na França ganhou dimensão devido a sensível situação econômica que o país atravessa, ao mesmo tempo em que as autoridades se aprontam para tomar medidas em previsão de um efeito dominó dos acontecimentos da Grécia. A situação em terras gregas protagonizada basicamente por jovens, pôs em estado de alerta o governo conservador francês e a própria ministra do Interior, Michele Alliot-Marie, expressou preocupação a respeito.
Efeito grego chega muito perto da França
O temor de revoltas na França ganhou dimensão devido a sensível situação econômica que o país atravessa, ao mesmo tempo em que as autoridades se aprontam para tomar medidas em previsão de um efeito dominó dos acontecimentos da Grécia.
A situação em terras gregas protagonizada basicamente por jovens, pôs em estado de alerta o governo conservador francês e a própria ministra do Interior, Michele Alliot-Marie, expressou preocupação a respeito.
Sobretudo porque já na França há antecedentes e bastante explosivos, com os dias de centenas de automóveis incendiados no final de 2005 pela morte de dois adolescentes, eletrocutados acidentalmente quando fugiam da polícia.
Na Grécia foi o falecimento do estudante Alexis Grigoropoulos o motivo dos protestos, no entanto nas “banlieue” parisienses (onde vivem mais de nove milhões de pessoas) o detonador foram os jovens de origem africana.
O que começou em Atenas se estende com ramificações perigosas em uma Europa que entra na recessão econômica, desenha medidas pouco convincentes para frear os fluxos migratórios e não oferece perspectivas animadoras no curto prazo.
De fato, as manifestações em numerosas cidades francesas contra reformas na educação, com particular ênfase no ensino médio, tiveram um sabor de desafio à administração de Nicolás Sarkozy.
Com o apoio aberto dos partidos de esquerda, jovens e dirigentes sindicais se uniram e obrigaram o impopular ministro de Educação, Xavier Darcos, a adiar a discussão das medidas para 2009.
Os sindicatos também convocaram uma greve geral para fins de janeiro próximo, em rejeição a todo um pacote de reformas que segundo seus pontos de vista feriam as conquistas sociais dos trabalhadores franceses.
O temido contágio com a Grécia levou inclusive à titular do Interior Alliot-Marie a adiantar-se no tempo, prevendo um panorama complexo na organização da cúpula da OTAN programada na França para abril de 2009.
Na prestigiosa e rebelde universidade da Sorbone desta capital apareceu uma frase ameaçadora pintada em suas paredes: “Atenas, ontem, Paris, Europa, amanhã”.
Um ambiente de descontentamento é perceptível entre os jovens das “banlieue”, residentes nos bairros da periferia de Paris e outras cidades francesas importantes, marcados pela precariedade trabalhista, educação ameaçada e dificuldades com a moradia.
Para o jornal Le Monde, o caso grego deve ser olhado com respeito, como um chamado de atenção de algo que pode se repetir no Velho Continente, e em particular na França.
Prensa Latina






